sábado, 12 de junho de 2021

ANIVERSÁRIO Rosa Gândara

ROSA MARIA GANDARA

12-06-1946

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!





terça-feira, 8 de junho de 2021

IN MEMÓRIAS & INSPIRAÇÕES

 


"Ao Domingo era dia de banho. Não é que não me lavasse nos outros dias, mas a falta de energia eléctrica e água canalizada, obrigavam a ter alguma parcimónia nesses luxos higiénicos. A bacia, enorme, já estava atestada com água aquecida ao lume, e a grande panela, preta de fuligem, estava também cheia, e ali à mão, para “a última passagem”. Usava um pedaço de sabão azul e shampoo de ovo Palmolive, penso eu, (um luxo recente e cuja saqueta tinha de dar para todo o mês). Depois vestia roupa lavada cheirando a Clarim, e seguia para o Terreiro da Fonte, a ver “como paravam as modas”… A canalha juntava-se ali a par com os adultos que preguiçavam, e comentavam a beatitude de quem saía da missa, ao mesmo tempo que abordavam as incidências dos bailaricos do dia anterior e a previsão do jogo de futebol no Vale do Fojo, no início da tarde. De vez em quando, aparecia um amigo com uma bola e logo se começava um desafio de futebol, mas apenas reproduzindo marcações de canto, adaptando por baliza a porta da Capela do Espírito Santo. Sim, depois de tomar o banhinho, nada como transpirar um pouco para colocar tudo no devido lugar… Do fim da missa à hora de almoço era um ápice, e aos poucos o Largo ia ficando vazio de gente, porque a canja e a galinha “atestada” com batatinha assada e arroz, já esperavam na casa de cada um…bem, nem sempre, mas às vezes lá calhava..." in Memórias & Inspirações

José Passeiro

domingo, 6 de junho de 2021

ANIVERSÁRIOTeresa Bento Prata

MARIA TERESA BENTO PRATA

06-06-1942

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!
 

quinta-feira, 3 de junho de 2021

 

A CARECA DO SÁ …

 


Em África, bebi muitos cálices de fel. A guerra, a doença e a saudade, faziam parte do quotidiano de cada um de nós, dos que lá mourejavam sem sentido, pela teimosia absurda de Lisboa. Porém, a camaradagem, o espírito de entreajuda e a amizade, ajudavam a digerir aquele caldo de vinagre que nos era imposto. E, na amizade, incluo as patifarias com que nos brindávamos uns aos outros. Afinal, a única forma de afivelarmos no rosto um sorriso ou até uma sonora gargalhada. E são esses momentos que prefiro recordar, com quem está numa esplanada de praia, a beber em pequenos tragos, um cálice de Licor Beirão. Avancemos pois. O homem tinha um nome simples e pequeno - chama-se Sá. Apareceu-nos lá um dia vindo de Portugal, de mochila às costas, para iniciar a sua campanha militar. Logo de início se percebeu que era vaidoso. Cultivava o seu ego e era vê-lo horas ao espelho, a mirar-se e a passar o pente pelo cabelo. E nós de lado, deitados em cima das nossas camas de sobrancelha franzida, a pensar na melhor forma de lhe sabotar as peneiras. E foi o seu feitio crédulo, o mote para mais uma pirataria. Um dia, quando o Sá penteava pela milésima vez o cabelo e olhava o espelho pendurado num armário, o Pinto disse-lhe:

- Óh Sá, tu estás a ficar careca, pá !!!.

