Estádio Mário Duarte ...
Passou o tempo em que vivi o futebol com paixão. Das alegrias
que a Académica de Coimbra me proporcionou. E de momentos de tristeza também.
Com o caminhar dos anos e nesta fogueira da indústria do futebol, comecei a
distanciar-me do fenómeno desportivo. Ficaram porém as memórias das épocas em
que a Briosa jogava fora do seu reduto. Quando a equipa defrontava os
adversários relativamente perto do berço coimbrão, lá marchavam muitos simpatizantes
em profissão de fé, num inquebrantável querer e crer de um regresso a casa com
uma gloriosa vitória sobre o antagonista. E é nesta linha de memórias, que vem
ao meu pensamento um campo mítico – o Estádio Mário Duarte, na bonita urbe aveirense. Naquela cidade de Aveiro, os jogos
entre Beira - Mar e Académica eram sempre rijamente disputados. O público
estava ali junto do relvado, quase tocando com as mãos os jogadores e, sendo a
região muito frequentada por motociclistas, os adeptos batiam com os capacetes
nos painéis publicitários, num ruído ensurdecedor e que intimidava. A
rivalidade entre Aveiro e Coimbra corria-se atrás de uma bola nas tardes de
domingo. Por vezes, no fim dos jogos havia desacatos, mas evidentes quando a
Académica ganhava na sua condição de forasteira. Mas o tempo passou. As
negociatas tomaram conta de um futebol mais genuíno e, na febre de um
campeonato europeu de futebol, o lendário Beira – Mar viu-se expulso da seu
reduto, para jogar num colosso inestético de estádio nos arredores da cidade, hoje
a mostrar sinais evidentes de rendição ao abandono. E agora morreu o Estádio
Mário Duarte, que o mesmo é dizer que o clube perdeu muito da sua História e da
sua Memória. No local, vai agora nascer um amplo complexo hospitalar, o que
não se discute pelo melhoramento de algo essencial à região. O Sport Club Beira
– Mar, que nos últimos anos teve e tem uma vida agitada e de grandes
dificuldades financeiras, está agora ainda mais pobre. E nenhum amante do dito
desporto – rei, envergue ele a camisola da equipa auri - negra ou de um
qualquer outro emblema, pode ficar indiferente a mais um bastião de um futebol
de outras épocas que partiu.
Quito Pereira






