quarta-feira, 28 de julho de 2021

ANIVERSÁRIO - Teresa Soares

TERESA BELO SARES

28-07-1944

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!


terça-feira, 27 de julho de 2021

ENCONTRO COM A ARTE - PROSA A TI BALBINA...

 A Ti Balbina

 A Ti Balbina fora numa carreirinha até Navas Frias para comprar três pães! É que já devia um à ti Maurícia e, desse, pouco mais haveria do que um codornito! Desde que tivera as “maleitas” que mal se “astrevia” a ir andar o caminho quanto mais ter que carregar tanto peso!  A ti Virgínia disse-lhe que podia levar a sua Laurinda para lhe fazer "carava" e sempre lhe dava uma ajuda no carrego do pão. Já tinha quase nove anos e já aliviava muitas vezes a mãe até a carregar o cântaro cheio de água.

 Não sei quem ficou mais contente se a Ti Balbina ou a Laurinda. E lá foram ambas calcorrear ladeira acima, ladeira abaixo. Para lá tudo correu bem. A Ti Balbina ia num passo regular, embora com menos genica do que há uns meses atrás. A Laurinda quedava-se de vez em quando a olhar as borboletas ou a olhar para uma flor “que era tão linda”, dizia ela. Depois dava uma carreirinha e ainda passava à frente da Ti Balbina. 

 Estavam quase a chegar a um morro quando avistaram os guardas. Nem era tarde nem era cedo, meteram-se num “tchão” e começaram a apanhar beldroegas para o marrano. Os guardas vinham de regresso ao quartel deram-lhes os bons dias e continuaram a caminhada. Elas esperaram que eles se afastassem e retomaram a viagem.

 _Ai Mãe!, Laurinda! Dizem que aquele guarda é tão mau!... Outro dia correu atrás do nosso Olímpio que tinha ido a casa da Ti Rita comprar um "poquenino" de petróleo numa "almotolia". Ele pensava que era azeite espanhol e quase o arrastava para o quartel. Não fora o senhor Sargento conhecê-lo bem e ter acreditado nele a esta hora estava no “calaboiço”! Parece que para os lados de Valverde matou uns contrabandistas que traziam "galhetas" e “tchancas” para os "catraios" calçarem. Tiveram que o tirar de lá, senão o povo ainda lhe fazia alguma espera!

 _ Ai Ti Balbina, será que ele fica à coca a ver se nos vê voltar?

 _ Não, não deve ficar! Agora vão mudar de turno. O melhor é nós nos “aviarmos depressinha”.

 Mal chegaram ao comércio compraram o pão e um laço para o cabelo da cachopita! Ela parecia que tinha recebido o maior presente da sua vida! Deu-lhe um grande abraço e nem sei quantos beijinhos para agradecer à ti Balbina. 

 E não quiseram demorar mais. Elas a saírem do comércio e o ti Ferreira a chegar.

  _Olhem, quedem-se por aí um "poquenino" porque os carabineiros ainda agora tiraram o pão a um magote de gente! Estavam no caminho da Lageosa mas acho que ainda não vieram almoçar. ( Avisou-as o Ti Ferreira). 

 E lá ficaram com os olhos cravados no quartel até avistarem as fardas verdes. 

 Já eram umas três da tarde quando conseguiram botar pé no caminho!

 O Ti Abel Músico vinha do moinho do Prado Castelhano e conseguiu pôr dois pães nos alforges da burrica, para aliviar a Ti Balbina e a Laurinda.. Elas carregaram o outro no "talego" à cabeça. 

 Não é que os guardas as  esperaram à Lage da Lancha?! Fizeram-nas ir deixar o pão ao quartel e o malvado do guarda, com uma navalha, esquartejou o laço todo à cachopa. Dizia ele que bem tinha reparado que ela não tinha laços na cabeça quando tinham fingido que andavam a apanhar ervas para a vianda! 

 A criança ficou lavada em lágrimas e com uma raiva imensa! Os outros guardas olhavam-no com desprezo e tristeza! Passados uns dias o senhor guarda Joaquim e o senhor guarda Brites foram a casa da Ti Balbina levar uma fita nova para o laço da miúda. Quase a pedirem desculpa pela malvadez do colega. Mas pediram que não dissesse a ninguém. Tinha sido a mulher do Ti Joaquim que a tinha comprado. O pão é que não lho podiam devolver!...

 Georgina Ferro


segunda-feira, 26 de julho de 2021

ENCONTRO COM A ARTE - FOTOGRAFIA - Miradouro do Picoto dos Barbados sobre Coimbra

Picoto dos Barbados é um lugar da freguesia de Santo António dos Olivais, situado na cidade de Coimbra, Portugal. Aqui pode apreciar uma bela vista sobre a cidade de Coimbra, visitar a Capela de Santo António, ou passar um momento agradável e refrescante na Mata Nacional de Vale de Canas Wikipédia
    Fotos Municipio de Coimbra

sábado, 24 de julho de 2021

ANIVERSÁRIO Ana Guilhermina Pinto

ANA GUILHERMINA  PINTO

              ANAGUI

24-07-1950

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!
 