 Combinados uns com os outros, nós confirmávamos a coroa de padre bem redondinha, que o homem tinha bem à vista. Foi um drama! A partir daí, o Sá torcia-se todo, tentando com dois espelhos, ver a parte traseira da sua luminosa cabeça. Na verdade, não havia qualquer ausência de pilosidade. Mas a mentira, repetida tantas vezes, surtiu efeito. Desesperado, procurou ajuda no enfermeiro. Debalde. O Azevedo só percebia de ligaduras e quando dava injeções, espetava a agulha no mínimo, quatro vezes - .uma carnificina !!!. De cabelos, percebia pouco ou nada. O Amorim, que dava uns jeitos de barbeiro, também não tinha o elixir mágico que devolvesse a alegria ao pobre Sá. Foi então que alguém lhe indicou o Alferes Paulo, transmontano meio louco, que era o responsável pelo parque de viaturas do quartel. O Sá, correu então para o seu salvador e da oficina trouxe a receita que teria utilizar meticulosamente todos os dias de manhã. Esfregar uma pequena porção de massa - consistente no couro cabeludo. E à noite lavar bem a cabeça, antes de se deitar. Esperançado, o infeliz assim fez. Mas como Deus às vezes é justo, quem sofreu fomos nós, os mentores da brincadeira, todos os dias no refeitório a cheirar aquela pasta acre e luzidia a brilhar no cabelo do Sá. Há tempos, depois de quatro décadas do regresso de Canjadude, encontrámo-nos num almoço de confraternização militar. Sempre a mesma pose. Sempre a mesma vaidade. Mas não cheirava a massa - consistente. Cheirava a água – de - colónia barata de supermercado. Um enjôo !!! Nós os nove, que estávamos à volta daquela mesa e que por coincidência tínhamos colaborado na patifaria, de novo fomos penalizados pelos nossos pecados. Realmente, Deus às vezes é justo ...

Kito Pereira            

 

terça-feira, 1 de junho de 2021

ANIVERSÁRIO Mariana Moura

MARIANA MOURA

01-06-1990

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MUITAS FELICIDADES!

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ANIVERSÁRIO Joana Moura

JOANA MOURA

01-06-1990

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MUITAS FELICIDADES!~

PARABÉNS!
 

domingo, 30 de maio de 2021

ANIVERSÁRIO Lekas Soares

ALBERTINA SOARES

        LEKAS 

30- 05- 1944

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MUITAS FELICIDADES!

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sexta-feira, 28 de maio de 2021

ANIVERSÁRIO Fernando Rafael


 FERNANDO OLIVEIRA RAFAEL

28-05-1936

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ANIVERSÁRIO Fernando Quaresma

FERNANDO QUARESMA

28-05-1049

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terça-feira, 25 de maio de 2021

 

A MULA …

 


Era uma vez uma mula. Gorda e lustrosa assentou arrais aqui, num quintal vizinho. Foi o Tozé Gouveia que a trouxe presa por uma corda. Quando a vi simpatizei logo com o animal. Tem um olhar doce, enquanto lhe vou fazendo festas no focinho e ela, de agradecimento, zurra que até parece o timbre de voz do Frank Sinatra, salvas as devidas proporções. Mal se apanhou no quintal atapetado de erva fresca, meteu o corta - erva no chão e começou a comer desalmadamente. Não de fome, mas de gula. A alegria era tanta que se urinou toda, com um jacto mictório que mais parecia a Fontana di Trevi, em Roma. Outra vez salvas as devidas proporções. O Tozé, de olhos arregalados a coçar o cocuruto do boné que trazia na cabeça, via a mula a limpar erva à velocidade do TGV e começou a ficar incomodado. É que o quintal não era dele e a bicha era pouca dada a cerimónias. Depois ameaçou que lhe partia dois dentes com um paralelepípedo, para depois se rir com a minha cara de inocente que até estava a acreditar. O Tozé é um bem - disposto da vida. Temos uma relação de amizade  e o meu amigo tem um  restaurante – a NAVE - onde se come muito bem e faz um “Cozido à Portuguesa” aos domingos de fazer rezar o mais ateu:

- TóZé, hoje quero comer uma coisa ligeira … pode ser umas batatas fritas e uma omeleta …

- E o Senhor Pereira deseja a omeleta feita de preferência com ovos ?

Mas hoje quem brincou fui eu. A saborear uma sopa de grão com couves, atirei-lhe muito sério e um ar preocupado:

- Tozé, acho que te roubaram a mula …

O homem, se não tivesse uma barba cerrada, eu diria que ficou pálido e quase deixou cair ao chão a bandeja dos grelhados …

- Mas porque é que diz isso?

