sábado, 18 de maio de 2019
FESTA DA FLOR E DAS PLANTAS EM COIMBRA
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Noticias de Coimbra
A CRISE E OS AGIOTAS
Na Rua Augusta, como num labirinto, ia contornando aquela multidão de pedintes ou vendedores de inutilidades, que se me dirigia de mão estendida. Uma mulher, mais afoita, espetou-me na lapela uma medalha com uma fitinha verde e vermelha, pedindo-me esmola para a Nossa Senhora. Devolvi-lhe a medalha e recusei a esmola, deixando-a para trás, a resmungar entre dentes qualquer coisa ininteligível.
Mais à frente, defronte duma luxuosa montra, um homem de meia idade tocava num violino uma melodia suave, algo deprimente. A dignidade da sua imagem destoava dos mendigos que enxameavam a rua. Fixei o olhar naquele rosto que não me era estranho e aproximei-me para depositar uma moeda na caixa de cartão que jazia a seus pés.
Subitamente, o homem parou de tocar e virou a cara. O seu semblante denotava uma indisfarçável vergonha. Constrangido, num lampejo, lembrei-me dele. Era o Sr. João, solteiro e sem filhos, que tantas vezes vi actuar integrado na orquestra que executava as partituras dos espectáculos de ballet do São Luis, em que a minha filha entrou nos seus últimos anos do Conservatório.
Com a crise, perdera o emprego que tinha exercido a recibo verde, e na aflição de tentar pagar as dívidas dos seus créditos ao consumo, recorreu a um agiota de um 3º andar da Rua dos Fanqueiros que lhe cobrou juros altíssimos pelos capitais emprestados.
Esclareci-o que a usura é crime definido no Código Penal. Que os juros não podem ultrapassar o limite legal. Que fica sujeito a pena de prisão todo aquele que cobrar juros desproporcionados, provocando conscientemente a ruína da vítima. E que, por isso, devia apresentar queixa do agiota.
Disse-me que já o fizera, mas que o processo corria lenta e placidamente no meio de milhares de outros.
Entretanto, tinha que ir sobrevivendo.
É nos tempos de crise que os homens e os Países mostram a sua face mais cruel, devorando, como abutres, a carne putrefacta dos moribundos...
Rui Felício
Publicado em 30-11-2010
Publicado em 30-11-2010
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Rui Felício
sexta-feira, 17 de maio de 2019
ANIVERSÁRIO
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Aniversários
quinta-feira, 16 de maio de 2019
BAIRRO NORTON DE MATOS- JARDINS FLORIDOS...
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Jardins floridos do Bairro
terça-feira, 14 de maio de 2019
UM CONTO MUITO RELIGIOSO
Ámen ...
Era uma vez dois padres. Dois padres muito amigos. Tão amigos tão amigos tão amigos, que o que um dizia o outro apadrinhava. Havia como que um conluio entre os dois em matéria de religiosidade. Numa bela noite de verão, um dos padres foi dar uma missa lá para o norte da nação. Uma missa muito participada e cheia de fiéis. E quando a Eucaristia estava a correr bem, apareceu o diabo. O diabo, por sinal, nem era encarnado como rezam as crónicas. E a missa esteve para descambar, para gozo de uns e irritação de outros. O outro padre, que estava a ver a Celebração pela televisão, disfarçou e fez que não viu o diabo. E assim, a missa que parecia acabar em apoteose terminou de forma pouco católica. Apesar de tudo, mais de metade dos crentes gostou da missa e até já prometeram uma romagem à capital, uma espécie de prolongamento da mega reunião da grande manifestação de Fé de Fátima. Consta que a festa vai ser rija. E para ser completa, até vem uma delegação das Festas do Senhor Santo Cristo dos Açores. Não há nada como uma boa missa em família.
Ámen.
QP
CURIOSIDADES- BANDA MILITAR FRANCESA TOCA MÚSICA PORTUGUESA....
...de Quim Barreiros, para Trump e Macron!!!
Sugerida pelo Jorge de Almeida
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Encontro com a arte
segunda-feira, 13 de maio de 2019
COIMBRA D´OUTROS TEMPOS - PARTE VI
FOTO 1 CASA DO SAL
FOTO 3 -LARGO DA PORTAGEM
FOTO 4- VISTA DA CIDADE DO CHOUPALINHO-PRAIA FLUVIAL?
