terça-feira, 8 de novembro de 2016

INTERLÚDIO MUSICAL...

LUISA MOURA -  Voz
Paulo Moura       -  Viola
Local                    -  Penela-Restaurante Don Sesnando
Canção TIC TAC
Poema de "Encandescente", musicado por Paulo Moura
Produções- Mouradia

POEMA TIC-TAC (Encandescente)

Eu que sinto o  espanto das coisas conhecidas
Por em nenhuma delas me reconhecer.
Eu que tenho um furacão a rugir dentro do peito
E uma bomba bem bem no centro do coração
E que ouço o tic-tac do mecanismo,
E que espero o tic-tac da explosão.
Eu que tenho a lava ardente correndo nas veias
E o corpo marcado, queimado da erupçao.
Eu que lutei e esperneei e esbofeteei
Para ser mais que este horizonte pequeno e mesquinho
Que a vida, a nascida, me predestinava.
Eu que pelejei em tantas batalhas
E mesmo caída em nenhuma me senti vencida,
E levantando-me segui em frente                                                                               
Carpindo dores, lambendo feridas,
E continuei caminhando contra a corrente.
A corrente contínua e igual da vida.
Eu que percorri todos os lugares do mundo
E em nenhum encontrei abrigo
E a nenhum chamo o meu lugar.
Continuo caminhando ouvindo o tic-tac do mecanismo,
Da bomba que bate bem no centro do meu coração.
E a caminho e espero...
A cada passo.
A cada tic-tac
O tic-tac da explosão.


4 comentários:

  1. Tenho tanta pena de não ter tido mais notícias da Encandescente. Tinha uma forma de escrever tão própria, com uma força...

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  2. Respostas
    1. Ele?! A Encandescente é uma rapariga de Setúbal...

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  3. Gostei de voltar a ouvir este poema com a voz e a interpretação da Luísa!

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