- Fácil … não a ouvi zurrar …

 - Então faça-me um favor – dizia ele inquieto – espreite pelo buraco da fechadura do portão …

Desci a estrada e junto à farmácia “Vaz Pereira”  espreitei. O buraco da fechadura do portão opaco em ferro maciço é enorme, mais parece um olho de elefante e o animal lá estava. Ou por outra, estava o olho dela do outro lado, também a olhar pela fechadura e ficámos quase pupila com pupila. Pressentiu gente e veio indagar. Estava no seu direito. Sentindo que poderia ser o dono, zurrou de alegria, atrevo-me até a dizer que se excedeu, subiu de estatuto e relinchou como o cavalo rampante do Gary Cooper. Outra vez, salvo as devidas proporções …

Quito Pereira         

segunda-feira, 24 de maio de 2021

ANIVERSÁRIO Mário Rovira


 MÁRIO  ROVIRA

24-05-1935

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domingo, 23 de maio de 2021

COIMBRA DE OUTROS TEMPOS...

old_coimbra

Nos anos 90 a Rua Ferreira Borges foi fechada ao trânsito e empedrada. A baixa ficou mais amiga do cidadão e arejada



quarta-feira, 19 de maio de 2021

ONDE NÃO SE FAZ MOLHO, NAO SE ESTENDE VENCILHO

 Onde não se faz molho, não se estende vencilho.

A recorrência dos temas, ou melhor, a recorrência de alguns tópicos de abordagem similares quando falamos de temas distintos, é uma forma grata de construção do discurso. Não se trata de preguiça nem de cópia cediça ou requentada, retocada aqui e ali para dar um ar de novo; trata-se, isso sim, de um exercício de coerência, da edificação de pedras angulares daquilo que somos enquanto pessoas que comunicam. Refundir e usar as coisas é uma forma de criar o caráter e todo o crescimento parte do que já existe; nada se cria do nada.

Com esta ideia, gostaria de voltar a falar da importância que algumas personagens têm na nossa vida, porque nos ensinam e nos dão o motivo de escrever. É um pouco esquisito quando as personagens que construímos são quem nos ensinou o que sabemos. Fica sempre aquela sensação de que não lhes estamos a fazer a justiça devida quando falamos delas e as tornamos protagonistas das nossas histórias. Elas são os nossos professores e nós, os supostos criadores, somos os seus alunos, pois ficção e realidade andam, neste caso de mãos dadas. Os nossos familiares e vizinhos mais velhos são os nossos mestres, porque nos ensinam, e quando falamos deles, seja porque já partiram, seja porque não estamos cercanos, tornamo-los em personagens das nossas histórias e são, por isso, figuras de ficção. 

A este propósito, assaltam-me a lembrança algumas conversas com metáforas de sabedoria em que ele, andando com o filho a apegar batatas –  isto é, a realizar a primeira rega a pé das batatas, em que o terreno teria de ser todo ele nivelado à força de sachola para que a água chegasse a todos os pés de toda a torna – ensinava cantigas antigas e se saía com alguns aforismos de sabedoria popular. Na altura, parecia ao jovem que algumas das frases não faziam sentido, até porque ele já estudava na cidade, no 12º ano, e o pai só tinha a 4ª classe.  No meio daqueles almanaques de ensinamentos usou uma frase com, supostamente, uma moralidade implícita: “onde não se quer fazer molho, não se estende vencilho”. Para o jovem, todas as palavras faziam sentido, mas a frase não. Era claro que onde não se vai fazer o molho não se coloca o vime ou as cordas que serviriam de vencilho – ou vincelho – e por isso a frase não representava nada mais do que isso. Contudo, as palavras ditas a seguir foram a pedra de roseta daquilo que tinha dito: “Agora que começaste a namorar, vê lá como te portas!”

Afinal, a forma lúdica de pedagogia tinha agora assumido uma conversa de homens, muito para além de uma transmissão de ensinamentos gerais. Havia ética e moral no que dizia, havia a pedagogia dos valores que fazem caminhar com a coluna direita. Admirava-se o jovem por o pai já saber do namorico que tinha começado há pouco, – geralmente são as mães quem primeiro se apercebe disso e os pais fingem não saber – mas percebia perfeitamente o que ele queria dizer. Por isso, no domingo, depois da missa e enquanto a acompanhava a casa, ao subir a costa do cemitério, decidiu que era por ali que queria estender o vencilho e fazer com ela o feixe da sua vida. 

