terça-feira, 19 de dezembro de 2017

HISTÓRIA DE PORTUGAL - REINO DOS ALGARVES

AFINAL EXISTE O REINO DO ALGARVE!!!


Até 1910, o chefe de Estado em Portugal ostentava o título de Rei de Portugal e dos Algarves, D'Áquem e D'Álem Mar em África, etc. Nesse mesmo ano, após o golpe de Estado republicano, foi abolido o Reino de Portugal, mas curiosamente, por lapso, não aboliram o Reino do Algarve, pelo que, presumivelmente, ainda estaria na ordem constitucional actual. Sendo o Algarve uma província assumidamente portuguesa pelo menos desde o reinado de D. Afonso III, porque motivo nunca foi incluído formalmente no Reino de Portugal?

                                          FARO

 O Al-Gharb dos muçulmanos não era só o Algarve com as fronteiras de hoje. O Al-Gharb de Al-Andalus ia desde Coimbra (Kulūmriyya) até às fronteiras do Algarve dos dias de hoje. Já naquela altura o Algarve era um reino, aliás Silves (Xelb) era a capital desse reino e o Algarve islâmico da época atingiu um elevado esplendor cultural e económico que já vinha a crescer desde a época romana. A grande conquista cristã que a história de Portugal nos conta quebra com a realidade do que era o Algarve da altura, e com o que realmente aconteceu. Durante mais de cinco séculos (c. 711-1249), sobre o domínio dos povos islâmicos, árabes e beberes, também o cristianismo existia entre a população do Algarve. Durante séculos viveram moçárabes e cristãos sob governos muçulmanos
                                       FERRAGUDO
 D. Afonso I (primeiro rei de Portugal), nunca chegou a pisar as terras do Algarve de hoje, foi seu filho, D. Sancho I que em 1189 conquistou Silves e proclamou-se como Rei de Silves e do Algarve, no entanto perde Silves para os árabes em 1191, perdendo também o título. Conseguimos perceber que existia interesse por parte dos reis na conquista (reconquista), pela simples razão de aumentar o seu reino, mas a ordem da conquista era dada pelos Papas, e os portugueses matavam em nome de Deus. Foram preciso cinco Reis portugueses e a ajuda dos Cruzados para, por mais de um século de guerras conquistarem o Al-Gharb aos muçulmanos, desde 1139 até 1249 (Cento e dez (110) anos). Mesmo, desde 1189 da conquista da grande Cidade de Silves por D. Sancho I, até 1249 da conquista de D. Afonso III, foram precisos setenta e oito anos (78 anos) para conquistar as fronteiras do Algarve de hoje (passaram as passas do Algarve).
                                          LAGOS
Depois de o Rei de Leão e Castela conquistar Sevilha em Novembro 1248, fez com que D. Afonso III tomasse a decisão de lançar a última ofensiva a sul. Ambos os Reis, de Espanha e Portugal cobiçavam estas terras ricas do Al-Gharb. Na primavera de 1249 chegam as tropas portuguesas à cidade costeira de Santa Maria de Faro. Não houve ataques, nem invasões sangrentas. D. Afonso III fez apenas um acordo com os mouros estabelecendo o seguinte: deu-lhes as mesmas leis em todos os assuntos, podiam ficar com as suas casas e seus patrimónios e o Rei prometeu, defende-los e ajuda-los contra outros povos invasores. Os que quisessem ir embora poderiam ir livremente e levar seus bens. Os cavaleiros mouros que permanecessem tornar-se-iam seus vassalos, e respondiam quando fossem chamados, e o Rei devia trata-los com honra e misericórdia. Foi desta forma que D. Afonso de Portugal e do Algarve “atacou” Faro. No final de 1250, os últimos bastiões muçulmanos, em Porches, Loulé e Aljezur rendem-se e aceitam a aliança portuguesa (não é por nada que ainda hoje existe nos brasões das cidades algarvias um rei cristão (D. Afonso III) e um muçulmano). Os autores e historiadores contemporâneos portugueses desvalorizaram sempre os registos da verdadeira reconquista, fazendo com que a história ficasse marcada por uma brava e vitoriosa conquista portuguesa, por mouros que fugiram, e banhos de sangue (uma história pouco