quinta-feira, 19 de maio de 2022

COIMBRA ESCADAS DE MINERVA - TEXTO DE RUI FELÍCIO


 ESCADAS DE MINERVA

Ao lado da Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, com vários lanços de degraus, estavam, e lá continuam;  as escadas de Minerva.

Utilizávamo-las para mais rapidamente atingirmos a calçada, em baixo, onde a porta sempre aberta da tasca do Pratas a que chamávamos o Bar dos Direitos, nos convidava a aceder ao seu interior para, nos intervalos das aulas, bebermos um copo ou comermos uma sandes.

Uma estátua de Minerva, deusa da sabedoria, datada do inicio do séc.XVIII e que dava o nome às escadas, encimava o portão da escadaria. 

Mas não era a única. 

Numa das salas de aulas dos Gerais, ao lado da torre, mesmo por cima da cátedra onde o Professor proferia as lições, estava uma outra estátua de Minerva, também em pedra, encastrada num nicho da parede, que tinha na sua mão esquerda um ceptro com uma esfera armilar.

Por causa disso, segundo o que consta do livro "In Illo Tempore", de Trindade Coelho, alguém escreveu a seguinte quadra que passou de geração em geração e que ainda era conhecida no tempo em que por ali andei:

Minerva, faz-nos a esmola,

Se o pai dos Deuses consente:

Deixa cair essa bola

Sobre a cabeça do Lente!

Rui Felicio

domingo, 15 de maio de 2022

ENCONTRO COM A ARTE - POESIA


 CASULO


Refugio-me nos silêncios que bordo em versos tristes,

Numa simplicidade que me veste de palavras soltas,

E vibro um cansaço sem medida que insiste e persiste,

Derrotando as memórias felizes que são tão poucas!


Embriago-me no vinho dos céus abertos sem estrelas,

Suavizando as saudades que ainda não ousei matar,

E cercada de muros que são dores sem portas nem janelas,

Sou pássaro a quem a vida roubou a vontade de voar!


Que bom que era que houvesse milagres por encomenda,

Aquela magia que traz todo o universo sem demora,

E qual cinderela que trajando dor se veste de prenda,

Visse as noites internas dissipadas em divinal aurora!


Nina Oliveira


sábado, 14 de maio de 2022

ENCONTRO COM A ARTE- POESIA

ETERNOS SEGREDOS

Foi tarde, 

Muito tarde

Que me encontrei

No teu caminho!

Tão longe,

Tanto longe, 

Me quedei 

No teu destino!

Osa poemas que sonhei,

As palavras que escrevi

Guardo-os só para ti,

No silêncio da minha alma.

Nunca os lerás,

Certamente;

Tão pouco saberás

Da sua existência.

Existas, tu, todavia,

Na terna essência

Da minha poesia.

Foi tarde, muito tarde!

Tão longe, tanto longe,

Te vislumbrei no meu destino!


Por Renato Ávila


 

quinta-feira, 12 de maio de 2022

ANIVERSÁRIO - ISABEL MARIA GASPAR -LÓ

ISABEL MARIA GASPAR

                 LÓ

12-05-1949

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!
 

sábado, 7 de maio de 2022

ANIVERSÁRIO -ERMELINDA RAMOS ANTUNES

ERMELINDA RAMOS ANTUNES

             LHA

07-05-1941

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!
 

ENCONTRO COM A ARTE - FOTOGRAFIA COIMBRA-Ponte Pedro Inês

Na perspectiva de Henriqueta Garcia Brás

 

quinta-feira, 5 de maio de 2022

HOJE ANDA À RODA

 HOJE ANDA À RODA

Nove horas da manhã de quinta-feira, do dia 28 de Dezembro de 1972... 

O sol brilhava mas a aragem cortante penetrava pelos agasalhos e enregelava os ossos. 

Olha a  grande! Quem quer a grande?

Há horas de sorte!

Com as cautelas presas por uma mola à banda do casaco de xadrez velho e desbotado, na cabeça um boné de napa, com pala rija preta e luzidia, encimado por uma placa oval de metal dourado com o número da licença de vendedor de lotaria nacional, e uma coçada mala de cabedal ao tiracolo, o Nicolau palmilhava o “canal”, incansável, para cá e para lá, desde o Largo da Portagem, a Ferreira Borges, a Visconde da Luz, até à Praça 8 de Maio, bradando e apregoando a sorte para os outros

. Não se lhe conhecia família.

 Morava sozinho num quarto alugado na Rua das Padeiras. Havia mais de vinte anos que era cauteleiro, sem nunca ter exercido outra profissão. Chegou a tirar a carta de condução no Zé Pais, ao Calhabé, mas nunca arranjou dinheiro para um carro.

Ao meio-dia daquela quinta-feira ia andar à roda e ele só tinha até às onze horas para entregar à Santa Casa o jogo que não conseguisse vender, onde lhe restituiriam o dinheiro das cautelas devolvidas. Como sempre fazia todas as semanas com o jogo sobrante...

O dia não lhe estava a correr mal. Às onze menos um quarto já só lhe restava meio bilhete para vender. Em frente ao Café d’ A Brasileira, viu aproximar-se um senhor muito bem posto.