...e continuamos casados.

Professor Antonino Silva


domingo, 16 de maio de 2021

sábado, 15 de maio de 2021

quinta-feira, 13 de maio de 2021

 

UMA HISTÓRIA MUITO PICANTE …

 

Desiludam-se os meus amigos que estão à espera de uma qualquer anedota de caserna. Porque a história que venho contar tem a ver com culinária do mais alto gabarito. Eu conto:

 - Metido lá nos confins do mundo na Guiné dos mil perigos e das mil doenças, por vezes demandava Nova Lamego, onde debaixo de um telheiro de chapas de zinco e com um pequeno saco de roupa na mão, esperava um avião barrigudo da Força Aérea Portuguesa que me transportaria até Bissau. A capital do reino era o meu destino, onde no hospital local me sujeitava a consultas médicas pela minha frágil saúde. Então lá levantávamos voo, com o aparelho a subir nos céus em círculos largos até uma altitude de segurança que o precavesse de qualquer disparo inimigo. Eram mais de uma hora sentado num banco de lona, com o queixo quase encostado aos joelhos, um calor insuportável e um barulho dos motores que me arruinava os tímpanos.

Em Bissau eu tinha um aliado. Um amigo do antigo Bairro Marechal Carmona que ali fazia a sua comissão de serviço no Laboratório Militar. Tinha um quarto alugado com duas camas e,  amavelmente ,convidava-me a ficar com ele em vez de me alojar no Quartel - General da cidade. Eram noites em que ficávamos acordados até às duas ou três da manhã, falando das saudades de Portugal, de Coimbra e do nosso Bairro.

De dia cada um girava à sua vida. Pela hora de almoço eu ia almoçando ao Deus Dará ou na messe do Quartel - General. O meu amigo, com capacidade financeira para tal, tinha um contrato mensal com o Grande Hotel de Bissau, onde almoçava todos os dias. Um dia, convidou-me a ir lá almoçar com ele. Acedi, um pouco embaraçado, pois não me via fardado de feijão – verde a entrar naquela unidade hoteleira de grande gabarito. Então apresentou-me o Amarildo, um africano com nome de brasileiro, que servia à mesa na sua impecável farda branca e um laço preto a roçar o queixo ossudo. A ementa não era extensa, mas ambos demos logo com os olhos num prato de frango com piri – piri. Já habituado a explosivos, escolhi aquele manjar, logo seguido pelo meu amigo que era grande entusiasta de comidas picantes. O Amarildo anotou o pedido e partiu. Regressou depois com uma bandeja e o que vinha dentro de um púcaro de barro não era frango com piri –piri   era uma bomba - relógio !!!

Mas não nos rendemos. A engolir a custo não sobrou nada. Nem uma asa do galináceo. De tarde, o meu preclaro amigo lá foi para o Laboratório Militar. E eu, que só tinha consulta na manhã seguinte no Hospital de Bissau, passei a tarde no Café do Bento, mais conhecido por 4ª REP, onde a emborcar “girafas” de cerveja tentava a apagar o fogo que me consumia as entranhas e desconfiado que tinha mais furos no estômago que o crivo de um regador.

Kito Pereira          

quarta-feira, 12 de maio de 2021

ANIVERSÁRIO- Isabel Maria Gaspar

ISABEL MARIA GASPAR

                LÓ

12-05-1949

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MUITAS FELICIDADES!

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sábado, 8 de maio de 2021

A FELISBERTA....


