sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
ENCONTRO COM A ARTE- FOTOGRAFIA
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Encontro com a arte -Fotografia
quinta-feira, 13 de dezembro de 2018
NAQUELA NOITE ...
(foto net)
Debaixo do grande embondeiro,
olhávamos a mata. Há muito que a noite caíra e ao longe, de uma forma difusa, só
o porte das palmeiras sobressaía num horizonte de silêncios. Apenas a espaços,
o grito longínquo de algum macaco e o piar das aves noturnas. E nós, soldados, ali
estávamos, olhando as esquinas do infinito no vasculhar de todos os perigos.
Então, num ápice, uma série de estrondos ao longe. Era sons cavos, que pareciam
nascer das entranhas da Terra. Rápido e pelas comunicações, logo soubemos que
era um ataque com morteiros ao quartel de Dara. Depois, veio uma ordem superior
para partir. De tentar cortar a retirada ao inimigo. De lhe infligir a
desforra. Sob um céu semeado de estrelas, fomos tragados pela noite. Por
picadas estreitas e uma abóbada de breu, apenas os passos perdidos das nossas
botas de caminhantes forçados. Passo a passo, em marcha lenta por vezes e
acelerada por outras. Na frente da coluna, um africano que conhecia o terreno
palmo a palmo. Voltas e mais voltas naquela floresta de inferno, o cantil da
água a balançar no cinto e o dedo crispado no gatilho da metralhadora. E eles,
os malditos mosquitos, a comerem-nos a cara, sedentos do nosso suor, naquela
noite de labirintos traiçoeira e morna. De repente, da frente veio uma ordem
para parar. Acocorados no chão, o coração a bater a descompasso, escutávamos a
noite. Então o nosso pisteiro, ajoelhado no chão, observou atentamente o trilho.
Experiente, estudou as pegadas, que logo reconheceu serem frescas. Conseguiu
até concluir que o grupo inimigo teria passado ali há cerca de vinte minutos. Nós,
graduados, reunimos e em surdina naquele palco de sombras, cedo chegámos à
conclusão que seria missão impossível encetar uma perseguição naquela terra de
ninguém. Ele, o grupo agressor, caminhava agora para o Boé, a sua zona de
conforto. E nós, de arma aperrada e viajando pela noite de todos os medos,
regressámos à nossa Base. Chegámos ilesos, mas feridos na nossa autoestima a
pisar o vermelho. Naquela noite, mandaram - nos para a boca do lobo. Se
houvesse refrega e infligíssemos baixas no inimigo, patentes militares sem rosto
e sem nome recolheriam os louros da vitória. Se alguns de nós caíssem,
tombariam anónimos. Apenas as lágrimas das famílias. Apenas a saudade dos
amigos. Apenas os rostos fechados dos camaradas de armas.Os degraus do abrigo subterrâneo que se descem. A metralhadora que se encosta junto ao leito. O cantil da água que se bebe sofregamente, antes de recolhermos ao nosso catre de ferro. O suor que escorre do queixo para o peito desnudado. A ventoinha do teto que não deixa de girar a tentar sacudir o calor doentio. A boa noticia que nos chega, que em Dara os nossos militares não tinham sofrido qualquer baixa no bombardeamento. Então, cansados, os sete homens que ocupávamos aquele abrigo saudámo - nos num novo renascer e fechámos a luz para dormir. Menos o Delfim que, com o auxílio do seu pequeno candeeiro de cabeceira que debitava um clarão mortiço, ficou sentado na cama a ler a Bíblia.
Q.P.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
POSTALINHOS DO CHILE-PATAGÓNICA CHILENA IV
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terça-feira, 11 de dezembro de 2018
NA GUINÉ FUI SOLDADO
Tomava o comprimido de Resoquina regularmente e só bebia água depois de passada pelo filtro de porcelana, mas mesmo assim, por lá apanhei paludismo por três vezes e o micróbio injectado pelos mosquitos, bem acomodado no sangue , fez-me sofrer a terrível doença outras tantas vezes, já depois de regressado a Portugal.
Estes cuidados primários eram perdidos quando saíamos dos quartéis, para fazer a guerra, chafurdando na lama cinzenta dos charcos, debatendo-nos enrolados no medonho turbilhão dos tornados, derretendo-nos na fornalha de um sol encoberto, dissolvendo-nos debaixo da impiedosa chuva vertical que nos encharcava os ossos.
Por vezes, o cheiro a pólvora entranhava-se nas narinas misturado com os aroma bala perdida.
