quinta-feira, 15 de novembro de 2018

A FRONTEIRA ...




 finito e infinito ...

Não tenho o culto dos mortos. Não corro nem nunca corri para aqueles espaços tétricos que são o ancoradouro da vida. Mas eis-me aqui, neste estranho paradoxo de, numa terra distante, ultrapassar o portão de ferro que me abre as goelas para a única certeza da vida. Ali, naquele pequeno morro, percorro campas e olho fotografias entre flores vivas e coloridas. Também por entre pedras tumulares de mármore de grande aparato, ou simples montes de areia, como se os que povoam este mundo terreno, queiram ainda fazer a patética distinção entre os herdados e os deserdados da vida. Deambulo errante por entre carreiros estreitos e vejo caras que me são familiares. Paro junto à última morada de um homem simples com um nome também tão singelo quanto foi a sua vida – apenas Francisco António. Ali fiquei, a olhar a sua fotografia por entre os cravos de uma jarra, porque hoje é dia de finados. E recordei a sua oficina de bater sola e do calçado dos fregueses pendurados em cavilhas espetadas na parede. E das vezes em que, por amizade, me engraxava os sapatos e me contava inocentes anedotas. Deixei quem tinha de deixar na intimidade de uma prece e saio daquele local. Lá fora, no cocuruto daquele pequeno monte, tenho uma vista privilegiada sobre a aldeia. Num dia morno, o Tempo parece que se escoou pelo fundo de um funil. Uma a uma, contei as onze badaladas do relógio que habita o alto da torre da Junta de Freguesia, que domina todo o povoado. Partir por ruas estreitas ladeadas de oliveiras, com num qualquer conto Bíblico. Depois, despir o luto institucional, como se o vazio da ausência tivesse data marcada. Sacudir aquela penumbra da alma na mesa de um restaurante da cidade albicastrense. Com os empregados que me conhecem há muitos anos, os sorrisos, as picardias do pontapé na bola ou a escolha do prato a degustar. E ele, o dono, lá apareceu de boné desportivo na cabeça, a falar-me de um tinto italiano de eleição a um preço exorbitante. Tremi de susto, mas o italiano de Verona logo me pôs à vontade. E prometeu-me que, na sua companhia, provarei aquele néctar dos deuses. E eu, neste dia de velório a roçar a espiritualidade, vou acreditar que beberei daquele vinho tão especial. Até lá, limitei-me a saborear um fino vinho branco que me fez despir a capa escura de um dia soturno, para relançar a vontade de viver. E de derrubar a fronteira mística e mítica entre o finito e o infinito.
Q.P.           

ANIVERSÁRIO

SARAH OLIVEIRA

15-11-1980

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!






quarta-feira, 14 de novembro de 2018

ENCONTRO COM A ARTE- FOTOGRAFIA

      Coimbra à noite
Foto de Luis Garção Nunes

ANIVERSÁRIO

FRANCISCO PEREIRA NUNES

             XICO NUNES

14-11-1945

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!

                         Há uns anos "PICA NO CHÃO"






terça-feira, 13 de novembro de 2018

INTERLÚDIO- MEMÓRIAS FOLCLÓRICAS

Ensaio -talvez em 1991-Salão Telecomunicações Coimbra
Grupo de Danças e Cantares do CDCR dos CTT de COIMBRA
NOTA: Grupo no qual colaborei durante 20 anos
Já são SAUDADE o acordeonista FERNANDITO,  e o tocador de barguesa e cavaquinho JORGE CARVALHO

ANIVERSÁRIO

MARIA DE FÁTIMA REIS

                  MIMA

13-11-1941

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

UMA TARDE PELA BAIXA DE COIMBRA- EM HONRA DA SÃO ROSAS






ENCONTRO COM A ARTE - POESIA

                          A JOANA DE VASCONCELOS

Colando palavras umas às outras como se fossem de barro

com peças das mais perfeitas
que são feitas de partir
parto-me a rir se tropeças
sem saber onde cair
com outras feitas às pressas              
sem que me peças sentir
sinto-me envolver por essas
que são peças de servir

porque peças não enjeitas
por maleitas peço meças
ao juntares tão bem as peças
partidas que são de unir
ou sendo talvez promessas
tão unidas às avessas
de promessas por cumprir

por vezes peças que ajeitas
em colheitas de travessas
travessas que sejam essas
tropeçando no sentir
troto brando já sem pressas
tão certo por serem essas
as peças do meu porvir

mas se nos dás nomes às peças
panelas – garfos-funis
que as desfaças não peças
pois as fadas  só por elas
fundem fados âs janelas
duendes e colibris
e eu te direi feliz
por mil e uma aguarelas
das tuas peças tão belas
que tu fizeste e eu não fiz

e  eu não mexo nelas
comigo é que mexem elas
sou eu mesmo quem to diz
             
                                                         3 de Outubro de 2010


domingo, 11 de novembro de 2018

ANIVERSÁRIO

HERMANO ARROBAS
       
       "MANITO"

11-11-1944

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!











sexta-feira, 9 de novembro de 2018

UM HOMEM SINGULAR ...