      A Felisberta tinha tinha cinco filhos pequenos. Um era ainda de colo. 
     O seu homem, o Armindo, tinha adoecido com as maleitas e havia uma semana que ardia em febre. O Chico da ti Rita já lhe dera injecções de penincelina e até já tinha tomado todas as mèzinhas aconselhadas pela ti Neves, mas cada vez se via a definhar mais e mais .
      As vacas tinha-as levado ela ao lameiro, com o mais pequenino embrulhado no xale e o outro pela mão. Os  três mais velhinhos (de dois, quatro e seis anos) ficaram sentados numa manta de trapos no balcão, enquanto iam debulhando umas baginas secas, ao desafio, cada um para sua malga a ver quem a enchia primeiro. Assim, estavam entretidos e não faziam barulho ao pai.
     Felisbela, foi num pé e voltou noutro.
     Quando estava a tapar o portal do lameiro, a te Maurícia acenou-lhe de longe e foi-se acercando para saber notícias do Armindo. Como também tinha ido levar a vaca, fez-lhe carava no regresso. Pegou-lhe no pequenito ao colo e a caminhada foi bem mais rápida. 
     A Felisberta estava muito consumidinha com a saúde do seu Homem. E o trabalho não se dava feito sem a sua ajuda. Os catraios eram tão novinhos que nem se atrevia a mandá-los sozinhos a fazer qualquer serviço. Mas, naquele dia ia ter que pedir ao seu Toninho, que fosse soltar as vacas de volta. 
    _ Hoje não é preciso. Eu vou buscar a minha e trago as tuas. - ofereceu-se a Maurícia. _ E olha lá mulher! Não tens o feno por agadanhar?
     _ Pois tenho, sim senhora, mas como é que eu posso? Mesmo que arranjasse carava não ia poder arranjar a merenda para todos. Se a minha mãe que Deus tem, cá estivesse!  E chorou duas ou três lágrimas teimosas que limpou do lado de dentro da aba do avental.
    _ Oh!, mulher, não te consumas mais. Então, logo tu que até grávida ias ajudar a toda a gente, achas que as tuas parceiras e os quintos do teu homem iam deixar o feno a apodrecer!? Deixa comigo.
     A ti Maurícia foi passando palavra e num instante arranjou quem fosse gadanhar para o Vale da Cruz, para os "Quintchóis" e para o lameiro das Fontainhas. Num só dia fizeram tudo. 
     A Felisberta ainda tinha meia dúzia de farinheiras, um "butcho" e duas chouriças de ossos. Também tinha uma enfiada de "baginas" secas  que davam para um bom almoço. Com a graça de Deus, dizia ela, tinha queijo curado e queijo fresco feito de véspera. 
     Para evitar muita mexida à volta do Armindo, foi tudo preparado em casa da ti Maurícia com a ajuda da ti Isabel Augusta. 
    _ Com amigos assim quem pode ficar doente?! _ dizia o Armindo a chorar como se não fosse um homem.
     Só que ele, por mais vontade que tivesse, já não tinha força para saltar da cama tão depressa. 
     Foi o senhor doutor Esteves que o encaminhou para Lisboa, para ser tratado. Mas estava tão fraco que o Chico do carro o foi levar, porque não aguentaria a camioneta da carreira para a estação do Barracão, quanto mais ir sentado nos bancos de tábua do comboio até Lisboa! E, em boa hora o fez, porque um mês depois já era o Armindo que não passava um só dia sem prestar ajuda a qualquer um dos seus amigos. 
     Era assim a vida das gentes da minha aldeia que tanto amo!...
Georgina Ferro

sexta-feira, 7 de maio de 2021

ANIVERSÁRIO - Ermelinda Ramos Antunes

ERMELINDA RAMOS ANTUNES

                  LHA

07-05-1941

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!
 

terça-feira, 4 de maio de 2021

ANIVERSÁRIO Ana Maria Freire

ANA MARIA FREIRE

04-05-1951

Nesta data especial...

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MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!
 

domingo, 2 de maio de 2021

ENCONTRO COM A ARTE - PINTURA DIA DA MÃE DOCE EMBALO...

 ...E a mamã, de cansaço, também adormeceu!


   Maria Guia Pimpão
   Acrílico sobre tela
   90/70cm


quinta-feira, 29 de abril de 2021

 


CRÓNICA DE FIM DE TARDE ...

