Andor da Senhora de Mércules ...
Uma pequena capela de entrada ogival, que remonta ao século
XII da Época dos Templários, é local de
culto de uma tradição antiga, muito do agrado de albicastrenses e povos limítrofes. Situado a
escassos três quilómetros da urbe, o monte da Senhora de Mércules, é um pequeno
cabeço onde abundam azinheiras e oliveiras. É debaixo das árvores e tendas, que
os romeiros se resguardam do sol abrasador, comendo e bebendo em dia de romaria,
sendo tradição o prato de sardinhas assadas com feijão frade. O vinho, corre pelas
gargantas e é o tabuleiro das camionetas de carga, que muitas vezes faz de mesa
aos veraneantes, enquanto os fogareiros a carvão não têm descanso.
A capela, é alindada para o dia da festa. Em altar modesto,
mas forrado de flores, os católicos olham a Imagem, venerando a Senhora de
Mércules, a quem fazem promessas e rezam fervorosamente.
Na manhã quente, numa pequena padiola de braços em madeira, a
Santa percorre aos ombros dos homens, o vasto largo térreo, numa procissão
singela, despida de grandes ornamentos. O padre, na frente do cortejo, manobra
o andamento da procissão, enquanto os elementos da banda, alguns a suar em
bica, vão debitando notas musicais, de acordo como ritmo pausado do andor. Por
vezes, a Santa parece resistir ao equilíbrio instável daquele altar
improvisado, face às irregularidades do terreno, apesar do cuidado de todos
aqueles que têm a honra de transportar a Senhora de Mércules e de novo a trazer
à sua Casa natural – a Ermida.
Este evento, realiza-se sempre três domingos depois da Páscoa,
sendo a terça feira seguinte, o dia da
cidade de Castelo Branco. O que acontecerá amanhã – dia seis de maio.
Uma tradição popular que se perpétua, igual a muitas outras
que ocorrem pelo país, de um povo que mantém de mãos dadas o fervor da sua fé e a esperança de melhores dias, que teimam em não vir.
Quito Pereira
