quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

COIMBRA- CALHABÉ- ORIGEM DESTE NOME....

A propósito desta postagem e seus comentários...













Deste livro escrito pelo nosso amigo FERNANDO ROVIRA, alguns enxertos para explicar a origem do nome CALHABÉ:
CALHABÉ é um topónimo de origem antronímica relativamente recente. Hoje, estão integrados no espaço, a que a necessidade popular de referenciar os lugares onde habita, trabalha ou passa deu este nome, alguns outros muito mais antigos, como Arregaça, Lomba da Arregaça, Marrocos, Quinta da Cheira, Cidral, Alpendoradas...
Em 1885, o CALHABÉ tinha 13 fogos e 42 habitantes....
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Tudo leva a crer em que, na altura, o nome CALHABÉ fosse confinado somente ao espaço compreendido entre a confluência da Rua das Alpendoradas com a estrada da Beira - aberta em 1860 e chamada hoje Rua do Brasil - e a fonte da Cheira. Teria sido,pois, a partir do embrião localizado ao longo dessa via, ou nas suas imediações, que o CALHABÉ se desenvolveu e prosperou, tornando-se no mais importante pólo habitacional da Cidade.
Em meados do século XX, o topónimo era referido ao espaço envolvido por dois eixos: a Estrada da Beira e a Rua dos Combatentes da Grande Guerra. A Ladeira do Seminário limitava o espaço a poente; do nascente, partia do ponto de encontro daqueles dois eixos, no antigamente chamado Largo do Zé Maia ou do Vigia, prolongava-se pela Estrada da Beira até ao Alto de São João, apanhando a sul o planalto da Quinta da Cheira, hoje dividido por três aglomerados populacionais: Quinta da Cheira, Bairro Norton de Matos e Cascalhal (Cavalo Selvagem), onde mais tarde, foi implantado o Bairro  das Caixas de Previdência; a norte, o Casal da Eira, a Fonte da Cheira, as Nogueiras, Casa Branca e todo o enorme espaço, antes propriedade da Vila Marini e outras quintas de menor dimensão...
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A partir dos anos 30 do século passado- a Cidade e também o CALHABÉ entrou numa fase de crescimento acelerado.
( foi então encomendado um estudo ao famoso arquitecto-urbanista De Groer, professor da Universidade de Paris
"Anteprojecto de urbanização. de embelezamento e de extensão da cidade de Coimbra"
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Nota de EG: para abreviar, o estudo relata com pormenor o previsto para a zona do CALHABÉ.
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De qualquer modo, o nome CALHABÉ foi estiolando em favor de S. José.
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O TOPÓNIMO CALHABÉ - ORIGEM

       Acerca da origem do nome CALHABÉ, já ouvimos várias histórias. Eis uma delas:
certo dia de muito calor passavam pela Estrada da Beira dois "brasileiros" a caminho de Penacova. Iam cheios de sede e, ao avistarem uma fonte, disse um deles naquele sotaque caracteristico dos brasileiros que, grande parte dos portugueses dois dias de Brasil, faz tanta gala e imitar:
       - I si molhá a boca a gente fosse nesta água que cheira tão ben?
       - CALHA BEN - concordou o outro.
         Beberam e continuaram o seu caminho. Um pouco à frente, encontraram um terceiro passante que vinha em sentido contrário que lhes perguntou como se chamava aquele lugar e se havia por ali perto água para matar a sede.
       - CALHA BEN, não tem muito que andar. Há já ali uma fonte que até cheira a rosas-respondeu um dos interpelados.
       O homem concluiu que CALHA BEN era o local e Cheira a fonte. Daí a razão de se terem espalhado os nomes CALHABÉ e FONTE DA CHEIRA.
O povo tem imaginação e, quando não sabe inventa!...
         Também há quem garanta que o CALHABÉ foi buscar o nome a um antigo capitão de milícias que teria morado perto do local onde se veio a construir o apeadeiro. Esta versão não invalida a que aprersentamos em seguida, pois poderia tratar-se de um descendente do primitivo CALHABÉ.

