domingo, 17 de junho de 2018

A BOMBA NO NIASSA ...




 Navio Niassa ...

Diz a sabedoria popular que “quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto”. Também esta verdade assume relevância nos recontros da guerra em África. Se muitos são relatos verídicos e emocionados, outros são fantasiosos e fruto da imaginação de cada um. De uma pequena escaramuça se faz uma batalha sangrenta, com explosões e baixas à mistura. Vem isto a propósito de uma informal conversa num café de Lagos, cidade apinhada de gente maioritariamente estrangeira, numa babilónia de línguas e culturas que se passeiam pelas artérias e vielas da cidade, numa organização desorganizada, neste mês de Maio acolhedor em terra algarvia. Sentado numa mesa do “Mimo”, esse mimo de café na Rua Infante de Sagres, vou olhando a rua. Na mesa ao lado, estão dois homens que conheço de vista e que pelo sotaque se percebe serem algarvios. E o Zé Manel, dono do estabelecimento que,  entre duas “bicas” que vai servindo, se senta junto a mim. Fala-me de Lagos, deste ou daquele pormenor, como do grupo de teatro amador de que faz parte, ou da ditadura da Câmara de Lagos, que lhe indeferiu um requerimento para colocar mais quatro mesas na explanada do seu pequeno café. Subitamente, a conversa descambou para a guerra de África. Falando para mim e para os dois outros clientes, disse com convicção:

- Antes de chegar à Guiné, podia ter morrido em Lisboa a bordo do navio “ Niassa”, quando explodiu uma bomba no porão.

Depois, em jeito de narrativa, prosseguiu:

- Faltavam cerca de dez minutos para o barco largar, com os familiares no cais a dizer adeus com lenços brancos. Tinham já retirado uma escada de acesso a bordo e apenas faltava retirar uma outra escada. Então, ouviu-se uma grande explosão e o barco tremeu. Foi um atropelo, com os militares a gritar, numa correria para abandonar o paquete. Depois, veio a saber-se que tinha sido uma bomba colocada no porão, que abalou a estrutura do navio, mesmo junto à linha de água. Mais tarde, quando desci junto do meu beliche, fiquei pálido. No local do rebentamento, a minha bagagem estava desfeita, tal como a de alguns camaradas meus. Cá fora, os familiares não arredavam pé aos gritos de “ assassinos, assassinos, querem matar os nossos filhos”. A noite caiu e do cais ninguém arredava pé. Mais tarde, talvez para as gentes desmobilizarem, o barco foi levado para o largo, onde pessoal da Lisnave arranjou os estragos e lá seguimos viagem escoltados por um barco de guerra da Marinha, um dia depois do previsto. Entretanto, a Emissora Nacional, disse formalmente que o “Niassa” tinha partido, quando ainda estávamos em Lisboa. Omitiram, deliberadamente, os factos aos seus ouvintes.

Desconhecendo esta realidade, fiquei a olhar o meu amigo. Os outros dois clientes, que disseram que também tinham combatido na Guiné, ouviram tal como eu, esta narrativa com desconfiança. Um deles até sorriu, com desdém de uma peripécia fruto de uma imaginação fértil. Porém, para mim, a descrição tinha demasiados pormenores e comecei a acreditar que talvez houvesse algo de verdade no relato que nos era contado em agitação e em jeito de catarse. Então indaguei. Pesquisei e realmente batia certo. A bomba no “Niassa”, aconteceu poucos dias antes da revolução de Abril. Mais precisamente, no dia 9 de Abril de 1974.

Desta vez o Zé Manel, que mata e esfola tudo e todos sem ser capaz de pisar uma formiga, disse a sua verdade de uma  verdade histórica. E, felizmente, sobreviveu para contar mais esta memória baça que já se vai perdendo nos tempos. E eu, que sou bastante amigo dele, tenho o deleite de o ouvir dizer-me:

- Quito, tenho ali para provarmos uma amêndoa amarga de estalo …

A nós, a mim e a ele, sobreviventes que fomos e somos, a guerra crua da Guiné não nos aniquilou nem a amizade nem os sonhos.

QP
             

sábado, 16 de junho de 2018

sexta-feira, 15 de junho de 2018

JARDINS ....E PASSEIOS FLORIDOS NO BAIRRO NORTON DE MATOS

    Um jardim florido- Rua Infante Santo
   Uma amostra dos passeios floridos

ANIVERSÁRIO

ERNESTO COSTA

          JÓJÓ


Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!

quinta-feira, 14 de junho de 2018

CURIOSIDADES




Falta acrescentar...

Falta a lição sobre futurologia: "Um dia ainda me vais agradecer!"

