quinta-feira, 26 de maio de 2016

PASSATEMPO ...

Quem viaja de automóvel entre Portugal e Andorra, encontrará este arco que tem um significado. Qual ?O Senhor Engenheiro Moreirinhas e a esposa, estão proibidos de entrar neste passatempo, pois foram eles que nos chamaram a atenção para o significado deste curioso arco ...
Quito Pereira

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Passatempo metalúrgico

Em que sítio de Coimbra se fazem milagres no metal, que até são publicitados na fachada?





E, acertado logo à primeira pelo Carlos Carvalho, é na Rua de Baixo, em Santa Clara, mesmo coladinho ao recinto do Convento de Santa Clara a Velha.
Serralharia do Convento.



terça-feira, 24 de maio de 2016

Ir sózinho...

Penso que é melhor acompanhado.

Como isto de andar de hospital em hospital é um pouco monótono, dêm lá um geitinho. Venham dar uma voltinha comigo que até ajuda a distraír.
Vááá... vamos começar pelo tratamento de quimioterapia que até é aliciante. Olhar pela janela ao lado até revigora as forças.
Sabem as aves ligeiras
O canto seu variar
Fazem gorjeios às vezes
Às vezes põem-se a chilrar.
Não nos atrazemos com a passarada, pois ainda há uns exames para fazer noutro hospital.

Depois de passada a entrada deste hospital, vamos aproveitar esta máquina para evitarmos de estarmos em longas bichas. Passamos o cartão de saúde pelo quadradinho, pois este benévolo até nos ajuda a fazer tudo.
Inscrição feita, vamos para a sala de espera.
Para os que me acompanham, como vêm não custa nada. Acentados num sofá em amena cavaqueira, o tempo passou rápidamente até ser chamado com muito amor e carinho.
Isto de passar o tempo a ver os outros trabalhar, não está certo. O doente também tem que colaborar. Se não se deitar, não há exame. É por isso que ele é a atracção principal.
Também precisa de se distrair um pouco, só que já apresentei uma reclamação pois nunca vi um pássaro nestas árvores.
Que belo quadro.
Está tudo a correr bem. Passemos a outra sala para o último exame de hoje.
Já que esta gente tanto insiste, aproveitei para descontraír os olhos com a paisagem.

Lindo.
Uma vista deste corredor que mais parece uma galeria de arte ou um museu.
Mergulhemos no universo de Rita Cohen. Os seus trabalhos em acrílico sobre tela fazem-nos parar no corredor.
Este conjunto é da autoria de Fernand Toupin de mil novecentos e setenta e sete, que defendia o retorno a uma pintura mais reservada e racional, muito de acordo com o movimento Autonomista da época.
Obrigado pela vossa agradável companhia.

Em baixo vemos fotos de um artista muito conhecido.

Pablo Picasso.

Numa certa altura Picasso mudou-se para França, longe de Paris e dedicou-se à linogravura. Este estilo permite ao artista de criar rápidamente uma linha que capta imediatamente o gesto dele. Os quadros representam personagens muito animadas aonde bebem e dançam nas celebrações dos romanos e gregos em homenagem ao deus Baco.
Dados obtidos no local.

ANIVERSÁRIO

HERMENEGILDO COELHO

24-05-1941

Nesta data especial...

"Encontro Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!

ANIVERSÁRIO

MÁRIO ROVIRA

24-05-1935

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

FELIZ ANIVERÁRIO!

