terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

ANIVERSÁRIO

CARLOS COSTA  FREIRE

12-02-1949

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

ESTRELA POLAR ...





Solidariedade não tem cor ...


É difícil a qualquer cidadão mais sonhador, viver nos antípodas da sociedade competitiva de hoje. É estranho conviver com o que hoje de manhã é verdade e logo à tarde é mentira. É complicado também entender numa nova terminologia, em que triunfalismo pode ser sinónimo de humilhação. Ontem, em mais uma jornada do pontapé na bola, uns insulares em tarde desastrada, beberam do fel de um resultado esmagador. Os da casa, acicatados na mira de se aproximarem do rival odiado, fizeram uma exibição de luxo, perante uma fiel plateia sem rosto e inorgânica, usando um palavrão recente noutros contextos. O adversário era fraco. Muito fraco. E mesmo nessa circunstância e com o resultado a avolumar – se e a vitória inequívoca perfeitamente desenhada, continuaram o massacre. Assim, naquela arena de Roma dos tempos modernos e salvo as devidas proporções, o que se viu a determinada altura, foi não a vontade de uma vitória expressiva, mas uma degola de inocentes, ou seja, o total desrespeito por colegas de profissão. Humilhar era a palavra de ordem e, em circunstâncias normais, as instruções de acalmar a fúria, deveria ter vindo de fora para dentro do recinto de jogo. Recrear e não continuar a pontapear quem já estava caído no chão. O cheiro azedo da covardia. Do lado do antagonista, estavam homens que ganham a vida a jogar futebol e alguns com famílias a cargo. Podiam perder por um resultado pesado. Mas não sujeitos a um vexame. Têm pouco que se vangloriar neste aspeto - e apenas neste aspeto - os profissionais da águia. De resto e bem, pugnaram pelos interesses de quem lhes paga. É apenas a falta de respeito por colegas de profissão que eu contesto, num campeonato profissional. Eu admitiria este tipo de incentivo de ganhar por números irreais, se fossem os inimigos que tradicionalmente andam na peleja pelo título. Sim, reforço inimigos. Mas não oferecer um castigo a um clube que, como mostra a classificação, é muito modesto na arte de jogar à bola. Ontem, quem tradicionalmente sempre teve grande dificuldade em saber perder, mostrou inequivocamente que também tem dificuldade em perceber que ganhar não é a arte da soberba e muito menos da acefalia de alguns como um comentador da TV que no seu discurso babado e idiota dizia entusiasmado : “podiam ter dado catorze ou quinze”. Uma verdadeira glória ! E este discurso, extravasa o próprio âmbito desportivo. Revela apenas e só o tenebroso pensamento de uma sociedade que só olha para o seu próprio umbigo, movendo-se pelos seus próprios valores e construídos à medida dos seus subterrâneos interesses, mesmo que para isso seja preciso esmagar os outros. Naturalmente que este discurso é transversal aos outros clubes portugueses da Liga Principal de futebol e capazes de tal façanha. Humilhação, será sempre sinónimo de covardia. Nesta e noutras circunstâncias da vida. Porque a Estrela Polar que vemos em noites de breu, indica o norte ao caminhante. O norte dos afetos. O norte de respeitar os outros. O norte de perceber que todos temos o direito à indignação. Afinal, o norte de perceber que até numa contenda desportiva, há um código deontológico para quem não se consegue defender. Até no boxe, há uma contagem de proteção do lutador caído no ringue. Mas quem não sabe é como quem não vê. 



E é por isso que eu venero António Bentes. No dia em que foi ter com o árbitro e lhe disse que o golo que meteu pela Briosa em Elvas, era inválido e que o adversário tinha razão. Bentes demarcou – se dos simples mortais e andará lá pelas bandas do Olimpo. E eu, terreno que sou e cheio de defeitos, cá vou olhando de longe este circo de gladiadores e desta sociedade perversa com laivos de uma fraternidade mascarada. 
QP

DOIS CAMINHOS ...





