segunda-feira, 1 de maio de 2023
ENCONTRO COM A ARTE -POESIA E FOTO DE COIMBRA CANTIGA DE MAIO- POEMA DE JORGE FERNANDO MONTEIRO
terça-feira, 8 de março de 2022
ENCONTRO COM A ARTE -POESIA DIA INTERNACIONAL DA MULHER - Por Renato Ávila
UMA FEMININA LÁGRIMA
Coração no cérebro,
Alma no olhar,
Ternura no sentir,
Coragem em cada célula!
Vejo-as partir com crianças
Pela mão,
Ao colo,
No sacrossanto santuário do ventre.
Marcha mitigada,
Ao compasso dos pés arrastados
Dos mais velhos,
Ei-las,
Corajosas,
Impolutas,
Heroicas.
De vez em quando
Baixam o gorro
Para deixarem escapar
Uma teimosa,
Uma furtiva lágrima!
Para trás,
A guerra,
Medonha,
Apocalíptica
E as chamas
E a morte!
Vão à procura
Da paz.
Do amor.
As noites continuarão longas,
As bombas rebentarão no silêncio
Dos corações.
As crianças brincarão com as migalhas
Da saudade.
E os partos nas trevas das catacumbas
Terão aqui a bênção do nosso sol e do nosso amor.
E de sorriso aberto e coração lá longe
As lágrimas, de furtivas,
Trarão em torrente
Uma prece
E a bendita esperança da paz!
Dia Internacional da Mulher
08 de Março de 2022
quinta-feira, 16 de julho de 2020
ENCONTRO COM A ARTE- POESIA
Naquela aldeia quase despovoada
Confinamento de idosos sem seus filhos
A Ti Pepa ia, em saudades levada,
Como em carroça pelos antigos trilhos
Olhando a rua, onde mais ninguém passa
Viaja até ao tempo da mocidade,
Sentada, queda ali, atrás da vidraça...
Reza o seu rosário de vida e saudade
Vê o largo cheiinho de agitação
Moços garbosos, aprontando com alarde,
O mastro e as fogueiras de S. João
Que, cada qual, com seu par, saltará mais tarde
Lembra-se do seu vestido de tafetá
De peitilho bordado com favos de mel
Todo às risquinhas brancas e de rosa chá
Com que atraiu o olhar do seu Manuel
Sorri!, na memória vê tempos de antanho
A concertina e o crepitar da fogueira
Aquele pinheiro, de enorme tamanho,
E ela, de mão dada, pinchando ligeira
Quem diz que é triste a lembrança e saudade?!
Não sabe como é bom guardar na memória
Horas lindas de tempos de outra idade
Que fizeram os dias da nossa história.
Georgina Ferro
segunda-feira, 18 de maio de 2020
ENCONTRO COM A ARTE- POESIA
Como deve estar linda a serra
Coberta de estevas de neve
Para me lembrar a minha terra
E eu, sem poder vê-la assim...
A urze florescerá em breve
Já é tempo da rosa albardeira
Malmequeres, cóleos, alecrim
Do rosmaninho que tão bem cheira...
Mas..., a pandemia não tem fim
As papoilas tingem as searas
Que prometem dar pão das espigas
As chuvas são cada vez mais raras
Pulula o afã nas herdades
Não de rapazes e raparigas
Alegrando o ar com seu cantar
Nem do velho toque das Trindades
A avisar do regresso ao lar
Cansaço que nos deixou saudades
Ai..., pandemia que faz pensar!...
Lá fora canta a chuva forte
Hoje nem o sol vem espreitar
O candeeiro é minha sorte
Não deixa que o escuro do dia
Aprisione o meu sonhar
Na gaiola de melancolia,
Traz musas e gnomos até mim,
Projecta baile de sombras negras
Que invento em lindo jardim
Ouvem-se pios de toutinegras,
Os rouxinóis soltam melodias
Enquanto vou teclando assim!
Talvez adormeça a pandemia...