PARABÉNS!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

A TERNURA DOS OITENTA...desde o seu nascimento...de Fernando Rafael

II Acto - A Juventude e o restao

II Acto – A JUVENTUDE E O RESTO


                         
Depois de tantas tropelias
Fernando vê sua infância passada.
Algumas tristezas muitas alegrias
É o fim da vida airada!
Há muito tempo deixou a escola
Era agora um rapazola
Com sua voz já mudada!
O diabo ainda o chamou…
Mas ele dizia: Não! Por aí não vou,
Essa vida não leva a nada!
Bom!... Dizia mas não fazia!
E como tem um coração mole
Perde-se agora de amores
Pelos jogos de futebol.
Um vício, um ai Jesus!
E resolve trocar o liceu
Pelo campo de Santa Cruz.
Para jogar tinha pouco jeito
Chutava torto, pouco a direito!
À baliza nem pensar,
Nunca defenderia uma bola que viesse pelo ar!...
Mas finalmente descobre o seu grande valor,
Na bancada, como espectador!...
E é tão grande o seu amor
Que quase esquece o tambor.
Os estudos iam ficando para trás.
E naturalmente como rapaz
Já começa então a olhar
Para as garotas que via passar!
Cada nome era adicionado
A uma já extensa lista
Mas seu coração estava guardado
Para um amor à primeira vista!
Vai mirando esta e aquela
A umas pisca o olho, a outras ele dá trela
Mas namoros não aceita.
Ele sabia que nenhuma era aquela
A tal, a que seria a eleita!
Foi então que Fernando viu
E uma dor no peito sentiu
Uma miúda bem giraça.
Tinha que saber a sua graça!
É uma beleza nunca vista
Vai logo para o topo da lista!
E com sabedoria régia
Arranja logo a estratégia:
Para engatar a pequena
Irá aproveitar a verbena
Que iria acontecer
Para a juventude se entreter.
E lá lhe arrastaria a asa
No baile, bem perto de casa
Onde é hoje o Centro Norton Matos.
Fernando calça os seus melhores sapatos
Vê-se ao espelho, não estava nada mal
E dirige-se então ao local.
Arranja a gravata
E com grande lata
Pergunta à miúda se quer dançar.
Ela depois de o mirar,
Aceita!
Ele, lá se ajeita
E no fim de cada tema
Ele adopta como lema
A mão dela não largar!
Assim, ele terá a certeza
Que toda aquela beleza
Dele não vai escapar!
Mas a noite já vai alta
E da música nem sentem falta.
E dançam, dançam sem reparar
Que está um lindo luar.
   


Ainda não são namorados
Mas mantêm-se agarrados.
Então, Fernando Rafael
Com toda a coragem do mundo
E sem perder um segundo
Sem pensar no que dizia
Pede-lhe namoro naquele dia.
E não é que a pequena
Até o foi aceitar?!...
Ele nem queria acreditar!
Só lhe apetecia cantar
Pelas ruas da cidade.
E tamanha era a vaidade
E grande a sua alegria
De tão contente que estava,
Que pelos caminhos por onde passava
A toda a gente dizia
Que finalmente namorava
A formosa Celeste Maria

Ó pá! Dizia o amigo
Como é que namora contigo?
Tu não és gajo para ela!
Sou, tenho a certeza!
E toda aquela beleza
Gosta tanto de mim, como eu gosto dela!
E ele não se enganava
Pois ela também dele gostava!

Celeste Maria estudava
E além disso ainda ajudava
Seu pai, com arte e sabedoria
No laboratório de fotografia.
E quando começa a namorar
Fernando também quer ajudar!



Ele, o futebol não esquecia!
E por vezes o que fazia
Era ir ao campo durante o dia!
À noite chegada a altura
Ia namorar na câmara escura!...
Mas quando o pai de Celeste aparecia
A luz da câmara acendia
Eles não estavam a fazer nada…
Mas a fotografia ficava velada!

Entretanto, Celeste Maria
Começa a reparar
Que Fernando não se vai safar
No que respeita a caligrafia.
A caneta era a preceito
Mas ele pegava-lhe sem jeito!
Ela, resolve pegar na caneta
E explica-lhe como se faz.
Ele faz uma careta
E diz que não é capaz!
Era malandro o rapaz
Isso está bom de ver
Dizia não ser capaz
Para ser ela a escrever! …

E nos intervalos da escrita
Lá iam esmaltando
Recortando
Carimbando
E embalando
Tudo o que a Celeste Maria
Lhe ensinou de fotografia!
Era uma vida regalada
Todo o dia com a namorada.
Às 9 horas, quando a porta da loja abria
Já Celeste Maria sabia
Que Fernando à sua espera lá estaria!



Com o namoro de Celeste e Fernando, 
Assim os dias vão passando!
Mas o pior estava para vir
Coisa a que ele não podia fugir.
É chamado para a tropa.
Andou a saltar de quartel em quartel
De Cabo Miliciano a Furriel
Do RAL2 a Santa Margarida,
Mas aquilo não era vida,
Não era aquilo que ele queria
Só desejava a casa regressar
Para ver a Celeste Maria
E poder passar o dia
Com ela a namorar!
Mas no meio do azar
Teve muita sorte com certeza
Por um ano que não foi parar
À Índia que era ainda portuguesa!
Celeste Maria anda triste
Uma tristeza que não merece
O seu amor não lhe assiste
Mas ela não o esquece!
E antes de ele regressar
Da imposta vida militar
Mata-se então a estudar.
E como se fosse seu calvário
Sem nenhuma reprovação
Completa com distinção
O curso do Magistério Primário.
Fernando, acabado o serviço militar
Regressa então a casa mas já não vai estudar,
Desiste da boa vida e decide ir trabalhar.