 

Regresso hoje ao convívio dos amigos. Dos amigos que tenho virtuais, mas também reais das cidades que se cruzam comigo no meu horizonte de vida – Coimbra, Castelo Branco, Leiria e Lagos. Conheço o pulsar das quatro cidades, a de Leiria ainda em embrião. E hoje, martelando nas teclas do computador, recordo a capital albicastrense e do almoço  no “Arena de Verona”. Durante os dias de estadia, foi uma procissão de pratos italianos que me deliciaram. De ver as gémeas hoje adolescentes e de lembrar velhos tempos e da sua paixão pelo violino. De ouvir os conselhos de gastronomia de Zeza Aldriguetti e do sempre atarefado Evis Aldriguetti, que me saúda e me fala dos problemas da vida. E Hugo, empregado de mesa da casa, que me fala da Académica e me diz que tenha fé no êxito dos “estudantes” - uma amabilidade. Depois a cidade, na sua vida morna. Da farmacêutica que me conhece há longos anos e não tendo o produto que eu necessitava se meteu no carro e o foi procurar, mesmo sendo a compra de valor insignificante. Da calma e da ordem das gentes que junto ao pavilhão de vacinação aguardavam a sua vez. E da simpatia dos profissionais que ajudam a mitigar este pesadelo coletivo. Como está bela a capital da Beira Baixa ! Das filhós às resmas no escaparate das lojas de alimentação. E dos bolos regionais e do pão do Salgueiro do Campo com a côdea a estalar. Mas o melhor de tudo são as gentes. De sentirmos que partirmos sem partir. De nos percebermos estimados e albicastrenses de adoção. Fechar a porta e abandonar a cidade e regressar às margens do Mondego. Um travo amargo – doce e olhar o Castelo altaneiro, sentinela da planície. O contentamento de regressar em breve, caminhando pela estrada e pela vida como quem vai tecendo em horas de lazer e de prazer um bordado de Castelo Branco.

Kito Pereira        

quarta-feira, 28 de abril de 2021

COSTUMES E TRADIÇÕES DA BEIRA ALTA Texto de Georgina Ferro

O ti Francisco trabalhara uma vida inteira naquele labutar árduo do campo, onde raramente entrava o arado pela pequenez das suas terras. Eram os seus braços que levantavam e baixavam o sacho e a enxada que abria a terra; os mesmos braços que seguravam o machado e a pedoa para arranjar lenha;  ou o malho e mangual para debulhar o grão, feijão, centeio, cevada...os mesmos que, com devoção seguravam um varal do pálio em dias de procissão ... 

     No fim do Verão adoecera com as maleitas e não houve mezinha que o revigorasse. Dia a dia definhava, dizia a sua Benedita, limpando algumas lágrimas na aba do avental.

      Se a família já era tão pobre como iriam sobreviver a sua mulher  e as duas filhas sem o seu amparo, diziam as pessoas muito condoídas, que tentavam repartir o quase nada que tinham para lhes matar alguma fome. O pior foi quando o frio arribou descontrolado, ora em louca ventania, ora em forte enxurrada ... 

     Certa tarde, os sinos desataram a dobrar, numa toada longa e triste. Foi um anoitecer que quebrou a rotina das noites frias da minha infância!

      Eram cinco da tarde e a escuridão da noite já se preparava para adormecer deitada na alvura dos lençóis da neve que cobriam a terra.

 Minha tia corria de eira para beira, a espreitar a cama da Mimosa, a achegar-lhe mais uma faixa de feno, a tapar a capoeira das galinhas já resguardadas, a fechar bem a cortelha do marrano, a apanhar umas torgas para atear o lume e dispunha-se a subir as escaleiras quando reparou na altura da neve que as cobria. Voltou à loja e subiu as escadas de madeira que abriam para a sala pequena por um alçapão. Foi até à cozinha e voltou atrás, de vassoura na mão para varrer alguns galhitos que escorregaram do molho. Aproveitou para apanhar a cinza ainda afogueada para a pilheira, juntou os tições meio ardidos e colocou lá por trás um novo cepo que iria aguentar o serão. Pegou na chaminé do candeeiro a petróleo, passou-lhe um esfregão bem ensaboado, depois por água limpa e pediu-me para, com muito cuidadinho, limpar por dentro com o jornal “Amigo da Verdade” da semana anterior, pois a minha mãozita era pequenina, enquanto ela enchia de petróleo o depósito e puxava a jeito a torcida pelo bocal. Depois, com um galhito do lume acendeu a torcida, colocou a chaminé e pousou-o no pedestal!