Georgina E. C. Ferro
sábado, 9 de maio de 2020
ENCONTRO COM A ARTE - POESIA
Pois vieram os saltimbancos à aldeia
Embora não gostasse de ver a capeia
Não faltava ao circo ou a um bailinho
Foi encher o cântaro num afogadilho
Varreu a casa, preparou a chaminé
Puxou o lume sob a panela tripé
Que mantivera com os carolos do milho
Deitou água na bacia do lavatório
Endireitou bem o espelho para ela
Abriu o sorriso ao ver a imagem dela
Ter cara alegre era mesmo obrigatório
Destrançou o seu cabelo cor de carvão
Encharcou o pente de osso na bacia
E alisou com ele o melhor que podia
As madeixas que ia amparando na mão
Depois traçou o risco muito direitinho
Dividindo metade para cada lado
Que deixou primorosamente entrançado
Com um ágil e habilidoso jeitinho
E, como qualquer moça ainda solteira
Formou um arco com as tranças, no ciminho,
Que fixou com duas ganchas e um ganchinho
Fez as ondas, à frente, à sua maneira
Enfeitou-as com duas travessas castanhas
Com pedrinhas, tais diamantes a brilhar,
Ainda, se foi a mirar e remirar
Mas fazia umas caretas tão estranhas!
Enfiou o vestido novo aos godés
Tinha um tom amarelo, muito clarinho,
Apertou-lhe o fecho lá atrás com jeitinho
E calçou os tamanquinhos novos nos pés
Agarrou o lenço que estava guardado
Passou-o sobre os ombros com galhardia
Lia-se -lhe no rosto tamanha alegria
Sabia que ia conquistar narmorado
De Georgina Ferro
sábado, 25 de abril de 2020
ABRIL-POESIA

ESTAR EM ABRIL É ASSIM
Estar em Abril é assim
Uma vontade de ser
De criar e de crescer
Num tempo que é de outro modo
O tempo de criar pão
E saber ser mundo todo
Sempre ao alcance da mão
Estar em Abril é assim
Um olhar de frente a vida
Por mais que alguém o desdiga
E um desdenhar da sorte
Quando se dá a passada
Nalguma dura jornada
Em que a vida perde o norte
Estar em Abril acontece
Quando dentro de alguém cresce
Um grito cru de esperança
E na espuma do medo
Num velho muro se escreve
Um poema – um cravo breve
Verde e rubro de mudança
Estar em Abril é bandeira
Que se hasteia numa praça
Quando vem lá outro alguém
Que é alguém de outra maneira
E na orla da desgraça
Canta contigo também
Canções no vento que passa
Estar em Abril é assim
Sentir-te perto de mim
Quando a mágoa nos afasta.
terça-feira, 24 de março de 2020
ENCONTRO COM A ARTE - POESIA
Nã venham pó Alentejo
Tô escrevendo aqui no monti
Um poema pós de fora
Viver aqui na presta
Vã-se mas é daqui embora.
As notis aqui sã frias
Nã aguentas nem que te mates
3 mantas Nã te chegam
Até arreganha a pele dos tomates
Os dias aqui sã tã quentes
As vezes até falta o ari
50 graus n’ amarleja
Nem na rua podemos andari.
Na temos aventoinhas
Com o calor nã se pode.
Os velhos usam samarra
E as velhas têm bigode
Querem vir pá cá morari
Nem sabem a bicheza que há aqui
Gato bravo e Saca-rabos
Raposas e javali.
As 5 da manhã tamos-se álevantar
Pa monde ir ver do gado
Nem imaginam o que é Andar
com um pé todo cagado.
Na temos carro de praça
Nem sequer internet
Uns andam aqui a pé
Os outros na biciclete.
Nã temos praia perto,
e só se bebe aqui bagaço
Os sapos aqui sã tã grandes
Espetam com cada cagaço…
As casas nã têm luz
E lume é no chão
O gerador só faz barulho
Pá gente ver a tlevisão
Já dizia a outra porca
É nos montis ca gente móra.
Como já viram, isto na presta
Vã-se mas é daqui embora.
Se antes era deserto
Agora continua a ser
Nem os queremos aqui tã perto
Nem os queremos aqui a viver.
Podem vir visitar
Mas venham noutra altura
Deixem se aí ficar
Enquanto está merda dura.
De Um Alentejano que quer ajudar.