E, no entanto, amei e amo aquela terra que me secou, que me fez sofrer, e amei e amo aquelas gentes simples que me ensinaram tantas coisas, porque nunca o preço do amor é demasiado e nem a morte e o sofrimento o podem aniquilar.
Porque nada há que pague o deslumbramento de um pôr-do-sol por trás dos verdes palmeirais, nem o longínquo som dos batuques africanos nas noites serenas.
Nada há que pague as intermináveis conversas com os homens-grandes da tabanca sobre a História da Guiné, em cálidas noites sob um céu estrelado como nunca vi na minha Coimbra.
Não tem preço a singeleza dos olhos doces de uma elegante e ágil gazela a fitarem-nos, assomando-se-lhe duas lágrimas pela morte de um filhote caído numa armadilha.
Nem, muito menos, a intensa vidamas doces da selva, acelerando o coração apertado pelo medo... Os vómitos constantes, a desidratação, as dores do corpo e as febres altas, deixavam-me numa prostração que me fazia preferir a morte por algu animal e vegetal que ao raiar do dia explode e desabrocha, reduzindo-nos a uma pequenez neste fantástico mundo que, com a nossa estúpida prosápia de senhores do Universo, queremos destruir.
Rui FelícioReposição de publicação de 17-11-2010
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Rui Felício
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
POSTALINHO DO CHILE III -PATAGÓNIA
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sábado, 8 de dezembro de 2018
ENCONTRO COM A ARTE - FOTOGRAFIA Coimbra antiga Manuel Luis
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
POSTALINHO DO CHILE II
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018
NOTICIA TRISTE - INFORMAÇÃO
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Noticia triste
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
PENELA PRESÉPIO 2018
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
VERDADES DE LA PALICE ...
Prenúncio de morte, prenúncio de sorte ...
É uma rua singela que desce para o mar. Uma rua empedrada, que
vem do alto da muralha e se espreguiça morro abaixo. De ambos os lados, nas
margens da rua, que se vai estreitando em forma de funil, muitas lojas. São espaços
pequenos de modesto comércio. Mas lojas coloridas e festivas, de todo o género
de mercadoria e poder de compra da bolsa de cada um. No cimo da rua, do lado
esquerdo, está um Café. Dentro do Café, está sentado um homem. Esse homem sou
eu. Naquela pequena mesa tão a meu gosto, estão mais três cadeiras. Duas delas
não estão vazias. Ali, em pesado silêncio, sentam-se Duas Memórias. A Memória
de dois amigos de tempo de férias, que partiram para o Infinito em escasso
espaço de tempo – o Eduardo Castro e o Jorge de Sá Couto. Eram ambos do norte. Não
os esquecerei. Na cadeira que resta, senta-se o dono do Café, quando o
estabelecimento está vazio. Falamos de tudo e de nada e eu vou olhando o pulsar
da rua. A senhora de idade simpática que passeia o seu cão pela trela. O casal
inglês que conduz o carrinho de bebé. Ela é pequena e bonita. Ele é alto, traz
uma tatuagem numa perna, um brinco numa orelha e os braços vermelhos deste sol
enganador de maio. Um sol que arde sem se ver. E a jovem asiática que, de calções
curtos, mochila às costas e mapa turístico na mão, vai de cabeça erguida
tentando decifrar os mistérios da cidade. Naquela tarde, o Zé Manel está
sentado a meu lado a olhar a rua do meu conforto. Então, como gaivotas, um grupo
de turistas de idade jovem, pousa na pequena esplanada. O Zé Manel levanta-se,
pega na bandeja e vai apontando os pedidos daqueles clientes de ocasião. É um
vai - vem de bandeja, com cervejas, sumos, torradas, bolos e sandes. Comem e
bebem como se não houvesse amanhã e eu vou olhando o semblante do meu amigo,
que ferve em pouca água e parece começar a ficar irritado com tanta exigência.