  _ Boa noite nos dê Deus! – disse.

 _ Deus nos salve – respondi eu, como me tinham ensinado.

 Depois, foi um ver se te avias. Embrulhou-se no negro xale de lã e de botas de borracha correu ao chafariz a encher o cântaro da água, que acabara de despejar para as panelas de ferro encostadas ao lume. Recomendou-me que não cirandasse perto da lareira enquanto ela não chegasse.  Podia sentar-me a descascar batatas para o caldo escoado.

 Assim fiz. Não tardou a soar o toque das Trindades e a minha tia já arribara.

 _ O Anjo anunciou a Maria...- rezou meu tio que chegava da carpintaria nesse mesmo instante,  e nós fomos respondendo, de pé, com as mãos postas, como era nossa devoção e respeito.

 Iria começar o serão com a monotonia dos dias gelados de Inverno, não tivesse aparecido a Ti Benedita, em soluços, dizer que já se tinha ”matado” (morrido, deveria ter dito) o nosso Chico, coitadinho, que já estava muito doente havia tempo e não aguentara o frio.

 Meu tio acendeu o candeeiro de mão e desceu novamente. Foi cortando umas tábuas de pinho que sempre tinha de lado. Não tardou a ouvir-se o martelar de pregos. Só voltou a subir quando minha tia lhe pediu que viesse que a ceia estava na mesa.

 O caldo escoado quase foi engolido, em pesado silêncio, como se tivéssemos medo que a morte andasse por perto. Minha tia pôs pimentos curtidos na mesa, para acompanhar a sopa, pois a carne cozida ao almoço, agora, parecia não cair muito bem...

 Arredámos a mesa, a tia lavou a loiça, pôs mais umas achas no lume, encostou-lhes uns rebolinhos (pedras redondas apanhadas na ribeira) para levarmos mais tarde a aquecer-nos os pés na cama. Passámos pelo alçapão, só utilizado nos dias muito frios, e fomos para a carpintaria. Meus tios forraram as tábuas com um pano negro por fora. Dentro puseram uma colcha branca de algodão que a Ti Benedita trouxera de sua casa. Depois estendeu-se um tecido de tule branquinho, que iam entufando e eu prendia com preguetas de cabeça com forma de estrelas doiradas. À cabeceira pregámos uns anjinhos, também doirados. Parecia uma caixinha bonita para fazer de berço, pensava eu de mim para mim, sem me atrever a levantar a voz, por respeito à dor que sentia haver à minha volta.

  Georgina Ferro

 

segunda-feira, 26 de abril de 2021

ENCONTRO COM A ARTE - PINTURA

     Maria Guia Pimpão

     Num recanto dum café

     acrílico sobre tela   70x70
 



domingo, 25 de abril de 2021

ESTAR EM ABRIL É ASSIM

 ESTAR EM ABRIL É ASSIM


estar em Abril é assim
uma vontade de ser
de criar e de crescer
num tempo que é de outro modo
o tempo de criar pão
a saber ser mundo todo
sempre ao alcance da mão

estar em Abril é assim
um olhar de frente a vida
por mais que alguém o desdiga
e um desdenhar da sorte
quando se dá a passada
nalguma dura jornada
em que a vida perde o norte

estar em Abril acontece
quando dentro de alguém cresce
um grito cru de esperança
e na espuma do medo
num velho muro se escreve
um poema – um cravo breve
verde e rubro de mudança

estar em Abril é bandeira
que se hasteia numa praça
quando vem lá outro alguém
que é alguém de outra maneira
e na orla da desgraça
canta contigo também
canções no vento que passa

estar em Abril é assim
sentir-se perto de mim
quando a mágoa nos afasta.