  
 
 (foto net)
Um dia apareceu naquela aldeia que foi seu berço. Nunca me tinha visto mas deu-me um abraço. Depois falou-me com o à vontade de quem me conhecia há muito tempo e apresentou-se como repórter de guerra de uma cadeia de televisão francesa. Foi um tu cá tu lá, numa torrente de palavras que parecia não ter fim. Olhei-o cético e curioso, a resguardar-me de um vendedor de banha da cobra. Apenas me apercebi que tinha algum fundo de verdade no que dizia, quando me exibiu um cartão “PRESS” que lhe validava a sua identidade profissional. Tinha todos os condimentos para ser repórter. Era descontraído, descarado e de palavra fácil, como pude constatar no dia em que me levou a reboque numa etapa da Volta a Portugal em Bicicleta que passava em Castelo Branco em direção à meta no Fundão. Atrevidamente, meteu o carro na caravana de apoio aos ciclistas e quando a Brigada de Transito da Volta lhe fez sinal para parar, ele meteu com vigor o braço de fora da janela do carro com o cartão na mão e gritou convicto: “PRESS”. Tal ousadia valeu-nos o continuar na corrida e ele, no meio da caravana, por vezes tirava a cabeça de fora do automóvel e dizia imperativo: Óh Raúl, mexe-me esse traseiro !!! Mas o Raúl Matias não mexeu a bunda e lá chegou ao Fundão no meio do rebanho. Mas o Camilo achou por bem fazer uma visita cortesia ao pelotão, depois da esforçada etapa e, sempre de cartão na mão, lá entrámos nos quartos do “Alambique de Ouro” e … meu Deus, aquilo parecia os destroços de uma batalha, com ciclistas sentados no chão a gemer e outros deitados na cama a levar soro naquele hospital improvisado. Era patético e eu, à custa do descaramento do nosso repórter “francês”, observei o que muitos portugueses nunca viram. O homem de quem vos falo, vive em Paris. Tinha uma singular apetência por saias, o que não é defeito. Era um romântico e apaixonava-se com facilidade e, naquele dia, passeando de bicicleta num jardim de Paris, viu uma bela jovem de ar angelical. Ficou doido com a beleza dela e quase caiu da bicicleta. Ela, sentada num banco, lia atentamente um pequeno livro e ele, pedalando devagar e em círculos à volta do banco, olhava- a embasbacado com tanta formosura. Havia uma diferença de idades razoável entre os dois e tudo parecia condenado ao fracasso, se atentarmos até que ela lançou um olhar reprovador e de enfado ao cavalheiro atrevido. Atrevido sim, ou não fosse ele repórter de guerra, habituado a andar por muitos conflitos no globo e sujeito a uma bala perdida. Mas era corajoso e persistente e, depois de abandonar o parque parisiense, foi para casa e não dormiu. A donzela não lhe saía da cabeça e que fazer senão na tarde seguinte montar de novo na bicicleta e rumar àquele parque de Paris. E como a sorte protege os audazes, ela lá estava. O mesmo banco. A mesma pose. O mesmo livro. O mesmo ar cândido e um cabelo de ouro a escorrer pelos seus ombros frágeis. De novo a bicicleta a rodar em círculos em volta da professora universitária, até que ela baixou o livro e sorriu-lhe com um ar doce e entornou-se o caldo. Dali até se amarem numa velha mansarda da Cidade Luz,  foi um ápice. Fizeram juras de amor. De um amor sincero e arrebatado. Um dia, apresentou - ma em Portugal. Era linda e tinha uma voz meiga. Trazia pela mão os filhos, fruto daquele amor e ele olhava-a feliz e dizia – me embriagado de paixão: ela é o meu anjo. Naquela mulher, encontrou finalmente o seu porto de abrigo sentimental, afinal tão preciso para quem tinha uma profissão perigosa, quando presenciou os ajustes de contas na Roménia de Ceausescu, ou gelou de frio nas estepes da Europa de leste em missões alto risco. Hoje, já não terá idade para aquelas andanças e o que percebo é que o seu futuro já só passa pelos filhos e pela terna cumplicidade e o olhar apaixonado e ardente de Michelle.
Q  P.             

ANIVERSÁRIO

CELESTE MARIA Carvalho Ferreira RAFAEL

09-11-1941

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!



