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sábado, 13 de janeiro de 2018

EM LOUVOR DO CALDAS SPORT CLUB ...







 Uma pedrada no charco do futebol profissional ...

A edição deste ano da Taça de Portugal em futebol, trouxe a surpresa de ter nas meias – finais, a equipa amadora do Caldas Sport Club. Formada por jogadores da região que trabalham e jogam à bola, recebendo uma pequena ajuda que juntam aos seus salários, o grupo conseguiu ir passando por entre os pingos da chuva, até ter chegado a este patamar desta prova a eliminar. 

Representativa de uma cidade e de uma região, esta agremiação  fundada em 1916,  é merecedora do respeito daquelas que, não padecendo de clubites exacerbadas, levam o futebol como fator de aproximação de pessoas e não de divisão entre povos e regiões. Nada neste texto faria sentido, não fosse uma observação atenta ao que se passou no Campo da Mata, aquando da visita da nossa Académica. Um estádio pequeno e cheio como um ovo de entusiastas de ambos os lados. Uma saudação ao adversário pela amplificação sonora do estádio, coisa rara nos tempos que correm, e crianças vestidas a rigor com o equipamento do grupo da casa, a festejar a entrada das equipas em campo, deram cor ao dia cinzento a ameaçar chuva. Afinal, uma festa. A festa do futebol genuíno como espetáculo de massas, sem corantes nem conservantes. Julgo que o talismã da palavra Académica, também terá pesado no saudável ambiente que se viveu. A Académica de Coimbra, suscita sempre a simpatia de quem a vê como um fenómeno que está para lá do campo meramente desportivo. 

Ainda hoje, apesar das vicissitudes, a Briosa é respeitada e acarinhada não só pelos seus seguidores, mas também por uma multidão que nela ainda vê um lado romântico do desporto. Há dias, em conversa breve com o Dr. José Belo, antiga glória da camisola negra, ele disse-me que tinha falado com apoiantes que foram às Caldas da Rainha e que, apesar da derrota, havia um sentimento geral de que tinha sido uma grande tarde de futebol e de festa.

Mas hoje, é o Caldas Sport Club que está na ribalta para alegria das suas gentes. Sei, tenho a certeza, que quem vai acompanhando esta epopeia de um grupo de jogadores amadores, de norte a sul de Portugal, veste agora solidariamente a camisola que também é negra do Caldas Sport Club. É provável, muito provável, que esta aventura esteja no fim. Um bando de milhafres acabará por espatifar um pardal. Mas este grupo da simpática cidade das Caldas da Rainha já fez história. Um hino de transparência à essência do desporto e suas virtualidades, em contraponto com o mundo obscuro e opaco do futebol profissional. Uma pedrada no charco dos interesses instalados. Uma pérola de querer e de crer, de um grupo de aguerridos rapazes, que todos os dias labutam na procura da sua subsistência e que, por acaso, também gostam de jogar futebol.
Quito Pereira