Redacção ilustrada
Eu tenho um diospireiro no meu quintal.
Eu gosto muito do meu diospireiro.
Uma noite, há alguns anos, estava a chover e a fazer muito vento. A minha Luísa veio chamar-me, aflita:
- Ó Paulo, o diospireiro tombou com a força do vento.
Quando o vi, pensei que estava perdido. O tronco, fininho para o tamanho da copa, fazia um ângulo de 90º. A copa estava toda caída no chão. Mas reparei que o tronco não estava rachado. Fomos buscar umas cordas e, à chuva, endireitámos a árvore e prendemo-la às nossas duas magnólias. No fim de semana seguinte, substituí as cordas por umas estacas, que lá estão até hoje... a apoiar o diospireiro, que cada ano está mais bonito e mais forte.
Desde então, todos os anos o diospireiro fica carregadinho de dióspiros. São tantos que os ramos se dobram até ao chão. E eu penso que é a forma que ele encontrou de agradecer a nossa amizade, que é recíproca.
Este ano, o diospireiro não vai só dar dióspiros. Um casal de melros fez dele a sua casa...
... e, por isso, vamos ser padrinhos de um belo par de melros.
Eu gosto muito do meu diospireiro.