ANIVERSÁRIO Maria José Neves

MARIA JOSÉ NEVES

 ZECA NEVES

24-07-1943

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS! 

domingo, 18 de julho de 2021

APANHAR NO COIRO E FICAR POR CIMA...Texto do Professor Antonino Silva


Apanhar no coiro e ficar por cima.


Nem sempre quem porfia mata caça. Muitas pessoas fazem tudo o que podem por uma vontade ou o cumprimento de um desejo e não conseguem. No lado contrário, temos as vitórias conseguidas com baixo esforço. Não é por isso que são menos ditosas e menos felizes, como é o caso desta história de que me lembro.

Estávamos então naquele intervalo entre a implantação da República e a presidência majestática de Sidónio Pais. Era uma década que se preparava para tudo, até para uma guerra que viria a devastar a Europa e a mostrar ao resto do mundo que, afinal, os europeus também sabiam ser inclementes na selvajaria e que o eurocentrismo era uma balela alimentada por quem a proclamava. Parecia impossível que um continente que se proclamava civilizador dos outros povos, raças e nações se portasse agora pior que os mais bárbaros cafres e ‘selvagens’ chefes tribais. 

Por cá, enquanto a guerra não vinha, a testosterona dos mancebos era posta à prova em vários episódios que envolviam orgulhos coletivos, como eram o caso das escaramuças nos bailes das aldeias ao som das filarmónicas. Então, entre os rapazes de Magustim e os de Maçãs era tiro e queda: não havia baile em que a zaragata não fosse chamada por causa de brios ofendidos, de uma piscadela de olho à catraia comprometida ou de um encontrão intencional nos rodopios da dança. Armava-se logo grande burburinho e nem as famílias escapavam.

Na festa da Sra. da Guia voltou a acontecer o mesmo. O dia tinha corrido bem da parte da manhã, durante a missa campal celebrada pelo Cónego Baptista. A espiritualidade do local e da festa da padroeira foi bafejando a paz até ao fim da procissão. À hora do almoço, comido à volta de um eucalipto no recinto da festa, o Gaspar empachou arroz do forno com capão, um dos pratos que mais apreciava nestes dias. Preferia o naco do peito, “por causa da rilha”, dizia, enquanto levava o garrafão aos beiços. Noutra roda, a família do Sacristão valia-se de um coelho estufado, comido com pão e regado, também, a goles vertidos do gargalo do vasilhame de cinco litros.  De um e outro lado, a sede era já pouca quando começou o baile. 

O rastilho para a confusão estava lá: um era de Magustim e o outro de Maçãs e ambos andavam perdidos pela Conceição Bela. Ela, por causa das coisas e prevendo o desarranjo que se podia gerar, disse que não a um e a outro, quando foi solicitada para a dança. 

Sem tentarem perceber os motivos, cada um deles atribuía a culpa da nega ao outro e pegaram-se de razões. As famílias e os conterrâneos não se puseram de parte, de tal forma que tudo se transformou num arraial de porrada sem conto. Os praças da recém criada GNR viam os quepes e voar e tiveram de fazer uso de bastonadas dadas generosamente a quem estava no raio de ação do braço. As crianças refugiavam-se nas saias das mães e o tesoureiro da irmandade mandou recolher a mesa com as doações e os pagamentos dos anuais, não fosse o diabo tecê-las.

O Gaspar e o Sacristão, no meio disto tudo, viram-se frente a frente, um de varapau em riste e outro com um pequeno revólver escondido no bolso do casaco. Foi num repente que tudo aconteceu: o Gaspar deixa cair a vara repetidamente nas costas do outro, enquanto este, disfarçadamente, dispara de dentro do bolso, acertando na mão que o Gaspar tinha no ar.

As autoridades conseguiram pôr ordem na festa e acalmaram os ânimos; o Reitor da capela e os membros da mesa fizeram das suas palavras uma tal sermonária que todos se sentiram envergonhados e a paz reinou. “Siga o baile!” -  Disse o juiz da festa.  

Assim foi, mas alguém ficou a remoer: um e outro esbaforiam a prosápia da vitória perante o grupo dos amigos. O Gaspar, porque tinha dado duas valentes arrochadas no rival, muito bem assentes, como pedra em muro, apesar da mão a sangrar. Estavam dadas, estavam dadas; não as queria de volta. De certeza que os vergões do varapau deveriam ter feito mossa nos costados do outro. Tinha-o ouvido impar à primeira e à segunda. O Sacristão gabava-se, porque vazara a mão ao concorrente, mau grado as bordoadas que tinha apanhado. Sentia um desarranjo por dentro, mas de certeza que a mão do Gaspar não teria melhor conserto. Talvez nem na quinta-feira, quando fosse a Lamego ao Paula, ao compõe ossos, conseguisse recuperar toda a agilidade de antes. Ambos derreados, mas ambos cheios de vista, como um pavão.