Helder Telo
sábado, 21 de março de 2020
ENCONTRO COM A ARTE - POESIA
Dia Mundial da Poesia
Um dia de Corona
já eu estou que nem me tenho
sem poder sair do ninho
com a parceira me avenho
de longe aceno ao vizinho
em arranjos sem ter fim
p’ra que serve, digam lá
ter um tão lindo jardim?
na calçada queimo ervinhas
libertando olor profundo…
– estou a falar das daninhas,
ó almas do outro mundo!
lá dou de comer ao melro
ao rabirruivo, ao pardal…
tenho lenha, se não erro
p’ra cortar ‘té ao Natal
se tivesse cão iria
para a praia passear
mas como tenho a Maria
em casa devo ficar
bem chateia um tanto estar
no nem ata nem desata
vou tentar deambular
pondo uma trela na gata
pelo feicebuque passeio
traseiro bem instalado
apuro cenas pelo meio
e fico mais ilustrado
ilustrado nem é bem
pois lá passeiam vaidades
gostamos do que convém
e o resto nem são verdades…
mas sempre lanço uns bitaites
como se filosofasse
depois visito alguns «saites»
e espero que o tempo passe
para tratar do traseiro
temos cá muito papel
não faço da merda tinta
nem dos dedos um pincel
vejo filmes, leio livros
e sou feliz de algum modo
e se me faltam convívios
vou-me às árvores… e ali podo
depois uma especiaria
à refeição apurada
eu e a minha Maria,
a gata… não falta nada
vejo então televisão
– Corona de ponta a ponta
e Marcelo até mais não,
mas o António é que conta
e em vez de dar um grito
vem-me o Aleixo à memória
neste momento aflito
que confunde até a História:
ó vós que do alto império
prometeis um mundo novo
calai-vos que pode o povo
querer um mundo novo a sério…
POR JORGE CASTRO
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
ENCONTRO COM A ARTE- POESIA
nem água para beber.
Não ter nada para vestir,
não ter botas para calçar,
nem um batom para sorrir…
E que diferença é que faz?
morrer à sede e à fome,
de desinteresse ou inanição,
morrer porque não se come,
Mas que diferença é que faz?
Mas que diferença é que faz?
não ter ido nunca à escola,
ou ir só de vez em quando,
a igualdade é para tudo,
até mesmo para o engano.
Aprender? mas que diferença é que faz?
O saber não ocupa lugar, mas a barraca é pequena
“cada um dos nossos já trás o que sabe”.
Não, não, obrigado,
não queremos ninguém a andar direito.
E para sofrer a preceito,
com competência e respeito,
já chega andar poi aí,
levar pancada do desconhecido,
ou do vizinho mais fodido,
e até em casa, do pai que se queria querido.
Mas que diferença? que diferença é que faz?
não saber lavar os dentes,
ou usar pentes,
lavar os tomates com a água das poças
viver perdido no chão,
esquecido, no inverno e no verão.
sem amor, na solidão,
como um cão?
não, como um cão, não,
não conhece tais tristezas,
tem muito mais defesas,
lida melhor com incertezas,
é indiferente a surpresas.
E digam lá, que diferença faz? meu Deus…
mas que diferença é que faz um coração,
um fígado, um rim ou um pulmão?
O órgão inocente à merçê de um ladrão,
tirado e roubado,
para ser devolvido
a quem tiver dinheiro
para a eles ter direito.
A missão é salvar vidas,
tudo o resto é desperdício,
que nem sempre estão vivas
as crianças que se deitam no lixo.
E já agora, que tem de diferente
para um morto de abandono
a escuridão proletária de um vasilhame,
e a indiferença inconveniente de um contentor?
E que diferença é que faz?
Ser abusado nas malhas
do erotismo do sol nascente,
ser violado na Índia,
ou raptado na China,
ou fuzilado em África,
ou caçado como um animal,
nas florestas das terras de França,
onde ricos senhores
tão pobres de espírito
que nem serviriam para caça,
se divertem no seu desporto
que trocam pelos restos do seu dinheiro.
ou trabalhar nas minas e nas lixeiras
de todo o mundo,
Que diferença é que faz?
de mar a mar
de continente a continente,
até que o sangue fique azul
como o dos príncipes e princesas,
de que nunca sequer se ouviu falar, é certo,
mas será assim tão diferente?