Mas ele anda muito calado
Nunca ninguém o viu tão acabrunhado
Não presta atenção a nada
Só pensa na sua amada.
Corria o ano de 1961
E no dia 19 de Março
Pensou: Já sei o que faço!
Decide que será nesse dia
Que irá pedir a mão de Celeste Maria.
Para ficar com um ar mais elegante
Veste o seu traje de estudante
E assim vestido à maneira
Segue para a casa do Sr. Ferreira.
É o próprio que lhe abre a porta
Ficando a olhar para aquele janota.
Fernando, diante de tão imponente figura
Diz com voz segura:
Venho pedir a mão de sua filha!
Sr. Ferreira naquele momento
Nem acreditava no descaramento
Do rapaz que à sua frente
Lhe pedia a filha como nubente.
Mas com a educação que o caracterizava
Diz-lhe: Eu já desconfiava,
Para vires assim pimpão
E todo vestido à maneira
Não queres que te dê só a mão,
Tu queres é a filha inteira!
Realmente Sr. Ferreira
Logo vi que já sabia
Mas levar a filha inteira
Era mesmo o que eu queria.
Decidir sozinho Sr. Ferreira não quer.
Por isso resolve chamar a mulher:
Ó Rosa, anda cá se faz favor
Está aqui o rapaz do tambor
Que me diz com muita firmeza
Querer levar a nossa princesa.



D. Rosa, que tinha chegado da novena
Ouviu tudo com calma serena.
E com toda a sabedoria do mundo
Resolve o problema de fundo:
Ó homem, se disso não podemos fugir
É melhor que seja ela a decidir.
Celeste Maria, anda cá
Tu gostas deste estudante?
Gosto sim, meu pai,
Um amor flamejante!
Então que hei-de eu fazer
Eu vos dou a minha bênção,
Sigam o vosso caminho
Trata-a com muito carinho
Com amor e muitos afectos
E não esqueceis que um dia
Eu quero ter a alegria
De ver os primeiros netos.
O Senhor pode ficar descansado
Eu amo-a tanto como por ela sou amado!

Celeste é em Cantanhede colocada
Aí, os meninos ela irá ensinar.
Fernando segue-lhe a peugada
E no ano seguinte decidem casar.
Dos pais já tinham a bênção
Mas ainda não podiam casar
Sem a devida autorização
Do Dr. Oliveira Salazar!
Após autorização concedida
De solteiros fazem a despedida
E sem mais nada para impedir
Ao altar vão subir!
Um casamento abençoado
Numa festa sem igual
Devidamente celebrado
Pelo famoso Padre Aníbal.


Traçam juntos os seus destinos
Em Coimbra ninguém os vê.
Celeste a ensinar os meninos
Fernando empregado nos CTT…

Ele agora anda calminho
E pede a Celeste Maria
Para lhe ensinar com carinho
Como aperfeiçoar a caligrafia!
Ela, agora com o curso do Magistério,
Sente-se preparada, sem segredos nem mistério!
E lá iam de vez em quando
Sempre com grande paixão
Com a caneta ensaiando
Umas vezes no tinteiro
Outras vezes na mão!...

Fernando já se sente preparado,
Melhor do que ninguém,
Por vezes fica muito admirado
Como é que já escreve tão bem!...
Então, na sua melhor escrita
E com uma letra bem bonita
Juntamente com a Celeste
Escreve duas cartas de mestre.
Foi uma cegonha que ali passou
Que pegou nas cartas e as levou!
Levou, mas regressou
E como resultado dessa escrita
De forma bem natural
Ficam com a família mais bonita
Adicionando um bonito casal.

Considerando as devidas ressalvas
A tudo se entrega com muito amor.
Do famoso Clube Os Marialvas
É convidado e aceita ser Director



Mas as saudades de Coimbra
Começam também a pesar.
E ao fim de 20 anos
Resolvem então regressar.
Mantêm as profissões
Embora noutro lugar!
Fernando por mérito e seus próprios meios
Fica Chefe numa Estação dos Correios.
Em Coimbra a trabalhar
Fernando vai arranjar
Uma outra grande paixão
Que lhe dá muita satisfação:
Sempre pronto para passeios
Entra num Grupo dos Correios
Para cantar, dançar e representar!
E é tal a sua paixão
E tamanha a sua lata
Que quando o filho lhe disse:
Meu pai, eu vou casar!
Nem penses, muda a data
Que nesse dia eu tenho que actuar!