verdadeira). Os Reis espanhóis consideravam que o Reino do Algarve lhes pertencia por o Rei do Al-Gharb, Musa ibn Mohammad ibn Nassir ibn Mahfuz, Amir de Nieba, ter feito vassalagem ao Rei D. Afonso X de Espanha. D. Afonso III casou-se com a filha do Rei de Espanha Dona Beatriz de Castela em 1253 com a intenção de criar um laço de aliança (mesmo casado com Dona Matilde de Bolonha). Só em 1267, com o Tratado de Badajoz D. Afonso X de Leão e Castela concede ao Rei de Portugal o Reino do Algarve, fazendo de seu neto D. Dinis o herdeiro do Trono do Algarve. D. Dinis em 1293 criou uma bolsa dos mercados com interesse pelas exportações. Vinho e frutos secos do Reino do Algarve eram vendidos à Bélgica e à Inglaterra, foi assim que começou a desenvolver-se a ideia para os descobrimentos.
                                         ALJEZUR
Em 1415 os infantes de Portugal invadem a cidade de Ceuta com a mesma visão da “reconquista”, mas com mais motivos. As conquistas no norte de África fez com que o Reino do Algarve, passasse a ser chamado, a partir de 1471 como Reino dos Algarves, e o primeiro rei a o usar o título foi o Rei D. Afonso V de Portugal e dos Algarves, d’Aquém e d’Além-Mar em África. Não é que existisse dois Algarves, mas apenas um, com dois territórios (o de cá, e o de lá do mar). O que existia na verdade era apenas uma expansão do Reino do Algarve para além do mar, já que o Reino de Portugal acabava no Alentejo. O Reino do Algarve na história de Portugal é quase inexistente, a maioria dos algarvios e portugueses nunca ouviram falar deste reino. Há autores que dizem que o Reino do Algarve em nada se diferenciava do resto de Portugal mas não é assim tão verdade. É certo que as leis de Portugal serviam para o Algarve mas não deixava, e não deixa de ter, outros hábitos e outros costumes, outras tradições, fazendo desta terra um grande espólio multi-cultural que não há igual, em nenhuma outra terra em Portugal. O Reino do Algarve não era um reino autónomo é verdade, era semi-autónomo separado pela serra algarvia, separado por vontade dos próprios réis portugueses (nomeando sempre um governador para este Reino régio), separado por uma aliança com os cidadãos algarvios e réis de Castela. Dizem certos autores que nenhum rei português foi coroado ou saudado como sendo apenas Rei do Algarve, é verdade, no entanto os próprios Reis portugueses quiseram que continuasse a ser um outro reino à parte, e estes autores esquecem-se ainda que quem fundou o Reino do Algarve não foram os réis portugueses. A única vez que o Reino do Algarve foi abolido foi em 1773 por D. José I (influências do Marquês de Pombal), mas a sua filha, a Rainha Dona Maria I volta a o restaurar.
                                                TAVIRA
O Reino do Algarve englobava todos os territórios africanos dos réis. Também podemos olhar para a ilha da Madeira como parte desse reino, ainda mais por D. Duarte ter doado a seu irmão o Infante D. Henrique (Governador do Reino do Algarve), o arquipélago da Madeira. Sendo extremamente irónico a ilha Madeira hoje ser uma região autónoma (ou semi-autónoma) e o Algarve não. O que sempre existiu em Portugal foi um Reino Unido de Portugal e Algarve tal como acontece ainda hoje na Grã-Bretanha, com Inglaterra, País de Gales, Escócia e Norte da Irlanda, unidos. Mais tarde em 1815 também o Reino do Brasil fazia parte desse reino unido (no entanto é proclamada a independência do Brasil em 1822). Os Reis de Leão e Castela (Espanha) também usaram títulos como Reis dos Algarves, aliás, ainda hoje isso acontece. O Rei Filipe VI é o Rei dos Algarves pela constituição monárquica espanhola de 1978. Em 1910 com o golpe de estado por parte dos republicanos, dá-se a proclamação da 1ª República portuguesa, em que se aboliu o Reino de Portugal. Os republicanos portugueses no entanto esqueceram-se de abolir o Reino do Algarve.

