quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Até sempre, companheiro!

Adestrado para lutar pela vida, sempre convivi mal com o espectro da morte: é como se um pouco de mim me deixasse também, quando vejo partir qualquer ser humano, mesmo o doente mais fugaz.

Perder o Pombalinho, não é só perder um amigo, é ver partir alguém de quem andei afastado quarenta anos, mas que representa muito do que sou hoje e considero um dos meus maiores amigos de sempre.

O Pombalinho sempre foi uma força da natureza, dotado dum enorme apego à vida. Depois de ter saído da “sala de chuto” - que foi assim que designou os “cuidados intensivos” a que esteve sujeito – recordo a coragem e a lucidez com que me pediu para ser reintervencionado, numa derradeira iniciativa, desesperada, de adiar por um ou dois anos o fim que se desenhava.

A prática duma medicina moderna, que se baseia em estatísticas e não em pessoas, frustrou essa sua tentativa, que nem era assim tão aérea.

O Pombalinho morreu e, há poucos dias, dirigiu-me um derradeiro abraço. Tenho a certeza que na hora da morte, não quis cruzar um longo e escuro corredor, sem saber que podia contar com o braço, ainda forte, dos amigos de sempre.

Até sempre, companheiro!

Cândido Ferreira

PS: À família um forte abraço e as minhas desculpas por não poder estar presente, ao vosso lado, no funeral, pelas razões que já lhes invoquei.

4 comentários:

  1. Muito sentido e comovente o teu ATÉ SEMPRE ao
    teu companheiro e também nosso amigo...
    Um beijo

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  2. A morte deste amigo foi uma machadada para todos nós. Era muito estimado. Pelo cidadão que foi. Pelo resistente que foi. Não me sai da cabeça o nosso último encontro, na Louçainha. Muito conversámos! Percebi que tinha uma estima por mim que eu nem me tinha apercebido. Gostava de ler o que eu escrevia, nesta minha colaboração nos blogues.Dizia-me isto com aquele seu ar cansado e cordial. Fica-me este presente que já é uma memória. Um desgosto.

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  3. Recordo-me das expectativas e esperanças do Pombalinho quando, acompanhado pelo Álvaro se deslocou a Leiria para falar com o Dr. Cândido Ferreira e com um seu Colega especialista na malfadada doença.
    Lembro de, nessa altura, me ter dito que ia pedir uma nova intervenção cirúrgica nem que isso apenas significasse mais algum tempo de vida.
    O Pombalinho era, como sempre foi e como se vê por este episódio aqui relatado pelo seu amigo Cândido Ferreira, um Homem de nunca virar a cara à luta e com um amor à vida superior ao inimaginável...

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  4. Testemunhos tocantes de quem mais conheceu e conviveu com o amigo Pombalinho!

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