Mas o homem não pára
Precisava de um sedativo
Ele é hiperactivo.
E durante 6 anos sucessivos
Com os cantares em acumulação
No CNM faz parte da direcção. 
Com rasgo de imaginação
Para os dançarinos amantes
Organiza matinés dançantes
Que são a delícia de velhadas
E a oportunidade para as encalhadas.

Aproveitando as férias e a cantoria
Agarra na Celeste Maria
Resolve conhecer o mundo:
Coimbra, Ceira
Açores e Madeira.
Para longe também investe:
Chipre, França e Bucareste.
Nos países nórdicos também anda
Vai da Noruega à Irlanda.
Com animação sempre em alta
Também foi a Gozo e à Ilha de Malta.
Mas não julguem que foi fácil
Viajar daquele jeito!
É que aquele homem de peito feito
Borra-se todo, é um cagão
Quando anda de avião!
Mas ainda não acabou
A história deste, agora, avô!
Não satisfeito com estas coisas todas
Entra para a Tuna Meliches
Que esteve para se chamar Tuna me…
Mas o padre não deixou!...
Aquilo é malta fixe
Mas muito, muito brejeira
Levam tudo para a brincadeira
E ninguém lhes leva a mal
Mesmo quando dizem comer
As renas do Pai Natal…

Na Tuna, Fernando reaparece
Com a paixão que jamais esquece:
O seu querido e amado bombo
Que carrega sempre ao ombro.
As mulheres, dele não tiram os olhos
Não do Fernando, mas do bombo de Lavacolhos! 
Aquilo é que é um bombo
Feito de pele de carneiro e do lombo!...
Mas Fernando Rafael um dia,
Acabada a animação
No meio daquela alegria
Pousou o bombo no chão.
Distraiu-se por um momento
E sem nenhum consentimento
Aproveita-se logo um sabujo
Para lhe gamar o dito cujo!
Ficou triste, desesperado
Muitas lágrimas ele chorou!
Andou por todo o lado
Aos amigos perguntou
Se alguém o tinha encontrado
E se por acaso o guardou!
Para esquecer suas penas
A todos faz telefonemas
Muitos e-mails e cartas escreveu
Mas de nada lhe valeu,
O bombo nunca mais apareceu!
Finalmente acreditou
Que alguém com ele se alambazou!
De lágrimas nos olhos
E cansado de esperar
Acabou por ir comprar
Um outro a Lavacolhos!
Diz ele:
Este agora está bem guardado
A mim ninguém mo gama
Vai comigo para todo o lado
E até o levo p’rá a cama!

Os dias lá vão passando
Muito calmos para o gosto de Fernando
E para resolver esse mal
Tem uma ideia genial
Invade a sua terra natal
Tal como os nossos antepassados
Conquistaram o mundo de caravela
Fernando Rafael não manda recados
E toma de assalto o Castelo de Penela!
Ficou com o título merecido de Castelão
E Celeste, a Castelã, título que leva por tabela!



Dom Fernando de Oliveira Rafael
Um eterno sonhador, um marido fiel 
Um Homem de bem
Amigo do seu amigo
E com a certeza vos digo
Não odeia nem é odiado por ninguém.
Persistente, desistir jamais!
Luta sempre pelos seus ideais.
Se não o fizesse nunca seria ninguém.

Com muita força de vontade
E com a ajuda da sua cara-metade
Consegue sem quaisquer loas
Reunir em várias festas, mais de 300 pessoas.
A elas chamou: Grandes Encontros de Gerações
Onde há muita alegria e grandes emoções!
Sempre conciliador
Mesmo quando lhe roubam o tambor
Como homem de bem
Não culpa ninguém!



EPILOGO


É este o Homem generoso e honrado
Trabalhador, esforçado,
Honesto e brincalhão
Marido, pai, avô, de grande coração!
Ama Coimbra e nasceu em Penela
E esta minha homenagem singela,
Que leio para toda a gente
Escrita no melhor papel
É fruto da minha amizade recente
Com Fernando de Oliveira Rafael.

Estamos hoje aqui reunidos
Festejando o seu aniversário.
Já são 80 bem medidos
Pouco falta para o Centenário
E nessa altura aqui estaremos
Para mais uma festa de arrombo
E bem alto ouviremos
Dom Fernando com o seu bombo!