Envido por José Afonso Costa

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

EXPRESSÕES POPULARES. O SABER NÃO OCUPA LUGAR - 3ª PARTE

FILA INDIANA
Significado: enfiada de pessoas ou coisas dispostas uma após outra.
Origem: Forma de caminhar dos índios da América que, deste modo, tapavam as pegadas dos que iam na frente.

ANDAR À TOA
Significado: Andar sem destino, despreocupado, passando o tempo.

Origem: Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está "à toa" é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar.

EMBANDEIRAR EM ARCO


Significado: Manifestação efusiva de alegria.

Origem: Na Marinha, em dias de gala ou simplesmente festivos, os navios embandeiram em arco, isto é, içam pelas adriças ou cabos (vergueiros) de embandeiramento galhardetes, bandeiras e cometas quase até ao topo dos mastros, indo um dos seus extremos para a proa e outro para a popa. Assim são assinalados esses dias de regozijo ou se saúdam outros barcos que se manifestam da mesma forma.

CAIR DA TRIPEÇA
Significado: Qualquer coisa que, dada a sua velhice, se desconjunta facilmente.

Origem: A tripeça é um banco de madeira de três pés, muito usado na província, sobretudo junto às lareiras. Uma pessoa de avançada idade aí sentada, com o calor do fogo, facilmente adormece e tomba.

AVE DE MAU AGOIRO
Significado: Diz-se de pessoa portadora de más notícias ou que, com a sua presença, anuncia desgraças.

Origem: O conhecimento do futuro é uma das preocupações inerentes ao ser humano. Quase tudo servia para, de maneiras diversas, se tentar obter esse conhecimento. As aves eram um dos recursos que se utilizava. Para se saberem os bons ou maus auspícios (avis spicium) consultavam-se as aves. No tempo dos áugures romanos, a predição dos bons ou maus acontecimentos era feita através da leitura do seu voo, canto ou entranhas. Os pássaros que mais atentamente eram seguidos no seu voo, ouvidos nos seus cantos e aos quais se analisavam as vísceras eram a águia, o abutre, o milhafre, a coruja, o corvo e a gralha. Ainda hoje perdura, popularmente, a conotação funesta com qualquer destas aves

FAZER TÁBUA RASA
Significado: Esquecer completamente um assunto para recomeçar em novas bases.
Origem: A tabula rasa , no latim, correspondia a uma tabuinha de cera onde nada estava escrito. A expressão foi tirada, pelos empiristas, de Aristóteles, para assim chamarem ao estado do espírito que, antes de qualquer experiência, estaria, em sua opinião, completamente vazio. Também John Locke (1632 1704), pensador inglês, em oposição a Leibniz e Descartes, partidários do inatísmo, afirmava que o homem não tem nem ideias nem princípios inatos, mas sim que os extrai da vida, da experiência. «Ao começo», dizia Locke, «a nossa alma é como uma tábua rasa, limpa de qualquer letra e sem ideia nenhuma. Tabula rasa in qua nihil scriptum. Como adquire, então, as ideias? Muito simplesmente pela experiência.»

A VERDADE DE LA PALISSE

Significado: Uma verdade de La Palice (ou lapalissada / lapaliçada) é evidência tão grande, que se torna ridícula.
Origem: O guerreiro francês Jacques de Chabannes, senhor de La Palice (1470-1525), nada fez para denominar hoje um truísmo. Fama tão negativa e multissecular deve-se a um erro de interpretação.
Na sua época, este chefe militar celebrizou-se pela vitória em várias campanhas. Até que, na batalha de Pavia, foi morto em pleno combate. E os soldados que ele comandava, impressionados pela sua valentia, compuseram em sua honra uma canção com versos ingénuos:
"O Senhor de La Palice / Morreu em frente a Pavia; / Momentos antes da sua morte, / Podem crer, inda vivia."
O autor queria dizer que Jacques de Chabannes pelejara até ao fim, isto é, "momentos antes da sua morte", ainda lutava. Mas saiu-lhe um truísmo, uma evidência. Segundo a enciclopédia Lello, alguns historiadores consideram esta versão apócrifa. Só no século XVIII se atribuiu a La Palice um estribilho que lhe não dizia respeito. Portanto, fosse qual fosse o intuito dos versos, Jacques de Chabannes não teve culpa.

