Na
nova página do Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra, aprende-se muito sobre as tradições e as festas académicas desta cidade. Temos é que descontar muitos erros ortográficos, frases dúbias ou mesmo mal redigidas. Mas não admira, que o Conselho é composto pelos maiores cábulas da Universidade de Coimbra.
Como eles explicam nessa página:
"O Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra –
Magnum Consilium Veteranorum – é uma assembleia constituída exclusivamente por veteranos, em número mínimo de 9, e reúne mediante um “Convocatio” a afixar na porta principal da A.A.C. e na porta da sala Sr. Xico (...)
As deliberações tomadas são tornadas públicas em “Decretus”, também escrito em latim “macarrónico” e assinado pelo Dux Veteranorum, assim como pelos veteranos presentes na reunião do Conselho de Veteranos.
(...) Ao Conselho de Veteranos compete tomar todas as decisões relacionadas com a praxe, que achar oportunas e aconselháveis, legislando nos casos omissos. O Conselho de Veteranos é presidido pelo Dux Veteranorum."
Algumas das muitas coisas que lá se aprendem sobre a praxe coimbrã:
"A Hierarquia da Praxe, em escala ascendente, é a seguinte:
I Bicho
II Paraquedista
III Caloiro Nacional
IV Caloiro Estrangeiro
V Novato
VI Caloiro Pastrano
VII Semi Puto
VIII Puto
IX Candieiro
X Candieiro Grelado
XI Candieiro Fitado
XII Duplo Candieiro
XIII Bacharel
XIV Bolognez
XV Marquez
XVI Veterano
XVII Dux Veteranorum
Dux Duxorum é uma categoria honorífica da Praxe, atribuída pelo Conselho de Veteranos a antigos Dux Veteranorum’s."
"A Praxe de rasgar a Capa e Batina após a formatura deverá ter surgido com a “Farraparia”. A “Farraparia”, que durou até cerca de 1910, era feita na Faculdade de Direito após o “Ponto” , anúncio do último dia de aulas,em que os alunos do 1ºano faziam espera aos do 5º ano, que perseguiam com a finalidade de lhes rasgar as batinas e as capas. Até 1917, “no dia da formatura colectiva de todos os finalistas da Faculdade de Medicina, os recém-formados organizavam uma grande festa, com muita música e foguetes, e num cortejo de carros iam fazer as suas visitas de cumprimentos aos Mestres.” (in “A Academia de Coimbra” de Alberto Sousa).
O livro “Boémia Coimbrã”, João Eloy elucida‑nos que “duravam vinte dias as provas dos de Medicina. A cada estudante era distribuído um doente, e no último dia de assistência, os estudantes determinavam nas papeletas, dietas finas, que até metiam champagne.
Terminadas as provas,todos os Lentes de Medicina se reuniam na Reitoria para votação dos resultados, depois do que o Bedel do alto das escadas da Reitoria, lia as classificações finais terminando pela frase consagrada:
‑ Parabéns senhores doutores.
Do alto da torre era lançada uma girândola, a filarmónica postada no jardim tocava o Hino Académico, os sinos repicavam e os novos médicos iam postar-se à Porta Férrea aguardando a saída dos Lentes, que passavam entre alas, apertando a mão aos antigos discípulos aos quais davam o tratamento de colegas.
Seguiam depois os estudantes em grupo, ao som do Hino Académico, até ao Largo da Feira, vendo-se as janelas das ruas por onde passavam, enfeitadas com colchas amarelas, a cor da Faculdade de Medicina.
Estoirava então a grande girândola, a maior que então se queimava em Portugal, e de seguida os estudantes dirigiam-se a casa dos Mestres, onde eram obsequiados como amigos.
Esta PRAXE de rasgar o vestuário não era aplicada, como se compreende, às estudantes. Mas, após o ressurgir da PRAXE, a meio da década de 80 começaram as estudantes a sofrer essa Praxe, mas com limitações. Rasgavam o que era poupado aos rapazes: o colarinho, punhos, gravata e meias.
Com a Praxe do “rasganço” chega ao fim não só o curso universitário mas também uma vivência da juventude apenas possível em Coimbra, pois “Coimbra tem mais encanto na hora da despedida”, pelo menos para quem a viveu e/ou vive intensamente."
Isto é só um pequeno excerto do que
podem lá ler, clicando nos links e nas imagens de cada tema.