quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

OCTÁVIO SÉRGIO - GUITARRISTA DE COIMBRA

              Por  Zé Maria Oliveira


Guitarristas de Coimbra

OCTÁVIO SÉRGIO

Nasceu em  Viseu - 15.8.1937

Professor do Ensino Secundário, Guitarrista, Compositor e Intérprete.

Octávio Sérgio  é talvez um dos mais versáteis, complexos e elaborados compositores para  Guitarra de Coimbra.de sempre:

Tem cerca de três dezenas de instrumentais e inúmeros arranjos para fado..

Integra há vários anos um dos grupos mais prestigiados da Canção de Coimbra - o RAÍZES DE COIMBRA

"Encontro de Gerações" teve a honra de OCTÁVIO SÉRGIO ter participado, integrando  o grupo de Fados de Coimbra RAIZES DE COIMBRA no 2º Aniversário do ENCONTRO DE GERAÇÕES


terça-feira, 25 de janeiro de 2022

ENCONTRO COM A ARTE-PROSA - ACORDEI

 Acordei. Lá fora o vento sopra barulhento. Eu gosto dele. Gosto de olhar para as traquinices dele. Pena eu já não ter agilidade para ir lá para fora a brincar também. 

Ponho-me atrás da vidraça e vejo as suas tropelias. Agora arrancou um montão de folhas e leva-as pelo  alto, alto...depois descem e voltam a levantar... Lá mais ao fundo deixa-as cair aos trambolhões. Depois, sopra-as devagarinho para ficarem alinhadas junto ao muro branco do passeio, já atapetado com milhares delas: folhas de plátano, de tília, de álamo,  bolinhas e folhas de mélias... E o maroto vai e volta atrás a colher laranjas das laranjeiras da rua da frente. E meia dúzia delas não lhe resistem. Com o peso que têm não conseguem voar e caem estateladas  no chão. Ainda rebolam um bocadinho convencidas que conseguem correr. Mas não. Ou ficam paradas nas pedras do passeio para serem chutadas para o canteiro pelos transeuntes ou vão parar ao alcatrão ficando esmagadas debaixo das rodas negras dos automóveis. O vento, aflito ainda corre a tentar levá-las mais para a berma, mas nem sempre consegue.

    Como não posso continuar aqui vou lembrando aquele vento com quem brinquei em menina que me empurrava para eu correr mais depressa, ou vinha de frente para eu não ir para a escola. Zanguei-me com ele quando me levantava as saias dos vestidos e quase me fazia aparecer as cuequinhas. Mas adorava quando me soltava os cabelos e me roubava a boina. Nessa altura eu corria tanto ou mais do que ele e quando estava quase a apanhar aquela marota, ele dava nova sopradela e fugia com ela... A vida é tão linda vivida assim sem preocupação de o amanhã, do logo, do depois...

Um grande chi coração para si, que quis apanhar estas palavras soltas...

Georgina Ferro.


segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

VACINAS E UTOPIA - Texto de Kito Pereira

VACINAS E UTOPIA … 
                                                                                                                                                                   Nesta tragédia mundial de um vírus potencialmente perigoso, vou ouvindo as mais dispersas opiniões de especialistas em saúde e nem sempre coincidentes. A semana passada, o Diretor da Organização Mundial de Saúde dizia na sua voz pausada que era preciso vacinar toda a Árica para assim se erradicar o vírus do planeta. Esta convicção vem ao arrepio de muitas outras opiniões de especialistas que afirmam que o vírus ficará endémico e teremos que conviver com ele. Vacinar todo o continente africano foi pretexto para eu regressar a um passado já remoto da minha presença como militar miliciano na Guiné – Bissau. Por lá deambulei por mais de dois anos e conheci várias tabancas. As tabancas são a mais genuína afirmação do povo africano na sua essência. Durante largo tempo da minha comissão por aquelas terras, convivi diariamente com a Tabanca de Canjadude. Um aglomerado populacional significativo num planalto extenso. A Base militar que ali se encontrava, servia de apoio a toda a população e não apenas a militares. Diariamente, muitos civis – homens, mulheres e crianças – procuravam apoio médico e muito especialmente de enfermagem numa casa que o exército português construiu para o efeito. Tinha dois enfermeiros permanentes e um médico que periodicamente vinha do Gabu. No dia em que o país se tornou independente e o exército português partiu, todo o apoio às populações se extinguiu. E todas os edificios, incluindo os bairros de reordenamento militar foram destruídos. Alguém que comigo ali combateu e de espírito aventureiro, resolveu demandar Canjadude agora no seu estatuto de turista e o que viu deixou-o desapontado. Percebem-se os ventos da História e o grito de independência. Mais difícil será compreender a destruição de infraestruturas que seriam uma mais - valia para as populações. Os residentes distribuídos por tribos, estão agora num novo patamar de subsistência. São povos esquecidos, vivendo nos locais mais longínquos e servidos por caminhos pedregosos e de mau acesso, a que vulgarmente se chama “picadas”. Um longo calvário para lá se chegar a não ser por via aérea, caso as pequenas pistas para aviões de pequeno porte ainda existissem o que não será o caso. Canjadude é apenas um ponto minúsculo na imensidão de todo o Continente africano. Mas poderá dar para perceber que o desejo do Diretor da Organização Mundial de Saúde Dr. Tedris Adharom em vacinar todos os milhões de africanos é certamente uma utopia e um problema aparentemente sem solução.                                        Kito Pereira