FOTO 5- PALÁCIO DOS MELOS
FOTO 6- PORTAGEM-AUTOMOTORA DA LOUSÃ
FOTO 7 - PREÇA DO COMÉRCIO- IGREJA DE SÃO BARTOLOMEU
FOTO 8 - PRAÇA DO COMÉRCIO
FOTO 9 - RUA DA SOFIA
FOTO 10 - TRICANAS E VENDEDEIRAS
FOTO 11 - ELÉCTRICO DA CARREIRA 3 S. ANTONIO OLIVAIS-LAVADEIRAS DO MONDEGO
FOTO 12 - LAVADEIRAS NO MONDEGO
FOTO 13 - ELÉCTRICOS PRAÇA 8 de MAIO
FOTO 14 - MONDEGO-ESTUDANTE E TRICANAS
FOTO 15 - CALHABÉ- ESTÁDIO E LICEU DONA MARIA
FOTO 16 - RIO MONDEGO- PONTE AÇUDE
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Coimbra antiga
domingo, 12 de maio de 2019
ANIVERSÁRIO
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Aniversários
sexta-feira, 10 de maio de 2019
APONTAMENTOS DE VIAGEM ...
A estação dos comboios é singela. Lá dentro, lá dentro da
estação, há um balcão envidraçado. E, atrás do balcão, um homem de cabelo
grisalho e camisa azul, que se cinge ao seu porte atarracado, olha o viajante
suspeito. O viajante sou eu. Mira-me na desconfiança se irei ficar ou partir,
mas a pequena mala que levo na mão denuncia-me. Distraidamente, vou olhando
para a banca dos jornais. Leio os cabeçalhos, na esperança de encontrar um
motivo de interesse que me preencha as cerca de três horas de viagem. Da
senhora que vende todo o tipo de verdades, mentiras e utopias, apenas vejo a
cabeça que emerge por entre uma montanha de revistas de capas apelativas e
cautelas de lotaria presas por uma mola, a tentar vender a sorte ou a ilusão.
Sentada numa cadeira de madeira, a idosa ignora-me. Sabe, pela experiência de
muitos anos, que a sua pequena banca é apenas uma montra para aqueles que, de bagagem
na mão cruzando destinos, lançam um olhar vagabundo pelas letras gordas dos matutinos,
de cabeça pendente sobre o ombro para não perderem pitada da glória dos ases da
bola ou de um qualquer artista em dificuldades que vendeu retalhos da sua vida
a um manipulador de palavras cinzentas e de sonhos desfeitos. Ela, a senhora
que vende jornais, continua sentada. Vai fazendo a sua malha, com duas agulhas
que esgrime com destreza, enquanto vai puxando o fio de lã amarelo que tem
preso por um alfinete vistoso à gola da blusa florida que veste com aroma a primavera.
Não a desiludo. Compro um jornal, enquanto vou dando uma vista de olhos pela lotaria.
Aposto na terminação cinco por cinco euros. É o preço da minha ilusão. Depois
dirijo-me ao postigo da venda de bilhetes. Um vidro separa-me do funcionário
que, com uma voz que parece vinda do além, me pergunta o destino. Peço uma passagem
para a capital, que me é servida numa placa giratória em alumínio. Dinheiro
para lá, bilhete para cá, para precaver qualquer eventual assalto. Uma
sociedade barricada nos seus próprios medos e angústias como antigamente,
quando se ostracizava os doentes com lepra. Lá fora, o cais de embarque está vazio.
Apenas vejo uma mulher pequenina, vestida de negro, sentada num banco de ripas.
Veste por fora o que a forra por dentro – o luto da alma. Vagueio pela plataforma,
aguardando o comboio. Fixo as linhas paralelas e um emaranhado de carris que se
cruzam sem se perceber o destino. Olho para norte e a linha parece diluir-se no
infinito. Olho para sul e a linha é engolida já ali, no meio do casario da
cidade. Apenas o enorme depósito da água, pintado de branco, parece ser a
sentinela fiel dos dias que correm ao sabor de um Tempo que amarra o viajante
ao ferrete dos ponteiros do relógio cruel, que lhe conta impiedosamente as
horas, os minutos e os segundos do palco efémero da Vida. Na bruma da manhã acolhedora,
olho o dorso do comboio que se avoluma à medida que se aproxima da estação. Vem
sinistro, no seu rodado metálico, apitando na procura de qualquer transeunte
distraído. O altifalante da gare vai anunciando a sua chegada na sua voz
roufenha. Depois a composição imobiliza-se e, em curto espaço de tempo, o silvo
agudo da partida. Sento-me só, num compartimento confortável mas sombrio.