Mas hoje peço a todos vós
Que unamos a nossa voz
E nesta hora festiva
Que se dê um forte viva
A este nosso amigo fiel
Dom Fernando de Oliveira Rafael.




Com um cordial abraço do Casal Amigo,
Alfredo e Daisy


EM LOUVOR DOS AÇORES ...






  Imagem do Senhor Santo Cristo - Ícone dos Açores ...

 O arquipélago dos Açores é o paraíso na Terra. É a minha convicção, depois de já ter calcorreado um pequeno pedaço de mundo. Mas uma opinião é apenas isso mesmo, suscetível de contraditório, sobretudo daqueles que conhecem todos os cantos do planeta.


Naquele dia, o meu paraíso chamava-se Angra do Heroísmo. Lá, no Terceira Mar Hotel, eu olhava do meu quarto o mar e a fila de carros e camionetas de turismo que, naquele domingo de sol, demandavam o Monte Brasil.


À tarde parti, na descoberta daquela pérola do Atlântico. Percorri ruas estreitas e empedradas e convivi com o silêncio. Olhei, em janelas fechadas, placas de médicos e advogados que exercem a sua profissão na ilha. Vi gente simples que comigo se cruzava e me cumprimentava num gesto de cortesia, naquele sotaque tão particular.


Desaguei no cais, onde pequenos veleiros aguardavam novas aventuras. Olhei a igreja branca debruada a azul, cofre da religiosidade arreigada de um povo, que ergue as mãos ao Céu quando o chão treme de fúria.


Do Monte Brasil, vi campos verdejantes a perder de vista, com a cidade aninhada a meus pés. Algo de idílico que me transportou para uma dimensão irreal, não fosse a buzina atrevida da camioneta de passageiros a intimar-me a partir. A resmungar regressei, porque o que eu queria mesmo era deitar o relógio fora, como quem dá um pontapé no Tempo.


Ao hotel regressei de novo, já a tarde desfalecia para um serão acolhedor. Sentado numa sala confortável, eu via chegar gente da cidade. Cidadãos e cidadãs da ilha, que se reuniam no hotel para conviverem depois da azáfama da semana. Tinham a preocupação do vestuário aprimorado – sobretudo o elemento feminino – como se aquele momento de lazer tivesse algo de protocolar.


A solidão aguça a vontade de se reunirem, de tocar piano e de cantar em conjunto, numa espécie de braço de ferro e de rebeldia contra o seu isolado destino no meio do mar Atlântico.


Da Terceira, fica-me o encantamento. Do Faial, recordo o vulcão dos Capelinhos, o seu farol - mártir, e a terra negra de uma Natureza zangada. A caminho do Pico, a atribulada viagem de barco em mar picado. Naquele dia, havia “Mau Tempo no Canal”. Era Nemésio presente. Do Pico, a odisseia dos pescadores e a serra mais alta de Portugal. E os parques de merendas de canteiros floridos.


De São Miguel, a larga avenida empedrada e a imagem sofrida do Senhor Santo Cristo, resguardada de larápios por um gradeamento robusto, pelas dádivas dos Crentes que é preciso acautelar. Muitos deles – a esmagadora maioria - são açorianos, a viver do outro lado de um oceano de saudade. Da Devoção de um povo levada até ao limite, se é que a Fé é algo de mensurável.


Parar na singela casa de Natália. Relembrar a sua vida, amassada na força das palavras. Visitar num deslumbramento, a Lagoa das Sete Cidades e a Lagoa do Fogo. Depois, de novo partir, ao encontro de um roteiro gastronómico.


Passear por entre fumarolas a cheirar a enxofre, com a água a borbulhar junto dos nossos pés. Um toque de mistério, digno de um filme de Hitchcock. Então, sentados à mesa de um qualquer restaurante, provar o paladar do “cozido” das Furnas.


Dos Açores fica uma emoção. Também da vontade de voltar. De visitar os “Impérios”. De provar a sopa do Divino Espirito Santo e de abraçar um povo solitário e solidário disperso por nove ilhas belas. Quando a utopia deixa de fazer sentido aos olhos do viajante sensível às ofertas de uma Natureza generosa.


De abraçar o mar. O mar histórico dos Açores e dos seus momentos de pacífica convivência com os ilhéus. Mas também com os seus quadros de tragédia. Afinal, tudo o que é a impressão digital dos habitantes das ilhas, a que não é alheia a sombra protetora da Mão Divina, sempre presente nos corações de quem está habituado e conviver e a aceitar com a força da sua Fé, todas as armadilhas e caprichos do Destino.

Quito Pereira