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

ANIVERSÁRIO ROMICAS

MARIA AMÉLIA MARTINS

           ROMICAS

18-01-1959

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!
 

ANIVERSÁRIO GUILHERMINA LEÃO

GUILHERMINA LEÃO

18-01-1952

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS  FELICIDADES!

PARABÉNS!
 

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

OBRIGADO PROFESSOR ANTONINO ANTONINO - HOJE ESTA CRÓNICA TEM MAIS SENTIDO

 Hoje esta crónica tem mais sentido. 


Muito bem haja e muito obrigado!

Depois de mais uma visita aos vales e montes que me viram nascer, para cumprir mais um dever com os que já partiram, o regresso é sempre uma hora e meia de reflexão sobre o visto, o ouvido e o pensado. Pensámos neles e agradecemos-lhes o muito que nos deram. Por outro lado, o ouvido começou a rodopiar na mente, levando a refletir sobre o bem haja muito ouvido na minha aldeia e, raramente, o obrigado. Veio-me ao vórtice do pensamento a frase várias vezes dita perante um obrigado: ‘Eu não fui obrigado; fiz isso porque quis’, sugerindo o menosprezo desta forma de agradecimento e, até, que poderá ser indelicada. Ora nada é menos verdade do que isso.

Na verdade, em bom português, deve dizer-se obrigado ou obrigada, segundo a pessoa que agradece, incluindo as formas plurais, e não aquele ou aquela a quem se dirige. E a explicação é simples: Obrigado é a forma de agradecimento mais compromissiva, a mais profunda, que cria um vínculo com quem nos fez o favor.

S. Tomás de Aquino elabora, no ato de agradecer, 3 níveis distintos, do mais superficial para o mais profundo. As línguas que melhor conhecemos dão conta desses 3 níveis. 

No primeiro deles encontramos o simples ato de reconhecer que alguém nos fez um favor. Para reconhecer é necessário pensar, razão por que, no inglês, se usa a forma thank, etimologicamente evoluída de think (pensar) e o alemão danke, também verbo evoluído  de denken. Agradecer, neste caso, é reconhecer e pensar em alguém que nos fez o bem.

No nível intermédio temos o desejo de querer bem ao outro que nos fez o favor. Usam estas formas línguas como o castelhano gracias, o francês merci,  o italiano grazie ou o português bem haja. Independentemente das intenções que queremos colocar no ato de agradecer, linguisticamente não estamos a dizer mais do que ‘Desejo que alguém o/a favoreça com  coisas boas (as graças, as mercês, o bem). A forma portuguesa é bem explícita ao usar o conjuntivo presente do verbo ‘haver’ com sentido de’ ter’ e com valor desiderativo: ‘Que tenha bem’. 

No nível mais profundo e mais envolvente da gratidão só conheço uma língua que o verbaliza: o português. Quando dizemos obrigado, na realidade estamos a vincular-nos com uma dívida que fica. No livro do deve e do haver, temos um saldo negativo, uma dívida de gratidão que não precisa de entrar na economia do ‘fazes agora e eu pago-te depois’, pois tão simplesmente a palavra (muito) obrigado é o sinal do reconhecimento pelo favor, o desejo do bem e o garante do compromisso. A forma bem haja, por muito que nos custe, não é tão rica quanto a forma obrigado, apesar do casticismo que acarreta e do sentido de profundo respeito que nós, os beirões, lhe queiramos associar.

