segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

INTERLÚDIO POÉTICO...




SONETO DE CARNAVAL

Distante o meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento

Seu doce desejo de amargura
Todo o instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrado  uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento.

E vivemos partindo, ela de mim
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos
Para a grande partida que há no fim

De toda a vida e todo o amor humanos:
Mas tranquila ela sabe, e eu sei tranquilo
Que se um fica o outro parte a redimi-lo

Vinicius de Morais, in´Antologia poética

7 comentários:

  1. Este soneto de Carnaval é um bocado sombrio. Fala da partida e da separação definitiva dos amantes.
    É o elogio macilento o amor.
    Talvez eu não entenda este "Carnaval" de Vinicius. Ou não tenha capacidade para perceber o tom jocoso de algo que, definitivamente, mais me parece um "Requiem" . Mas, admito, algo me escapa ...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Em tempo: é o elogio macilento do amor ...

      Eliminar
  2. Também acho...mas era o que tinha aqui à mão para separador de postagens...
    O Vinicius lá saberá porquê o Carnaval...

    ResponderEliminar
  3. Puxa mais para a desgraça, mas nem sempre é tudo bom.

    ResponderEliminar
  4. Hoje temos um carnaval tétrico...
    O soneto é lindo, mas não o entendo como divertido! Livra.

    ResponderEliminar