Minha rica mãe!

quarta-feira, 13 de junho de 2018

POSTALINHO - XURÉS-GALÍCIA E GERÊS CASTRO LABOREIRO


   Espanha- Entrimo(Orense) Serra de Xurés
    Foto F. Rafael

                     Baixa Limia-Serra de Xurés-Parque Natural-Galícia
                     Foto de Celeste Maria
                     Castro Laboreiro.
                     Capela de Senhora do NUMÃO
                     Foto de Celeste Maria

    Espanha Serra de Xurés- Pacin
     Foto de Celeste Maria
         

terça-feira, 12 de junho de 2018

ANIVERSÁRIO

ROSA MARIA GÂNDARA

12-06-1946

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!



segunda-feira, 11 de junho de 2018

Jardinzinhos de Montreal

É sem dúvidas acolhedor passearmos nestas ruas plenas de jardins dos mais variados tipos. Neste caso apresento alguns com arbustos que nos acompanham ao longo do nosso passeio.

domingo, 10 de junho de 2018

quinta-feira, 7 de junho de 2018

A GLÓRIA DO DESPORTO AMADOR ...






Nesta cascata indecorosa dos subornos, resultados viciados e envelopes por debaixo da mesa no desporto profissional, em que as modalidades ditas amadoras são pagas a peso de ouro a atletas também eles ditos amadores, o país vai olhando todos os dias para os mais diferenciados personagens de um desfile de mau gosto. Maior é a feira, quando se trata de futebol profissional e dos milhões de euros e de interesses instalados, de uma atividade globalmente mal frequentada. Desde os novos escravos e seus mercadores do século XXI , passando por trafulhas, agiotas e  gente insolente com o culto da sua própria personalidade, encontra-se de tudo. Depois há os outros. Os que são genuinamente amadores. Aqueles para quem o cifrão, é substituído pela bandeira da fraternidade e da convivência sã.


De Salgueiro do Campo, nestes dois últimos fins de semana, não me chegou o cheiro vil da corrupção. Chegou-me antes o aroma dos frangos assados e das febras grelhadas, do som do tilintar das garrafas de cerveja em brindes entre povos de quatro aldeias, a disputar um torneio de futebol: Salgueiro do Campo, Rochas de Cima, Freixial do Campo e Tinalhas. Venceu o melhor, que levantou a Taça. Sem remoques, nem conferências de imprensa.

Conheci aquelas gentes. O que outrora eram batalhas campais em jogos de bola disputados com determinação, hoje, o ardor da luta também lá está, mas com outros protagonistas. Aqueles que, assumido a sua faceta campesina, dão lições de como o desporto amador, é a pérola do verdadeiro espirito de competição.


Destes torneios entre aldeias, lembro as taças que vinham pedir à Farmácia do Salgueiro,  o que nunca lhes foi negado. Com alguma nostalgia, lembro o dia em que a Associação Recreativa do Barbaído, organizadora de um torneio, nos pediu um troféu. O Barbaído, pequeno povoado encravado entre montes onde impera o silêncio, é conhecido pelo “centro de mundo”, vá lá saber-se o porquê.  Passeando pela cidade, vi uma bela e vistosa taça numa vitrina, por um preço módico. Comprei o troféu, que lhes entreguei. Ficaram deslumbrados com a oferta, e no fim do torneio, acharam por bem oficializar um agradecimento, em carta timbrada com o logotipo da Associação. Um reconhecimento pouco protocolar, atendendo ao teor do documento, que não era de palavras de circunstância ou de palavras vãs. Estava ali muito do coração da gente simples.


Para rematar, da bela povoação de Tinalhas das casas solarengas e senhoriais, que também tem como padroeira Dona Isabel de Aragão, que ali é venerada em imagem que é cópia da que se encontra no Convento de Santa Clara em Coimbra, recordar o Terceiro Visconde de Tinalhas, Dom José de Meireles Coutinho Barriga da Silveira Castro e Camara e o seu espírito filantropo. Conta o povo, que um dia o Senhor Visconde foi ver um jogo de futebol no terreiro onde têm lugar as Festas da Padroeira, e não percebendo nada de futebol, ficou muito condoído por ver  vinte e dois rapazes muito transpirados, de calças arregaçadas até ao joelho, em mangas de camisa e socas nos pés, a lutar bravamente pela mesma bola e, num gesto magnânimo, mandou um capataz ir à cidade comprar uma bola para cada um, para que não houvesse mais zaragata. Promessa honrada e cumprida de Visconde. Naquele tempo, o desporto – rei dava ainda os seus primeiros e incipientes passos em todo o mundo. 


São narrativas de ontem, de hoje e de sempre, verdadeiras ou fruto da imaginação popular na exaltação dos seus mais predicados filhos. Tinalhas e os seus Viscondes. Tinalhas e a sua história.

Q.P.           