 Música Activa- Academia de Música Centro Norton de Matos

ANIVERSÁRIO

ELIZABETH OLIVEIRA

09-11-1959

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

JOYEUX  ANNIVERSAIRE!

PARABÉNS!




quinta-feira, 8 de novembro de 2018

ENCONTRO COM A ARTE - FOTOGRAFIA

    ijpphoto

ANIVERSÁRIO

FERNANDO COSTA FREIRE

08-11-1946

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"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!

ANIVERSÁRIO

MARIA ISABEL CARVALHO

08-11-1943

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"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

MOMENTOS ...





Quando  Cherif Bacisko Susso me revelou a sua música, tropecei em África. Olhei a Kora que dedilhava como se fosse uma harpa. E, de repente, veio - me à lembrança o Baca. O Baca era Homem Grande, quer dizer, ancião de muita sabedoria. Vivia no nosso aquartelamento e era duplo, ou seja, trabalhava para o exército português e para o inimigo. Levava notícias nossas e trazia informações relevantes do antagonista para nossa segurança. E nessa ambiguidade parda vivemos, até ao dia em que deixei aquele aquartelamento para rumar a outro destino na Guiné, mais isolado e ainda mais perigoso. Mas não é de guerra que venho falar. Apenas da circunstância do Baca também tocar Kora. Lembro-me dele, de gorro azul de malha enfiado na cabeça, sentado junto à parede exterior do meu quarto, a produzir aqueles sons africanos de mistério e uma ladainha que parecia não ter fim. Todos estes momentos me passaram pelo pensamento e pela retina, ao ouvir e observar o poeta e cantor de rua. Sentado naquela praça com Cherif junto a mim, dialogámos por momentos. Falou - me do seu berço e de ser filho de pai senegalês e mãe guineense. Veio para Portugal e em Portimão assentou arraiais de armas e bagagens. A música e a Kora são a sua vida. Perguntou-me, com curiosidade, como era vida no norte de Portugal. Depois falou-me da solidariedade entre os músicos de rua e de que sendo o verão a melhor época para amealhar algum dinheiro, praticamente trabalham todo o ano. Pelo que me deu a entender, a fábula da cigarra e da formiga, de trabalhar no verão para ter no inverno, é ficção para o músico de rua algarvio. Perplexo ficou quando lhe disse que tinha estado largos momentos a ouvir a sua arte. Confessou-me que não reparou, para depois me perguntar o que é que eu achava do som da Kora. Falei-lhe não ser a pessoa mais indicada para emitir uma opinião, mas ele disse-me que o som ainda não era totalmente do seu agrado. Que exigia ainda mais afinação. Percebe-se que Bacisko Susso é amante da sua profissão. Faz gala disso. Não dedilha as cordas apenas para que as moedas tilintem no estojo do instrumento. Ele exige de si próprio um trabalho sério, mesmo que pouco reconhecido por veraneantes de verão à procura de praia, de marisco e da pele bronzeada para fazer inveja ao vizinho lá da terra ou ao colega do escritório. Mas ficou a promessa porque me pediu, que da próxima vez eu ouvisse a Kora com atenção, para ver se eu notava alguma melhoria nos seus acordes. Fizemos esse pacto, com a certeza do meu analfabetismo musical. De mim, Basisko Susso apenas tem a vantagem inglória de eu não gostar de praia, de não comer marisco, de me estar nas tintas para o bronzeado do meu vizinho do lado e de que há muito dei um pontapé nas resmas de papel do escritório.

Q.P.                         

Koras Africanas.

* * *




ANIVERSÁRIO

AGOSTINHO AFONSO DEUS PEREIRA

05-11-1923

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" desje

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!



  Sócio nº 1 do Centro Norton de Matos

sábado, 3 de novembro de 2018

RECANTOS DE COIMBRA


    Escola Básica de São Bartolomeu
    Primeiro prédio construído depois das primeiras demolições com passagem para o "futuro Metro?, Rua que irá ligar futuramente à rua da Sofia/rua Olímpio Nicolau Fernandes, junto Câmara  Municipal"Esta rua já foi prolongada mais uns metros depois das respectivas demolições
   `A direita "LOJA DO CIDADÃO"
    Este prédio em ruína será para demolir? Por detrás já há prédios novos.
   Onde termina  a nova rua já aberta....esperando pelas demolições dos prédios que       estão em frente  até à rua da Sofia, junto à Câmara Municipal
    É a partir deste grafite  que devem recomeçar as demolições
    Rua Direita toda  em direcção à Praça 8 de Maio.escorada em grande parte
   Rua Direita com início na Praça 8 de Maio. Ainda tem passagem de peões...