Nota: Em Portugal, empregam-se as duas grafias: La Palice ou La Palisse

VER PARTE I

VER PARTE II

domingo, 17 de dezembro de 2017

RECANTOS DE COIMBRA...

...Rua Sobre Ribas- mais conhecida de Sub Ripas...





      Instituto de Arqueologia da Universidade de Coimbra




 
   Torre de Anto
   Vista sobre Coimbra apanhando margem esquerda do Mondego.Foto tirada da Rua Sub Ripas(Sobre Ribas), junto da Misericódia



       Misericórdia de Coimbra no final da Rua de Sub Ripas.(Sobre Ribas)
   .Torre da Misericórdia. Ao fundo Centro Comercial FORUM
  À esquerda inicio da Rua do Colégio Novo. Em cima a Casa da Escrita-Rua Dr, João Jacinto

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

CURIOSIDADE POÉTICA

CONTA E TEMPO 
                                                                                                                                         No século XVII, época do Barroco, os artistas eram dados a estes jogos. Às vezes até se ficavam pelos trocadilhos, não curando dos assuntos. Mas este tem assunto bem recheado de saber. Soneto, obra-prima do trocadilho, escrito no século XVII por Frei António das Chagas (António Fonseca Soares).

CONTA E TEMPO

Deus pede estrita conta do meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta a tempo
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

EXPRESSÕES POPULARES - O SABER NÃO OCUPA LUGAR - 2ª PARTE

MEMÓRIA DE ELEFANTE
Significado: Ter boa memória; recordar-se de tudo.
Origem: O elefante fixa tudo aquilo que aprende, por isso é uma das principais atracções do circo




LÁGRIMAS DE CROCODILO




Significado: Choro fingido.

Origem: O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele chora enquanto devora a vítima


NÃO PODER COM UMA 
COM UMA GATA PELO RABO


Significado: Ser ou estar muito fraco; estar sem recursos.

Origem: O feminino, neste caso, tem o objectivo de humilhar o impotente ou fraco a que se dirige a referência. Supõe-se que a gata é mais fraca, menos veloz e menos feroz em sua própria defesa do que o gato. Na realidade, não é fácil segurar uma gata pelo rabo, e não deveria ser tão humilhante a expressão como realmente é

MAL E PORCAMENTE


Significado: Muito mal; de modo muito imperfeito.
Origem: «Inicialmente, a expressão era "mal e parcamente". Quem fazia alguma coisa assim, agia mal e eficientemente, com parcos (poucos) recursos.
Como parcamente não era palavra de amplo conhecimento, o uso popular tratou de substituí-la por outra, parecida, bastante conhecida e adequada ao que se pretendia dizer. E ficou " mal e porcamente", sob protesto suíno.»(1)
(1) in A Casa da Mãe Joana, de Reinaldo Pimenta, vol. 1 (Editora Campus, Rio de Janeiro

JÁ A FORMIGA TEM CATARRO


Significado: Diz-se a quem pretende ser mais do que é, sobretudo dirigido a crianças ou 
inexperientes



FAZER TIJOLO




Significado: Morrer.
Origem: Segundo se diz, existiu um velho cemitério mouro para as bandas das Olarias, Bombarda e Forno do Tijolo. O almacávar, isto é, o cemitério mourisco, alastrava-se numa grande extensão por toda a encosta, lavado de ar e coberto de arvoredo.
Após o terramoto de 1755, começando a reedificação da cidade, o barro era pouco para as construções e daí aproveitar-se todo o que aparecesse