Castelo Branco ficou agora para trás e já só vislumbro a plácida melancolia dos
olivais. Lá mais à frente, irei encontrar as Portas do Rodão e até o Castelo de
Almourol me saudará, sitiado pelas águas mansas do Tejo. Lá longe, na capital,
acordarei da minha letargia, com o estrondo da grande cidade. Da gente que se
cruza comigo de semblante fechado, gladiadores de um tempo que lhes foge na
arena diária do nascer e do renascer. Mas voltarei. O comboio que me levou ao
encontro da urbe dos mil encantos e desencantos, rumará de novo à Beira -
Baixa. E ali, ao anoitecer, o relógio da Estação de Castelo Branco, com os seus
ponteiros negros, lá estará à minha espera, indiferente à minha saga de romeiro do Tempo. Porque ele – o Relógio – apenas tem o compromisso de contabilizar os
dias perpétuos. Mas olho - o com simpatia. Porque é ele que orienta os meus
passos perdidos, neste meu tímido caminhar pelos labirintos da vida.
Q.P.
quinta-feira, 9 de maio de 2019
ENCONTRO COM A ARTE - FOTOGRAFIA
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Encontro com a Arte- Fotografia
quarta-feira, 8 de maio de 2019
AVENIDA SÁ DA BANDEIRA - ELEVADOR DO MERCADO - ESTÁTUA A CAMÕES
Em primeiro plano a desactivada Manutenção Militar
Em 2º plano a renovada Escola Primária de Santa Cruz
Elevador há...mas fora de serviço....
ESTÁTUA A CAMÕES

Primeira colocação da estátua(oblisco ou conjunto
arquitectónico) em 1881, instalado na Alta de Coimbra, junto Porta Férrea Universidade, numa iniciativa de estudantes universitários.
Mais tarde ainda foi colocado junto ao Jardim Botânico perto do CADC
Actualmente ao fundo da Avenida Sá da Bandeira desde 2005
terça-feira, 7 de maio de 2019
MAIO FLORIDO NO BAIRRO NORTON DE MATOS
segunda-feira, 6 de maio de 2019
QUEIMA DAS FITAS
A propósito
Se soubesse no que a coisa ia dar, não teria vindo.
Há um pequeno livro de Fernando Assis Pacheco que retrata a vida de um emigrante galego na Cidade de Coimbra, na segunda década do século passado.
Chama-se, a obra, Trabalho e Paixões de Benito Prada e acedi-lhe através de um volume da coleção Livros RTP, na edição nova.
O livro encerra em si todas as carateristcas da literatura picaresca, aquela literatura em que o herói assume a sua condição humana plena e as peripécias da história são exatamente os eventos menos prestigiantes, aqueles que nos fazem realmente humanos e não semideuses. Sendo Benito Prada imigrante e galego numa cidade de ilustração, permite ao autor focalizar internamente, pelos olhos do estrangeiro, aquilo que de mais estranho a nossa cidade apresenta: uma divisão inconcebível, aos olhos de uma república democrática, em pleno século XXI, entre os futricas e os estudantes.
É evidente que a cisão entre os dois mundos foi mudando de cor, mas continua a existir. A divisão sociológica e geográfica que prevaleceu até meados do século XIX não desapareceu de todo. Até então, aos estudantes estava reservada a cidade dos estudos dentro do espaço das couraças e cuja porta de Almedina era cerrada no cair do sol. Se um aluno fosse apanhado fora do seu domínio pela guarda real, era imediatamente preso e entregue à guarda académica, que o colocava umas horas ou uns dias na prisão, nos calabouços da biblioteca Joanina. Mas no convívio diurno, o estudante era rei e senhor de uma cidade que existia para o servir e quase tudo lhe era permitido, perdoando-se-lhe a boémia e o excesso.