Era um homem solitário. Vivia sozinho, num quarto sombrio e acanhado da cidade. Todos os dias subia a calçada a passo, olhos fixos no chão, meditabundo. Por detrás de uma secretária passava os dias, escondido por entre uma pilha de papéis. Apesar do seu modo de ser introvertido, todos os companheiros de trabalho gostavam dele. Aquele sorriso brando, a ligeira vénia com que saudava os colaboradores, granjeavam-lhe simpatia. Engenheiro de profissão, nunca a sua voz se alterou, em acesa discussão com ninguém. Era cordato por natureza. Mas tinha um mistério. Todos os dias – todos os santos dias – depois da hora de encerramento do escritório, fechava-se num compartimento a sete - chaves. Foi assim, durante seis meses. Um dia, confidenciou a um amigo, o que tanto intrigava a todos. Num fim de tarde, convidou o companheiro de trabalho a visitar a sala onde se encerrava até ao cair da noite. E foi ali, que lhe revelou o seu sonho: construir um barco. Em cima de um estirador, repousavam réguas, esquadros, transferidores, compassos, lápis, borrachas e canetas. Além de revistas da especialidade. Debruçado sobre a prancha de madeira, com a ponta do lápis riscando sobre o papel, dava azo à sua imaginação. Depois, regressava ao quarto modesto, onde, pela internet, contactava o mundo. Foi assim que conheceu Regina, brasileira do Estado do Ceará. No início, trocaram apenas palavras de circunstância. Um dia, ela revelou-se-lhe e falou-lhe de amor. Incitava-o a ir ter com ela. Que o receberia de braços abertos e beijos ardentes. E aquele homem introvertido e solitário, via abrirem - se - lhe na vida dois caminhos: ficar na terra onde nasceu, agora que estava a um passo da reforma, ou viajar para os braços da sua amada. Numa noite mal dormida, teve um impulso: partir, levando na bagagem o desejo ambicionado. O esboço acabado do barco confortável que tinha projetado e queria agora mandar construir. E onde, com ela, passaria a viver, galgando as ondas da extensa costa do Brasil. A vertigem de uma gôndola de paixão e uma cabana. Um delírio de amor. A roçar as seis décadas e meia de vida, moveu influências para passar à reforma. Conseguiu. E um dia, com uma mala na mão, cheia de ilusões e de esperanças, partiu. Mas, rapidamente, aquela ode de desejo se desvaneceu. A Regina, era ainda uma adolescente insegura, muito mais nova que ele. Foi mútuo o desencanto. Pouco ou nada conviveram. Durante muitos meses, vagueou por terras de Vera Cruz. Ao telefone, confidenciava ao amigo que se sentia muito só, não conhecendo ninguém, num país que não era o seu. Voltou. Há dias, encontrei-o numa rua da cidade. Sempre o sorriso afável e cordato. Confidenciou-me, que agora vive num Lugar minúsculo, encravado entre montanhas, no interior da Beira Baixa. Numa singela propriedade que tem, convive com as abelhas, o seu outro amor. De máscara e fumigador na mão, vai tratando dos cortiços e das colmeias, com um olhar vago, perdido de desencanto. A pensar, certamente, na utopia que foi aquele barco de um amor infeliz, que um dia naufragou irremediavelmente e para sempre, ao largo de Copacabana.
Q. P.             

domingo, 10 de fevereiro de 2019

sábado, 9 de fevereiro de 2019

ANIVERSÁRIO

VASCO ANTÓNIO CANHÃO ÁGOAS

09-02-1945

Nesta data especial....

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

RECANTOS DE COIMBRA CIDRAL/LÓIOS

   Pavilão do União de Coimbra - inicio da subida do velho Cdral
    O passado ainda presente I
    O passado ainda presente II
    Sem dúvida: CIDRAL
     O que era ladeira. agora escadaria
    O Bairro Norton de Matos visto do Cidral
   Quase igual...mas mais suave...
     Antigo mas com gradeamento
   Com muitas edificações novas
   Ainda como era...
   Resistiu...mas neste estado de ruina
   Outro aspecto que residtiu: em azulejo...
   ....e mais este azulejo num edificio. de serviços
   a caminho da saída...
    ...avistando já o Quartel da GNR à direita
   Saída Para a av.Dias da Silva e à direita Quartel da GNR
   Centro Comercial-Esádio Municipal e Bairro Norton de Matos e Pinhal de Marrocos
   Outra panorâmica da foto anterior, aoanhando Bairro Norton de Matos

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

NA MORTE DE OCTÁVIO DE MATOS ...





(1939 - 2019)

A vida é uma passagem para a outra margem, no dizer da canção. E a morte é a única certeza da vida. Temos contacto com ela todos os dias, nas páginas dos jornais. Olhamos indiferentes ao passamento de pessoas que não conhecemos, como se de um vulgar anúncio se tratasse. Mas indiferentes não somos, quando nos é familiar chegado, ou o finado faz parte do nosso grupo de amigos. Porém, daqueles que não conhecemos pessoalmente, há desaparecimentos que marcam. Para mim, a morte de Octávio de Matos entristeceu-me. Direi mesmo que a senti como se conhecesse o grande homem de teatro. Foram décadas a espalhar humor e talento. Tive o privilégio de o ver atuar duas vezes ao vivo, em Lisboa no antigo Teatro “Monumental” e numa noite ao ar livre, num tépido serão algarvio, em Lagos. Era pequeno de estatura, mas enchia o palco. Nem sequer precisava de falar para pôr uma plateia a rir. Bastava o seu olhar e as suas expressões faciais, para compor um personagem hilariante. Octávio de Matos, nem necessitava de estar acorrentado a uma qualquer ideologia politica, para singrar na sua arte. Porém, há sempre aqueles que, nos meios intelectuais, acham que a comicidade é uma arte menor. Um preconceito muito discutível. Porque sempre foi a rir que se disseram as coisas mais sérias e em momentos conturbados. Foi pela cruzada dos comediantes que pisavam os mais conhecidos palcos nacionais, que se driblava a censura em tempos difíceis. De dar voz a quem não tinha voz.
O desaparecimento de Octávio de Matos, não passou despercebido no panorama das nossas notícias diárias. Gente do Teatro, Membros do Governo e Presidência da República, apressaram-se a enaltecer as suas qualidades de homem bom e solidário. Morreu o artista Octávio de Matos. Morreu o cidadão Octávio de Matos. Morreu afinal como não merecia – sozinho, sem aplausos e sem medalhas.  