VER PARTE I


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

ENCONTROS COM JOSÉ AFONSO EM COIMBRA

INSISTO NÃO SER TRISTEZA
Com Orquestra Clássica do Centro
João Afonso
Rui Pato
Para recordar ...e para quem não esteve presente...
Uma amostra do que foi
Realizado no passado dia 30 de Setembro


  Foto Pedro Fonseca
Foto Carlos Carvalho
        Vídeo de Dina Fonseca

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

EXPRESSÕES POPULARES - O SABER NÃO OCUPA LUGAR - Iª PARTE

ERROS CRASSO
Significado: Erro grosseiro.
Origem: Na Roma antiga havia o Triunvirato: o poder dos generais era dividido por três pessoas. No primeiro destes Triunviratos , tínhamos: Caio Júlio, Pompeu e Crasso. Este último foi incumbido de atacar um pequeno povo chamado Partos. Confiante na vitória, resolveu abandonar todas as formações e técnicas romanas e simplesmente atacar. Ainda por cima, escolheu um caminho estreito e de pouca visibilidade. Os partos, mesmo em menor número, conseguiram vencer os romanos, sendo o general que liderava as tropas, um dos primeiros a cair. Desde então, sempre que alguém tem tudo para acertar, mas comete um erro estúpido, dizemos tratar-se de um "erro crasso".
TER PARA OS ALFINETES
Significado: Ter dinheiro para viver.
Origem: Em outros tempos, os alfinetes eram objecto de adorno das mulheres e daí que, então, a frase significasse o dinheiro poupado para a sua compra porque os alfinetes eram um produto caro. Os anos passaram e eles tornaram-se utensílios, já não apenas de enfeite, mas utilitários e acessíveis. Todavia, a expressão chegou a ser acolhida em textos legais. Por exemplo, o Código Civil Português, aprovado por Carta de Lei de Julho de 1867, por D. Luís, dito da autoria do Visconde de Seabra, vigente em grande parte até ao Código Civil actual, incluía um artigo, o 1104, que dizia: «A mulher não pode privar o marido, por convenção antenupcial, da administração dos bens do casal; mas pode reservar para si o direito de receber, a título de alfinetes, uma parte do rendimento dos seus bens, e dispor dela livremente, contanto que não exceda a terça dos ditos rendimentos líquidos.»
DO TEMPO DA MARIA CACHUCHA


Significado: Muito antigo.

Origem: A cachucha era uma dança espanhola a três tempos, em que o dançarino, ao som das castanholas, começava a dança num movimento moderado, que ia acelerando, até terminar num vivo volteio. Esta dança teve uma certa voga em França, quando uma célebre dançarina, Fanny Elssler, a dançou na Ópera de Paris. Em Portugal, a popular cantiga Maria Cachucha (ao som da qual, no séc. XIX, era usual as pessoas do povo dançarem) era uma adaptação da cachucha espanhola, com uma letra bastante gracejadora, zombeteira
À GRANDE E À FRANCESA
Significado: Viver com luxo e ostentação.
Origem: Relativa aos modos luxuosos do general Jean Andoche Junot, auxiliar de Napoleão que chegou a Portugal na primeira invasão francesa, e dos seus acompanhantes, que se passeavam vestidos de gala pela capital.



 COISAS DO ARCO-DA-VELHA
Significado: Coisas inacreditáveis, absurdas, espantosas, inverosímeis.
Origem: A expressão tem origem no Antigo Testamento; arco-da-velha é o arco-íris, ou arco-celeste, e foi sinal do pacto que Deus fez com Noé: "Estando o arco nas nuvens, Eu ao vê-lo recordar-Me-ei da aliança eterna concluída entre Deus e todos os seres vivos de toda a espécie que há na terra." (Génesis 9:16)
Arco-da-velha é uma simplificação de Arco da Lei Velha, uma referência à Lei Divina.
Há também diversas histórias populares que defendem outra origem da expressão, como a da existência de uma velha no arco-íris, sendo a curvatura do arco a curvatura das costas provocada pela velhice, ou devido a uma das propriedades mágicas do arco-íris - beber a água num lugar e enviá-la para outro, pelo que velha poderá ter vindo do italiano bere (beber
DOSE PARA CAVALO
Significado: Quantidade excessiva; demasiado.
Origem: Dose para cavalo, dose para elefante ou dose para leão são algumas das variantes que circulam com o mesmo significado e atendem às preferências individuais dos falantes.
Supõe-se que o cavalo, por ser forte; o elefante, por ser grande, e o leão, por ser valente, necessitam de doses exageradas de remédio para que este possa produzir o efeito desejado.