Repetiu a cantilena, em voz tronitroante, abanando o meio bilhete à frente dos olhos daquele passante. Via-se que era gente fina, que era endinheirado.

Mas este, indiferente, de olhar vazio e distante, nem pareceu dar pela sua presença.

Mesmo assim, o Nicolau seguiu ao lado dele até ao Café Montanha, insistindo para que lhe ficasse com o meio bilhete.

Era o 33321, o que noves fora dava 3. E três era a conta que Deus fez, asseverava-lhe o Nicolau.

 Mas o tal senhor, insensível a este e outros argumentos, nem para ele olhou, nem um gesto lhe fez. Tão pouco se dignou, ao menos, dizer-lhe que não com um simples aceno.

Quem cala consente, conjecturava o cauteleiro. O gajo está mortinho para me comprar o jogo. Está a fazer-se caro mas, não tarda nada, vai-me ficar com o meio bilhete, dizia para os seus botões. 

Porém, ao vê-lo descer as escadinhas ao lado do Aeminium, resoluto, em direcção à Praça Velha, desistiu. Convenceu-se, finalmente, que o homem não lhe compraria nada.

Olhou para o relógio. Gaita! Já eram onze e cinco! Ainda correu à Santa Casa mas já não lhe puderam aceitar a devolução do meio bilhete.

Ficou com ele, que remédio! Lá se tinha ido o lucro de uma semana de trabalho!

Mas o Nicolau tinha razão. Três, sempre era a conta que Deus fez. A taluda, nesse dia saiu ao número 33321! 

Nem queria acreditar que tinha ficado rico! Pulava de contente, contava aos clientes habituais que a sorte, depois de anos e anos de vida humilde e sofredora, lhe tinha batido à porta. Deus era justo, afinal! Agora já não passaria mais dificuldades, proclamava ele com um brilho de felicidade nos olhos encovados.

 A notícia espalhou-se por toda a cidade com a velocidade do rastilho que faz detonar a dinamite.

No dia seguinte, o mesmo senhor muito bem posto, a quem não conseguira vender o jogo na véspera, abordou-o na esplanada do Café Montanha, onde o Nicolau, de perna cruzada, estava refastelado a beber o café matinal, depois de ter ido à Santa Casa para saber quando receberia o prémio e de ter depositado o meio bilhete no Banco, como o tinham aconselhado, prevenindo a sua perda ou furto.

O dito senhor muito bem posto, com um largo sorriso afectuoso e inesperada prosápia, pediu-lhe licença para se sentar, deu-lhe uma palmada nas costas, felicitando-o, e sugeriu-lhe que investisse a fortuna que tinha ganho. Porque barco parado não faz viagem...

Estendeu-lhe a mão e apresentou-se:

- Chamo-me Sebastião Cardoso Viegas. Sou dono da Empresa de Construções Secavi, S.A.R.L.

Conversaram longamente à mesa do café. Quinze dias depois, o Nicolau exibia aos amigos, inchado de vaidade, a escritura que tinha acabado de assinar no cartório notarial da Rua da Sofia. Distribuía cartões de visita com o seu nome e a tarja a dizer “Administrador”. Revelava que agora era o dono e único accionista de uma grande empresa de construção civil. Daquela que o Sr. Viegas lhe vendeu, por se sentir velho e com uma doença incurável, segundo lhe tinha confidenciado muito em segredo. A Secavi, S.A.R.L. tinha uma dúzia de grandes camiões novos, diversa maquinaria pesada, quatro gruas e vários terrenos para construção, espalhados pelos arredores de Coimbra. 

O Nicolau não se cansava de mostrar, orgulhoso, toda essa riqueza aos seus amigos, levando-os a visitar, a bordo do seu Mercedes novo, verde escuro, cheio de cromados, o estaleiro do lado de Santa Clara e alguns terrenos na Portela, no Tovim, na Adémia e na Pedrulha.

Um ano e meio passado, em plena canícula, já depois de lhe terem sido arrestados os bens da firma, executadas as hipotecas, accionados os avales e penhoradas todas as contas da empresa e mesmo as particulares, para pagar impostos em atraso, contribuições em divida à Previdência, mútuos bancários, juros vencidos e avultadas dívidas a fornecedores, o Nicolau, que até aí nem sabia o que significavam muitos daqueles esquisitos palavrões, voltou à Baixa, com o mesmo casaco de xadrez e o mesmo boné, traje que usava sempre, fosse verão ou fosse inverno.

A voz estridente do seu pregão voltava a ecoar pelas paredes dos prédios do “canal”:

Olha a grande! Quem quer a grande?

Há horas de sorte!

Rui Felicio

NB: o Nicolau ganhou uma alcunha que lhe ficou para o resto da vida.

Chamavam-lhe o Dois Mil.

Que foi o prémio ( dois mil contos) que lhe calhou no meio bilhete...


Por Rui Felício

quarta-feira, 4 de maio de 2022

ANIVERSÁRIO ANA MARIA FREIRE

ANA MARIA FREIRE

04-05-1951

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!