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

NOS BASTIDORES DA GUERRA ...



Tavira  - Homenagem ao soldado ...

Maldito comboio. Maldito comboio de forçados, como em tempos passados. Maldita gente que nos fez caminhar a passo e em filas de dois pelo ventre de Lisboa, em direção ao Barreiro em rota para o Algarve. O povo de Lisboa, estático nos passeios, olhava-nos em silêncio, contristado. E nós ali, em passo lento, a beber daquela humilhação. Depois o comboio. O tal comboio. Apinhados como gado e mochilas pelo chão. E um Inácio qualquer, capitão de carreira, o chefe da manada, a passear pelos corredores da composição na vigia daquele mar de fardas verdes. Tinha pouco que vigiar. O cansaço físico e psíquico a apoderar-se de nós, fazia com que muitos soçobrassem ao sono. Cabeças pendentes no ombro dos camaradas de armas e as bocas disformes e babadas em cenário grotesco. A noite a apoderar-se do Alentejo e, naquelas retas sem fim, a composição gemia sobre o carril, como num choro de finados. Num solavanco, o comboio parou. São três horas de uma madrugada sem rosto, e exaustos entrámos naquele quartel velho de camaratas amplas e frias. Das camas em ferro ordenadas em duas filas em enorme corredor, nem um cobertor de agasalho. Apenas enxergas queimadas por fósforos nas pontas, na cata de piolhos. O resultado foi dormirmos vestidos e transpirados, E eu, nem as rudes botas descalcei dos pés, por causa do frio. Mas nada era feito ao acaso. Nada era inocente. Era preciso refundir a alma mesmo dos mais brandos. Incutir-lhes um espirito belicista e de desconforto e de revolta antes de partirem para África. Depois, as correrias loucas pela Atalaia , a espingarda às costas que parecia pesar toneladas. E a semana de campo, como acepipe de um cenário de guerra. Acampados lá para os lados de Barranco do Velho, em noites de breu. Numa noite, numa noite de breu, fiquei debaixo de uma figueira, abandonado, apenas com um rádio de campanha. Cumpria um turno e vigiava o inimigo que não existia. De repente, caiu uma enorme bátega de água e uma trovoada que iluminava os céus. Ali fiquei, tenso e molhado até aos ossos, sempre na expectativa de que um raio me atingisse naquele ermo. Quando amanheceu, apareceram para me vir buscar. O miliciano prometido para me render, não apareceu. Era apenas um embuste. E ele, um tal major, largo de galões mas estreito de caráter, a pressionar-me mais uma vez, para que eu lhe pagasse um blusão de cabedal que lhe tinha sido furtado. Eu seria então responsável por tudo, na vilania do seu pensamento, por estar de serviço ao acampamento num dia pretérito. Mas o casaco apareceu, por esquecimento dele numa tenda, e veio dirigir-se a mim. Vinha no passo gingão que era seu timbre, num discurso formal e formatado na lógica militar. Não teve a hombridade de tirar os galões e, de homem para homem, reconhecer o erro. Por isso não lhe aceitei as desculpas e remeti -me a um silêncio reprovador e rosto fechado. Enfrentei-o mesmo do alto dos seus galões. Olhou-me nos meus olhos frios e zangado partiu. Daquele inferno, valeu a noite em que sete de nós nos perdemos numa missão noturna, de mapa da região e uma pilha na mão. Uma porta aberta, um pequeno clarão na noite e o conforto de uma taberna. E ela, a velhota de avental, condoída com aquele nosso destino, a oferecer-nos vinho tinto e pão com chouriço. Ela, que vou batizar de Almerinda porque não lhe conheci o nome, não tinha galões de major. Mas trazia nos ombros curvados, a pompa de um general de muitas estrelas. De general da fraternidade e da solidariedade. Quanto ao tal militar, lembro - me bem do seu nome e da ofensa. Omito – lhe agora, deliberadamente, o respeito da patente, mas ficou-me uma reflexão para a vida - nunca o luzidio brilho de uns galões, são passaporte que baste para a grandeza de um caráter.
Q.P.              


sábado, 2 de fevereiro de 2019

RECANTOS DE COIMBRA - PRAÇA HERÒIS DO ULTRAMAR






  Piscinas Municipais
    Pavilhão Multiuos Dr Mário Mexia
    Cúpula do Centro Comercial
    Centro Comercial Alma