Com a ampliação do sentido, dose para cavalo e suas variantes é o exagero na ampliação de qualquer coisa desagradável, ou mesmo aquelas que só se tornam desagradáveis com o exagero.
DAR UM LAMIRÉ


Significado: Sinal para começar alguma coisa.
Origem: Trata-se da forma aglutinada da expressão «lá, mi, ré», que designa o diapasão, instrumento usado na afinação de instrumentos ou vozes; a partir deste significado, a expressão foi-se fixando como palavra autónoma com significação própria, designando qualquer sinal que dê começo a uma actividade. Historicamente, a expressão «dar um lamiré» está, portanto, ligada à música (cf. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).
Nota: Escreve-se lamiré, com o r pronunciado como em caro..
NOTA: segue oportunamente a continuação-parte II

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A RUA DE SÃO PEDRO ...







Caminho para nascente ao encontro do passado. De um Tempo remoto disfarçado de presente. Olho a planície silenciosa, aqui e ali invadida por aglomerados de pinheiros e eucaliptos que resistiram à fúria devastadora do lume. Ao longe, diviso pequenos lugares de casas brancas estendidas ao sol de outono, rendidas ao passar dos dias e dos anos. Vou rodando em círculo no meu carro, num labirinto de estradas ausentes de gente e de vida, até que uma pequena placa indicativa plantada na berma do caminho, indica-me que cheguei ao meu destino de viagem.
Não fui ali porque quis. Fui porque as circunstâncias assim o exigiam e o coração também. Perdi um amigo de longos anos.

Com o rodado do carro a trepidar na calçada, parei. Saí, bati com a porta, olhei a torre da modesta igreja e o sino. Lá dentro, na penumbra do pequeno templo, vi um homem idoso vestido no rigor dos seus paramentos – era o padre. Com um discurso formatado e sem grandes rasgos de retórica, lá levou a homilia a bom porto.

Depois o sino tocou e o cortejo partiu lento. No regresso de me despedir do meu amigo, percorri a pé a rua empedrada. Ali, do lado esquerdo, sentada num banco de madeira, vejo uma idosa vestida de negro. Cumprimento-a e ela responde-me com o afeto de quem dá as boas vindas a um forasteiro. Depois falou-me da sua vida naquela pequena aldeia onde vive sozinha. Lembrou o marido que partiu há quatro anos e do filho que está longe, lá para as bandas da capital. E lastimou-se da sua solidão. Com o bordão que lhe repousa no regaço, aponta-me a sua casa ali do outro lado da rua. Uma casa simples e bem cuidada. Enquanto fomos dialogando, apareceu um homem. Era ainda jovem e muito falador. Sem rodeios, foi-me falando da região que conhece bem e dos trabalhos temporários que já teve aqui e ali, fosse na agricultura, na construção civil ou numa carpintaria lá mais para os lados da serra. Mas lá, naquele lugar, estão as suas raízes – fundas raízes – que o fazem ser feliz. Enquanto fala, vai batendo com o punho cerrado na porta de uma vizinha que não acode ao chamamento. Então, em bicos de pés, espreita pelo postigo enquanto continua em voz alta a clamar pela presença de quem se terá ausentado, talvez para regar as hortas ou dar de comer ao “vivo” no curral. Perguntei-lhe então, em jeito de despedida, qual o nome daquela rua. Disse-me que era a Rua de São Pedro, onde apenas habitam quatro pessoas. Aqui, nesta rua, somos uma família - disse-me. Despediu-se de mim com um sorriso de cortesia. Apertámos a mão e parti, meditando naquele pequeno universo cósmico de uma modesta rua e de quatro almas que sobrevivem de uma solidariedade partilhada, num futuro que não existe naquele vácuo do Tempo. Resta apenas a crença férrea de quem acredita na utopia da Terra Prometida, de que o cura vai falando anos a fio na missa dominical a que acorrem com fervor ao toque metálico e prolongado do sino.