Depois, com os estrangeiros naquele festim de gula, vem sentar-se novamente
junto de mim. Para lhe amenizar o desconforto, vou-lhe lembrando aquela máxima de
que “à medida que vamos comendo, vamos perdendo o apetite”. Uma jocosa verdade
de La Palice, como que fazendo-lhe perceber, que ao bando de gaivotas de papo
cheio, já só lhes resta pagar a conta e partir. Não me enganei. Entre cantigas
e risos, desceram a rua felizes. O Zé Manel, agora já folgado e para surpresa
minha, disse que também me ia contar uma história de La Palice, afiançando – me
ter acontecido. Foi buscar um café para ele, misturou-lhe uma pitada de
adoçante e narrou – me este acontecimento que se perde no Tempo:
- Havia em Lagos, um pescador chamado Manuel. Era pobre e ia para a faina no seu pequeno barco a remos. Um dia, olhando o mar sereno, dobrou a barra e aventurou-se mais do que devia. Então, uma corrente traiçoeira foi levando o pequeno batel para o largo. Bem remou o Manuel em desespero, mas em vão. Horas depois e sem comunicação, estava ao largo de Sagres. A esperança de o barco bater contra as rochas desvaneceu-se, com a corrente a levá-lo ainda mais mar adentro. Cansado, rendeu-se e meditava agora que o mar que tinha sido seu modo de vida, era agora seu prenúncio de morte. Puxado cada vez mais para o lugar de ninguém, viu-se na rota dos grandes navios e a sorte ajudou-o. Um cargueiro avistou-o e rapidamente procederam à recolha do náufrago. Exausto e em hipotermia, foi levado para a enfermaria do navio, onde forneceu todas as informações que lhe pediram. Mais tarde, já com a capitania de Lagos avisada, uma corveta da Marinha Portuguesa resgatou o Manuel e trouxe-o para terra. No cais, tinha muitos amigos da faina à espera dele, de lágrimas nos olhos. E a mulher, que para ele correu de braços abertos e que em pranto lhe disse:
- Manuel … Manuel … foi Deus que te salvou …
E ele, ainda de olheiras fundas e rosto sofrido, abraçou – a
com carinho e respondeu – lhe ao ouvido e em surdina:
- Não mulher … não foi Deus que me salvou … quem me salvou foi
um cargueiro norueguês …
Q.P.
domingo, 2 de dezembro de 2018
POSTALINHO DO CHILE I
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sábado, 1 de dezembro de 2018
ILUMINAÇÕES DE NATAL EM COIMBRA
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Notícias de Coimbra
sexta-feira, 30 de novembro de 2018
PARADA DE PAIS NATAL - CHEGADA A COIMBRA
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EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA DE" MENDIGO BASILYUS"-JUNTA F. S. ANTONIO OLIVAIS
PRIMEIRA PARTE - HOMENAGEM DOS BLOGUES EG e ASSALTO AO CASTEO.
FEIRA MEDIEVAL DE PENELA EM 2010
Don Rafael e o "MENDIGO BASÍLYUS"o actor residente no Bairro Norton de Matos Joaquim Polónio
JUNTA DE FREGUESIA DE SANTÓNIO DOS OLIVAIS
Em exposição Evocativa do " MENDIGO BASÍLYUS" no Salão Nobre da Junta
Igreja de Santo António dos Olivais-
Obra de Artesanato de Moura Távora
AS FOTOS
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quinta-feira, 29 de novembro de 2018
ANIVERSÁRIO
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terça-feira, 27 de novembro de 2018
ENCONTRO COM A ARTE - POESIA...
...PRAZERES POÉTICOS

O AMANHECER DOS SENTIDOS
Toco-te a tez e clara da tendência
Contornando o relevo dos teus seios
Quando se aveludam as cores do auge da manhã morna.
Libertam-se fragâncias dos teus poros
Numa epopeia crua de tílias alvorecidas
Quando inquieta irrompe a tarde plena dos teus lábios.
Nos teus olhos voam aves livres
Que invadem todo o espaço que é nosso
Planando num brilho itenso tão discreto e cintilante.
E no beijo que uma bruma branda afaga
Sinto-te submersa num sabor que gosto
Como das garras firmes que a paixão crava em nosso peito.
Depois só o marulhar das ondas ascendentes
Só o arfar incandescente dos ventos quentes
E o som alvoraçado de todos os sentidos amanhecidos.

O AMANHECER DOS SENTIDOS
Toco-te a tez e clara da tendência
Contornando o relevo dos teus seios
Quando se aveludam as cores do auge da manhã morna.
Libertam-se fragâncias dos teus poros
Numa epopeia crua de tílias alvorecidas
Quando inquieta irrompe a tarde plena dos teus lábios.
Nos teus olhos voam aves livres
Que invadem todo o espaço que é nosso
Planando num brilho itenso tão discreto e cintilante.
E no beijo que uma bruma branda afaga
Sinto-te submersa num sabor que gosto
Como das garras firmes que a paixão crava em nosso peito.
Depois só o marulhar das ondas ascendentes
Só o arfar incandescente dos ventos quentes
E o som alvoraçado de todos os sentidos amanhecidos.
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segunda-feira, 26 de novembro de 2018
ARTISTA DE RUA- MÚSICA...
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