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segunda-feira, 5 de maio de 2014

A ROMARIA DA SENHORA DE MÉRCULES ...




Andor da Senhora de Mércules ...

Uma pequena capela de entrada ogival, que remonta ao século XII da  Época dos Templários, é local de culto de uma tradição antiga, muito do agrado de  albicastrenses e povos limítrofes. Situado a escassos três quilómetros da urbe, o monte da Senhora de Mércules, é um pequeno cabeço onde abundam azinheiras e oliveiras. É debaixo das árvores e tendas, que os romeiros se resguardam do sol abrasador, comendo e bebendo em dia de romaria, sendo tradição o prato de sardinhas assadas com feijão frade. O vinho, corre pelas gargantas e é o tabuleiro das camionetas de carga, que muitas vezes faz de mesa aos veraneantes, enquanto os fogareiros a carvão não têm descanso. 

A capela, é alindada para o dia da festa. Em altar modesto, mas forrado de flores, os católicos olham a Imagem, venerando a Senhora de Mércules, a quem fazem promessas e rezam fervorosamente.

Na manhã quente, numa pequena padiola de braços em madeira, a Santa percorre aos ombros dos homens, o vasto largo térreo, numa procissão singela, despida de grandes ornamentos. O padre, na frente do cortejo, manobra o andamento da procissão, enquanto os elementos da banda, alguns a suar em bica, vão debitando notas musicais, de acordo como ritmo pausado do andor. Por vezes, a Santa parece resistir ao equilíbrio instável daquele altar improvisado, face às irregularidades do terreno, apesar do cuidado de todos aqueles que têm a honra de transportar a Senhora de Mércules e de novo a trazer à sua Casa natural – a Ermida.

Este evento, realiza-se sempre três domingos depois da Páscoa, sendo a terça  feira seguinte, o dia da cidade de Castelo Branco. O que acontecerá amanhã – dia seis de maio.

Uma tradição popular que se perpétua, igual a muitas outras que ocorrem pelo país, de um povo que mantém de mãos dadas o fervor da sua fé e a esperança de melhores dias, que teimam em não vir.
Quito Pereira