E hoje, como se vive essa coexistência? Se é verdade que o mundo estudantil e o futrica convivem no mesmo espaço urbano, será que sociologicamente essa convivência é pacífica?. Perguntem isso mesmo aos residentes da alta, especialmente aos vizinhos da Sé Velha, perguntem às vendedeiras do mercado quando lhes assaltam a banca para roubar o nabo, perguntem ao dono da tasca no dia do cortejo da latada ou da queima, que prefere fechar para não ter de ver os estudantes a sair pela porta sem pagar o consumo.
Isto tudo a propósito de um comentário breve ouvido a um pai de família num dos cortejos académicos. Esse pai, que tinha vindo ver o desfile onde o seu rebento desfilaria em cima do carro - um fitado portanro- ao ver o estado em que o filho se encontrva, embebedando-se exaltadamente, apenas pôde dizer:"se soubesse que a festa era esta futrica, tinha pensado duas vezes antes de vir".
Por Antonino Silva,
Se soubesse no que a coisa ia dar, não teria vindo.
Há um pequeno livro de Fernando Assis Pacheco que retrata a vida de um emigrante galego na Cidade de Coimbra, na segunda década do século passado.
Chama-se, a obra, Trabalho e Paixões de Benito Prada e acedi-lhe através de um volume da coleção Livros RTP, na edição nova.
O livro encerra em si todas as carateristcas da literatura picaresca, aquela literatura em que o herói assume a sua condição humana plena e as peripécias da história são exatamente os eventos menos prestigiantes, aqueles que nos fazem realmente humanos e não semideuses. Sendo Benito Prada imigrante e galego numa cidade de ilustração, permite ao autor focalizar internamente, pelos olhos do estrangeiro, aquilo que de mais estranho a nossa cidade apresenta: uma divisão inconcebível, aos olhos de uma república democrática, em pleno século XXI, entre os futricas e os estudantes.
É evidente que a cisão entre os dois mundos foi mudando de cor, mas continua a existir. A divisão sociológica e geográfica que prevaleceu até meados do século XIX não desapareceu de todo. Até então, aos estudantes estava reservada a cidade dos estudos dentro do espaço das couraças e cuja porta de Almedina era cerrada no cair do sol. Se um aluno fosse apanhado fora do seu domínio pela guarda real, era imediatamente preso e entregue à guarda académica, que o colocava umas horas ou uns dias na prisão, nos calabouços da biblioteca Joanina. Mas no convívio diurno, o estudante era rei e senhor de uma cidade que existia para o servir e quase tudo lhe era permitido, perdoando-se-lhe a boémia e o excesso.
E hoje, como se vive essa coexistência? Se é verdade que o mundo estudantil e o futrica convivem no mesmo espaço urbano, será que sociologicamente essa convivência é pacífica?. Perguntem isso mesmo aos residentes da alta, especialmente aos vizinhos da Sé Velha, perguntem às vendedeiras do mercado quando lhes assaltam a banca para roubar o nabo, perguntem ao dono da tasca no dia do cortejo da latada ou da queima, que prefere fechar para não ter de ver os estudantes a sair pela porta sem pagar o consumo.
Isto tudo a propósito de um comentário breve ouvido a um pai de família num dos cortejos académicos. Esse pai, que tinha vindo ver o desfile onde o seu rebento desfilaria em cima do carro - um fitado portanro- ao ver o estado em que o filho se encontrva, embebedando-se exaltadamente, apenas pôde dizer:"se soubesse que a festa era esta futrica, tinha pensado duas vezes antes de vir".
Por Antonino Silva,
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Antonino Silva
sábado, 4 de maio de 2019
O ÁGUIAS DE OURO
Foi numa tarde de Abril que cheguei a uma cidade que não conhecia. Tinha uma estação de caminhos de ferro e uns carris que desapareciam
nas planícies de ninguém. O comboio era modesto e desconfortável, com apenas
duas carruagens que balançavam ao sabor de uma paisagem de solidão. Recordo, que
ao chegar ao meu destino, a composição parou em grande chiadeira. Comigo
desembarcaram apenas um outro militar e um padre e, da outra carruagem, mais
três passageiros que, apressados e cansados da viagem, arrastavam as suas malas.