Ao nível da pragmática, observamos que é muito frequente aquele menosprezo de que falei, porque alguns falantes distraídos usam obrigado quase como uma simples interjeição, sem as concordâncias e esvaziando-o de sentido (como o inglês thanks), e a existência de uma frase como bem haja/hajam parece-nos ser mais sentida. Um dia poderá ser assim, mas ainda não o é. Por isso, muito obrigado!

Prof. Antonino Silva


ENCONTRO COM A ARTE- FOTOGRAFIA - COIMBRA

 .... Para 2022 .....

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Que as cores do arco-íris estejam sempre presentes nos nossos dias.
Que os Jardins se encham com a vida irrequieta das crianças.
Que possamos rir e chorar de alegria.
Que a música nos inunde a alma.
Que os sonhos não se apaguem.
Que tenhamos prazer de viver.
Que sejamos felizes!
   Foto de Luis Garção Nunes

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

ANIVERSÁRIO BRANCA SARMENTO

BRANCA SARMENTO

10-01-1947

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!


 


domingo, 9 de janeiro de 2022

ERA UM DOMINGO D O MÊS DE JANEIRO JANEIRO

 Era um domingo do mês de Janeiro.


     Nos domingos, não havia trabalhos ao serão. Não se degranava o milho, não se fiava o linho,  nem se fazia meia! Nada disso!... Domingo era dia de descanso.

     O toque das Trindades, ao pôr-do-sol, era antes das seis da tarde. Ora, os serões eram longos. Então, quase todos os domingos de Inverno, se não chovesse, depois do jantar, íamos seroar para casa do tio Eduardo e da tia Palmira.

     Naquela noite havia lua cheia! Não era uma lua cheia qualquer, era uma bola branca, enorme, num céu azul escuro transparente de ar gelado. A geada aumentava o brilho do luar, reflectido nas poças de água vidradas! Nem precisámos de acender a lanterna para o caminho.

     A minha tia ajudou-me a vestir o sobretudo, abotoou-me a touca e ela pôs o xale de lã. Meu tio enfiou a samarra, pôs o chapéu de feltro e esperou que ambas saíssemos para encostar a porta.

       Descemos as escaleiras e queixámo-nos do frio todos quase em simultâneo. A minha tia aconchegou-me a ela  com uma ponta do xale. Eu abracei-a pela cintura e caminhámos agarradinhas uma à outra. 

     Mal chegámos ao portão do curral, meu tio Eduardo assomou à porta e fez-nos entrar. A minha tia Palmira apressou-se a pôr mais umas cepas de giesta e uns  ramos de carqueja para que o lume tivesse labareda viva e aquecesse bem toda a gente.

     Depois das "boas noites" tirámos os agasalhos que dependurámos nos cabides à entrada. 

     Os tios sentaram-se à mesa, com os pés no estrado da braseira onde as brasas espreitavam avermelhadas debaixo de duas pratas (para não se apagarem) . Nós sentámo-nos nas cadeirinhas de verga em volta do lume. A tia tinha feito umas bicas doces e tinha galhetas e bolachas de Navas Frias que pôs na mesa pequena. A mesa pequena era uma mesinha com duas gavetas uma para o talher de uso no dia a dia e a outra para colocar os pratinhos com as sobras de carne cozida do almoço, o queijo... Puxava-se para perto do lume à hora da refeição se só estavam as pessoas da casa. Mas, agora servia de apoio à ceia.  O leite da vaca já estava fervido e bem quentinho no tacho de esmalte sobre a trempe.

Minha tia Maria tinha levado uma "pasta" de chocolate e lascou um tomo para o leite. 

Entretanto  encheram-se as canecas e cada qual pegou na sua e íamos tirando um bolinho . As tias foram também para a mesa grande e vá de baterem uma sueca!...

     Durante o jogo ninguém "piava"! Meu tio Eduardo ia aos arames se ouvia uma palavra ou se alguém tentava fazer sinais. Atirava logo com as cartas. Mas, entre cada jogo, soltava gargalhadas estridentes quando ganhava; ou, dizia pela décima vez, que se não fosse aquela bisca estar seca, sequinha..., não teria perdido de certeza.

    Depois de ganharem e perderem eram horas de voltarmos a casa.  Vestimos os agasalhos! O frio agora ainda era mais gelado!... Atravessámos o Enxido em passos largos.

     O tio foi pôr um pouco de feno à Mimosa, enquanto a tia punha a água da panelinha que deixara ao lume na botija de barro. Enrolou, também,  o meu "rebolinho" e foi levar-me à cama. Pedi a benção aos dois, rezei ao Pai do Céu  e caí na minha enxerga de folhelhos onde adormeci de imediato com as fadas e musas.

Georgina Ferro