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Fogo nas traseiras da minha casa

Há dias levantei-me pelas cinco da manhã e já a Lucinda estava na cozinha a ver o fogo que lavrava no lado de trás da nossa casa. Os bombeiros acabavam de chegar, o que era um excelente sinal..
Foto: Lucinda
Em Montreal, o mínimo alerta a incêndio é logo tomado como uma situação de risco elevado, porque as casas são construídas para fazerem face aos invernos rigorosos que se fazem sentir por estes lados.
Além das fundações que são enterradas e por isso não sofrem muito com o frio, os materiais utilizados são em grande parte o ferro, madeira e os restantes isolamentos como a lã de vidro que é excelnte sobre todos os aspectos.
Já o revestimento exterior é em grande parte em tijoleira ou folha de pedra que servem de escudo ao frio e ao vento.
Sendo esta cidade exposta a um clima com dias muito ventosos, estimaram que os bombeiros devem estar no local dentro de dois minutos e meio para retirarem as pessoas e apagarem os incêndios, ou pelo menos evitarem a sua propagação aos edifícios vizinhos, pelo que a cidade está polvilhada de pequenos quarteis de bombeiros.

No caso do incêndio de trás da nossa casa, depois de extinto barricaram a entrada e janelas da cozinha para evitarem que certos indesejáveis possam utilizar o local, como se pode ver na foto abaixo.
Foto: Lucinda.
Agora é ao proprietário de proceder à limpeza do terreno exterior.
Com o passar do tempo um lindo dia de sol nascia, como a convidar os habitantes a dar vida à cidade.
Foto: Lucinda.

ANIVERSÁRIO

MARIA TERESA BENTO PRATA

06-06-1942

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!



terça-feira, 5 de junho de 2018

domingo, 3 de junho de 2018

POSTALINHO DE PONTE DE LIMA

A casa onde nasceu Norton de Matos.
Ponte de Lima

Daisy


A AMANTE DO CELESTINO ...





O Celestino nasceu no Porto, lá para os lados da Areosa. Era empreiteiro da construção civil e bem - sucedido na vida. Tinha uma vivenda na Avenida da Boavista, com um relvado cheio de candeeiros, que abria de noite e que mais parecia a gare de um aeroporto. Também um lago, onde a estátua de um anjinho com uma bilha às costas, debitava água para um lago, onde nadavam pacificamente alguns peixes coloridos. 

A mulher do Celestino era a Ivone, que por muitos anos vendeu peixe no Mercado do Bolhão. Era frontal e quando furiosa, desatinava na sua veia portista e até o São Pedro  fechava as Portas do Céu, para não ter que ouvir a lírica da zaragata. Um dia, chegou-lhe aos ouvidos que o Celestino tinha uma amante e foi o fim. Lá em casa, atirou com uma jarra de flores contra um quadro de Gioconda adquirido numa feira em Santo Tirso, deu dois pontapés na mesa estilo Luís XV que comprou numa promoção num armazém de Rio Tinto e, de dedo em riste, fuzilou-o com o seu sotaque nortenho:


-  Meu grande sonso, ando eu aqui feita escrava a trabalhar, para tu andares por aí com uma pindérica … ah mas isto não fica assim, que eu quando a bir, eu bou-me a ela e enfio -lhe com um chicharro de quilo e meio nas trombas  …


O Celestino, apanhado de surpresa, não vacilou e ripostou:


- Óh mulher tu és mesmo burra, então um homem com o meu estatuto, com um Mercedes topo de gama, a construir seis prédios na avenida principal de Matosinhos, não havia de ter uma amante, tu não percebes mesmo nada das regras da etiqueta, olha que o nosso vizinho Felisberto, que é homem de grandes negócios aqui no Porto, também tem uma amante …


A Ivone amansou, a matutar nos argumentos do Celestino, mas com a sua curiosidade feminina, não descansou enquanto não soube quem era a concorrente. E um dia, viu-a ao longe, mirou-a, remirou- a, mas sem se aproximar regressou a casa.


Numa tarde de verão, quando a Ivone descia uma rua da Invicta, deu de caras com o vizinho Felisberto  de braço dado com a amante. Fez que não o viu, mas  olhou bem e com espírito crítico a companheira do Felisberto e à noite, quando o Celestino chegou a casa, deu-lhe um beijo apaixonado e exclamou entusiasmada:


- Celestino, estás de parabéns, olha que a nossa amante é muito mais gira que a do Felisberto !!!

Q.P.    

sexta-feira, 1 de junho de 2018

NOTÍCIAS DE COIMBRA


      O STAND DA SÃO ROSAS







ANIVERSÁRIO de...

JOANA MOURA E MARIANA MOURA



 01-06-1990


Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja


MUITAS FELICIDADES!


PARABÉNS!




 206

2010
Grupo SAN'TIAGO SONS da ALMA interpretando um tema original de Paulo Moura - Dentro do Meu Castelo - com vozes das sua filhas gêmeas Joana e Mariana Moura. 10º aniversário do Grupo - 24 Julho 2010 - Eiras - Coimbra .- Portugal.