       A verdadeira origem do nome vamos encontrá-la na 9ª Edição do Palito Métrico e correlativa  Macarronea Latina-Portuguesa, estudada e prefaciada por Rocha Madail, de harmonia com a 4ª Esição de 1792..
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Talvez aí por meados do século XVIII - a 1ª edição de o Palito Métrico é de 1765 -, vindo não se sabe bem donde, fixou-se um individuo, num local não perfeitamente identificado, mas que teria sido junto da estrada aberta por volta de 1860 a que deram o nome de Estrada da Beira, provavelmente no espaço compreendido entre a Rua do Teodoro e a Fonte da Cheira, . Aí, teria erguido uma tosca barraca de madeira de chão térreo, ou ter-se-ia mesmo servido duma construção rudimentar já existente no local, para instalar uma taberna, a fim de aproveitar o negócio que a passagem diária das inúmeras pessoas da vizinhança e dos lugares a montante poderia proporcionar.
       CALHABÉ seria o seu verdadeiro nome, ou apenas uma alcunha? Não se sabe ao certo, Seja como for, foi esse o nome que passou a referenciar não só o local, mas também o espaço envolvente.
      Amorim Girão refere que, perto de PENELA, houve, em tempos passados, uma modesta família com esse apelido e que teria sido, muito provavelmente, um dos seus membros que veio fixar-se na arrabalde coimbrão. O certo é que o topónimo de algum lado nasceu...Saber se proveio de nome, de apelido ou de alcunha, parece- nos de todo irrelevante.
               Um apelido parecido - Calhabéu - existia na última década do século passado na freguesia da Pocariça, concelho de Cantanhede(fonte-( Padre Manuel António Marques- página 62, uma Maria da Silva Calhabéu)
                Além de taberneiro, o CALHABÉ era um fiel devoto de Baco, célebre no meio coimbrão onde convivia com muitos estudantes que entravam na sua taberna, sempre que por ali passavam a caminho da Portela, das Torres ou de outros lugares do arrabalde onde frequentemente os estudantes iam em passeio..
      
                   O Palito Métrico, ou Macarronea, por ser escrito em latim macarrónico, imortalizou esta figura popular no  "Calhabeidos Liber"

                                
                                     "Ó Calhabee, Deus nobis haec otis fecit;
                                     Sejas bem vindo; nobis communia sejant
                                     Gandia; nam boa pinga temos, boa pinga bibatur,
                                     Tanta pelas nossas corrat vinhaça goelas;

                                     Quanta ferre solet Inverni mensibus augam,
                                     Monda, Coimbrensis cobris qua turbidus agros.
                                     Ferti sisti alqueires, almudes, farte canadas,
                                     Et pipae, céu Monda, fluant: date procula, tripas
                                     Tempestas vermelhas requet:Calhabee bebamus..."

Para terminar só mais este apontamento:
 Ainda em 1802, habitava na Cheira( Fonte da Cheira) uma mulher chamada Guiomar Maria Calhabé, uma descendente do Calhabé taberneiro..
Um grupo de bandoleiros vindos do Espinhal-Penela assaltou-lhe a casa pois sabiam que na Fonte da Cheira residia, com razoáveis meios de fortuna, uma descendente de uma familia do mesmo concelho.

5 comentários:

  1. Já agora acrescento que em Cantanhede era minha vizinha uma senhora chamada Céu Calhabéu, cuja familia devia descender da familia aqui apontada como sendo da Poacriça

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  2. Talvez a família Calhabé, seja a chave do nome desta zona de Coimbra.

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  3. O que está escrito no Palito Métrico, é bastante parecido com o que eu sabia.
    Tenho o Palio Métrico mas a 5ª Edição. Se isto só aparece na 9ª Edição, nem vale a pena ir lá verificar.

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  4. OK! De qualquer forma seja qual a versão, ficam registadas aqui.
    Agora vou ler o livro do Fernando Rovira e talvez publicar como nasceram outros lugares destes arrabaldes de Coimbra e seus nomes.
    Vou ver se vala a pena.Quinta da Cheira, Fonte da Cheira/Casal da Eira;Arregaça;Fonte do Castanheiro;as Fontes do Bispo e da Talha;Marrocos;Lomba da Arregaça, Alpenduradas, e pequenas crónicas "deste mundo" do Calhabé.

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