Entretanto, a Conceição Bela passeava de mão dada com o Arnaldo, o meu avô, que não tinha nada a ver com a história.

Antonino Silva

quinta-feira, 15 de julho de 2021

quarta-feira, 14 de julho de 2021

ANIVERSÁRIO - Helena Parreiral

MARIA HELENA PARREIRAL                                 LENA  PARREIRAL

14-07-1947

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MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!
 

terça-feira, 13 de julho de 2021

 


CADA UM É PARA O QUE NASCE …

Foi num dia de primavera que o conheci. Todos os dias, quase todos os dias, ele descia a estrada em grande velocidade, fazendo alarde de uma técnica de dominar uma bicicleta de competição que não estava ao alcance de um qualquer leigo. Vistoso no seu fato de licra azul, uma fita na cabeça que lhe prendia o cabelo longo e óculos de competição , curvava inclinado para a direita quase roçando o chão, com fé talvez no Divino e na sua bicicleta italiana Campanollo de dupla roda pedaleira e muitas desmultiplicações. Um dia parou junto daquela curva e apresentou – se – me. Disse o que eu já desconfiava. Que era ciclista profissional da equipa Sicasal, com mais de uma dezena de voltas a Portugal e um título de campeão nacional de estrada em 1993. Acrescentou que vivia em Almaceda, que dali distava mais de uma vintena de quilómetros, uma aldeia encravada entre montanhas. E foi assim que conheci o Raúl Matias.

O Camilo era emigrante e repórter de guerra de uma cadeia de televisão francesa. Um dia chegou junto de mim enquanto eu olhava a Serra do Moradal, e desatou num monólogo das suas façanhas de jornalista entre tiros e canhões , fugas precipitadas e dedos gelados do frio. Depois falou-me da mulher dos seus sonhos, que era um anjo que lhe aturava a sua faceta destemida de máquina de filmar em punho e bloco de notas a cair do bolso de trás das calças lá pelas bandas do leste europeu. Deu-me então uma forte palmada nas costas, para me afirmar que eu estava mais novo, como se alguma vez já nos tivéssemos visto. Tinha tanto de gabarola como de bom rapaz.

Naquela tarde de verão, o Camilo apareceu junto do meu escritório com vista para a Serra da Raposa, montado num bicicleta velha vulgarmente conhecida por “pasteleira”. Calções e uma camisola fresca eram a sua indumentária desportiva naquela tarde quente. No café da curva, bebemos uma cerveja. Foi então que a toda a brida apareceu o Raúl Matias. Ao ver – nos travou a fundo, encostou a bicicleta a um plátano e lá veio mais uma rodada de cerveja com tremoços. O Camilo naquele seu jeito de dizer pouco e falar muito, perguntou ao Raúl se ele andava treinar. E o Matias, descontraído enquanto chegavam à mesa mais uns pacotes de amendoins, disse - lhe que não. Só tinha vindo dar um pequeno passeio. Refrescados, o  Camilo dispôs-se a acompanhar o Matias.  O Camilo com o seu rabo gordo e a cabeça derramada sobre o guiador da “pasteleira”. E o Raúl de máquina Campanollo de competição  e fato de licra. E lá partiram ambos estrada abaixo. Fiquei sentado à sombra da árvore e o tempo foi passando. Por fim, comecei a ficar inquieto. O Camilo nunca mais voltava, já que do Raúl eu não me preocupava pois aquela era a estrada para a sua terra – natal. Então, não resisti e meti-me no carro na busca de ambos. E foi ali junto ao Pontão da Ribeira do Chão da Vã seca como as palhas por ausência de água naquele tempo tórrido, que fui dar com o Camilo sentado no chão encostado a um sinal de trânsito, todo transpirado da suas bochechas gordas e rosadas, a arfar de cansaço, enquanto com o nervoso miudinho ia mordiscando a raiz de uma planta daninha para me dizer de maus modos_

- Olha, se o gajo diz que anda só a passear que vá correr para a terra da avó dele !!!

E derrotado por uma aventura breve que apenas tinha durado escassos cinco quilómetros com os pulmões em brasa, lá ficou a arranjar forças para regressar à desejada esplanada de onde tinham partido para apagar o fogo nas entranhas com mais umas cervejas. E eu de carro voltei tranquilo e a meditar que provavelmente nem o Camilo dava para ciclista profissional, nem o Matias com o seu ar cordato e tranquilo dava para repórter de guerra …

Realmente, cada um é para o que nasce …

Kito Pereira     

segunda-feira, 12 de julho de 2021

ANIVERSÁRIO Helena Garcia Marques

MARIA HELENA CHAVES GARCIA MARQUES

                         LENA GARCIA

12-07-1952

Nesta data especial...

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MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!


 

sábado, 10 de julho de 2021

ANIVERSÁRIO - João José Carvalho Ferreira

JOÃO JOSÉ CARVALHO FERREIRA

              BIG JOHN

10-07-1948

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!