Dentro da estação e do lado esquerdo, estava um homem anafado e de camisa azul
que, do lado de lá da vidraça, vendia bilhetes aos passageiros que não havia. A
seu lado, um pequeno rádio portátil que trazia notícias de outros mundos e
assim se diluía o tempo no marasmo dos dias. Passado aquele breve momento de
agitação, a gare ficava de novo refém do silêncio da planície. Depois, na
conquista da cidade, o empedrado dos passeios levava - nos a uma praça ampla,
que no verão era batida por um sol impiedoso. E uma feira semanal, onde os
tendeiros vendiam a sua mercadoria regional aos poucos turistas que apareciam.
Realmente, naquela época recuada, Estremoz era terra de militares. De cidadãos
fardados de verde, a receber instrução para partirem para as três frentes de
guerra. A hospitalidade das gentes esbatia - se na sombra da tragédia de uma
pequena cidade simpática, a quem foi imposto o anátema de bastidores da guerra.
Na verdade e no meu caso, Estremoz foi apenas o prefácio de um livro de muitas privações, sofrimentos e dramas, que duraram mais de dois anos em África. Ali, naquela
praça apelidada de Rossio, existia e existe um Café de nome apelativo - Águias
de Ouro. Era próximo do Regimento de Cavalaria e lugar de encontro de oficiais
e sargentos milicianos. Recordo o estabelecimento escuro e amplo, com
mobiliário pesado e sombrio. As mesas eram de tampo castanho e as cadeiras
desconfortáveis, como se aquele local de lazer e convívio fosse uma espécie de
extensão do quartel. Mas era ali que tentávamos aliviar as nossas penas, sempre
que as folgas permitiam sair dos muros do velho Convento datado do século XIII
e adaptado a fins militares. Mas nem sempre o “Águias de Ouro” era a nossa
carta de alforria. Por vezes, aparecia por lá um Coronel de Cavalaria que, do
alto dos seus galões, fazia alarde da sua autoridade para deslumbrar meia dúzia
de clientes que ocupavam as mesas na troca do preço de um café pelo fresco da
ventoinha gigante que girava no teto a agitar as tardes de calor. Ele, o tal
Coronel, comandante do meu e nosso batalhão quase de partida para África, era
pouco ou nada estimado pelos seus inferiores. Havia um fosso inultrapassável
entre ele e os seus comandados. Vaidoso, exibia as suas fitas vermelhas
e amarelas a pender da boina como símbolo da Arma de Cavalaria. As botas altas
de equitação e um pequeno bastão compunham o personagem, que não tinha pejo em
interpelar um qualquer militar sobre o aprumo do fardamento ou até de um corte
de cabelo menos cuidado. Desconhecia aquele oficial superior, que um líder se
impõe sem se impor. Flui dele uma
natural liderança, que não se conquista
a golpes de autoritarismo. Ficou para
sempre na nossa retina a positividade do capitão da companhia que passou à
reserva como general e que, passadas tantas décadas, com ele continuamos a
conviver. Um homem que nos chefiou e foi respeitado até hoje pelas suas
qualidades como nosso comandante em tempo de guerra e pelas suas qualidades
humanas intrínsecas. Mas é naquele baluarte de café e restauração, que ainda
repousam algumas das minhas memórias alentejanas. Hoje, sei que o “Águias de
Ouro” lá continua na Praça do Rossio. Não sei se já mudou de mobiliário. Nem
tão pouco sei se a ventoinha avantajada do teto do Café ainda gira ou se o ar
condicionado matou aquela relíquia do passado. O que sei é que aquele bastião
de memórias pardas resistiu ao tempo, e que a cidade readquiriu o seu carisma e
a tipicidade de um Alentejo que encanta pelo perfume e pela melancolia das suas
planícies e dos seus sobreirais, que o odor fétido da guerra não matou.
QP
sexta-feira, 3 de maio de 2019
INTERRLÚDIO MUSICAL-SEPARADOR-BRIGADA VITOR JARA
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Interludio Musical
ANIVERSÁRIO
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Aniversários
quarta-feira, 1 de maio de 2019
ENCONTRO COM A ARTE - PINTURA-Guia
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Encontro com a Arte - pintura
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