Lembrando o amigo que ali deixei para sempre e olhando a torre sineira agora muda e envolta no marasmo dos dias, abandonei aquele lugar na procura do meu berço coimbrão. Para trás,  ao declinar do sol, ficou uma Beira Baixa perdida e esquecida na encruzilhada de todos os seus encantos, desencantos e mistérios.
Voltarei.
Quito Pereira                 

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

RARIDADE HISTÓRICA


Raridade!!!!!

Um documento raro e com uma carga histórica de grande valia...



A COEXISTÊNCIA FUGAZ DA PONTE PENSIL  COM A PONTE D. LUÍS, NO PORTO É UMA RARIDDE.

Esta fotografia merece toda a atenção dada a sua particularidade de mostrar a extinta Ponte Pênsil a par da Ponte Luís I o que deverá fazer dela uma raridade fotográfica visto que as duas pontes coexistiram durante um curto período de tempo, entre 1886 e 1887.
A imagem foi obtida por George Tait, a partir do local onde é hoje o Jardim do Morro (em Vila Nova de Gaia).


domingo, 3 de dezembro de 2017

FOTO "FORMIDÁVEL" ACADÉMICA

Nesta foto está um jogador da nossa juventude no Bairro.
Morou na Rua A- Vasco da Gama
TÓ Gonçalves
Muitos outros jogadores conhecidos de épocas brilhantes
7º  na fila de cima

AAC  0/V. Setúbal  0
18-10-1959
A expectativa de GONÇALVES...não será satisfeita. A bola não entrará na baliza sadina,
à guarda de Mourinho

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

CURIOSIDADES

O jornal em papel, como sempre o conhecemos, realmente não poderá nunca ser substituído pela internet.

  A seguir, alguns dos importantes usos do jornal:

  Uso doméstico:
  Cobrir bananas ou abacate para amadurecer.     Recolher lixo.
  Limpar vidros.
  Dobradinho, serve para alinhar os pés da mesa.
  Embrulhar louças numa mudança.
  Recolher a caca do cachorro.
  Forrar a gaiola do passarinho.
  Cobrir os móveis e o chão antes de pintar a casa.
  Evitar que entre água por baixo da porta.
  Proteger o chão da garagem quando o carro está a pingar óleo.
  Embrulhar o tacho do arroz para o manter quente.
  Fazer palmilhas para os sapatos para os dias frios e chuvosos.
  Matar moscas, baratas e demais insectos.
  Na época da crise económica, usá-lo como papel higiénico,    mesmo que seja um pouco duro.

  Uso educativo:
  Bater no focinho do cão quando faz xixi dentro de casa.
  Fazer barquinhos de papel.
  Arrancar um pedacinho em branco para anotar um número de  telefone.


  Usos comerciais:
  Alargar os sapatos.
  Encher carteiras de senhora para conservar a forma.
  Embrulhar peixes.
  Embrulhar pregos na loja de produtos para construção.
  Fazer um chapeuzinho para o pintor.
  Cortar moldes para o alfaiate ou para a costureira.
  Embrulhar quadros.
  Embrulhar flores.


 Uso festivo:
  Acender a churrasqueira ou a lareira.
  Rechear a caixa do presente-surpresa.

  Outros Usos:
  Fazer bolinhas para atirar aos companheiros de classe.
  Fazer uma capinha para o machado ou foice.
  Nos filmes, para os bandidos esconderem o revólver.
  Para te esconderes atrás dele quando não queres que te vejam.

 
AH,  ... e por último para ler as notícias !

  Alguém consegue fazer isto tudo com o computador?