Mas digam lá, que diferença é que faz?
ser encarcerado na américa
separado da família
em jaulas comuns
à espera das decisões dos justos hipócritas
ou apenas de que nada aconteça.
Ser criança de g3,
colocado em vigília
ou de colete fechado
à espera da sua vez,
para honrar sua família,
nas guerras dos orientes
onde todos serão crentes,
matando, impuros, os inocentes.
Ou que diferença é que faz
ser comido por um pássaro faminto
enquanto se procura um grão de arroz
na mais estéril aridez,
às portas do deserto
enquanto se ouvem, já tardias,
as pás de um Helicóptero
a batucar um hino de Vivaldi,
ou a balbuciar repetidamente
“o que é o amor?”
O que é o amor?
O que é o amor?
Mas que diferença é que isso faz?
A ONU cumpre a preceito
o mais profundo respeito,
por todo e qualquer direito,
cada qual tem o seu jeito
e o tratado é um grande feito.
E todos os países incham e enobrecem
e assinam e reconhecem,
que todas as crianças merecem
e ainda que nelas, já moribundas, tropecem,
depressa, depressa e muitas, muitas vezes se esquecem.
Fernando Franco
sexta-feira, 21 de junho de 2019
ENCONTRO COM A ARTE - POESIA
Entrou um dia o sorriso na Poesia
E penetrou-a com trejeitos de risada,
Pior que a mosca, quando, dia a dia,
Em qualquer porcaria pousa deleitada.
As temáticas da poesia são enormes,
Tão profundos os assuntos recorrentes,
Por vezes tão horrendos e disformes,
E incompatíveis com humores mais sorridentes...
Que o sorriso desflorando a poesia
E ao fazê-lo de um modo consentido
Conseguiu alegrá-la dia a dia..
E o sorriso não deu o tempo por perdido
Porque deixou, onde só desgraça havia,
Um sorrisinho sorridente e bem nascido....
PO(RT)EMAS APENAS
EDUARDO MARTINS Carcavelos-Cascais
quinta-feira, 25 de abril de 2019
ENCONTRO COM A ARTE- POESIA
A COR DE ABRILninguém tem nas mãos Abril
mas Abril sempre acontece
quando uma esperança renasce algum sonho apetece
se um cravo rubro floresce
na ponta de uma espingarda
se a cor da mágoa se esquece
e o arco-iris nos guarda
mas não sei dizer a cor
que tem a nossa vontade
terá talvez tons de anil
ser um madrigal de Abril
a madrugar na cidade
ou serem as vozes mil
que dão cor à liberdade
uma vontade a crescer
no peito que se deslassa crescendo em nós sem se ver
mas vermos que nos abraça
pressentindo em modo vário
que ao sermos um povo unido
nos fica o medo vencido
e nós um mar solidário
terça-feira, 26 de março de 2019
ENCONTRO COM A ARTE - POESIA
Não te desejo um presente qualquer,
Desejo-te somente aquilo que a maioria não tem.
Desejo-te tempo, para te divertires e para sorrir;
Desejo-te tempo para que os obstáculos sejam sempre superados
E muitos sucessos comemorados.
Desejo-te tempo, para planear e realizar,
Não só para ti, mas também para os outros.
Desejo-te tempo, não para ter pressa e correr,
Desejo-te tempo para te encontrares,
Desejo-te tempo, para que fiques;
Tempo para recomeçar, se fracassares...
Desejo-te tempo também para poder voltar atrás e perdoar.
Desejo-te tempo, para ter novas esperanças e para amar.
Não faz mais sentido protelar.
Para viver cada dia, cada hora como um presente.
Desejo-te tempo, tempo para a vida.
Desejo-te tempo. Tempo. Muito tempo!
José Régio
Enviado/sugerido porJosé Afonso Costa
domingo, 3 de março de 2019
ENCONTRO COM A ARTE - POESIA
Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.
Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!
Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo...
Sugerido por José Afonso Costa
terça-feira, 27 de novembro de 2018
ENCONTRO COM A ARTE - POESIA...

O AMANHECER DOS SENTIDOS
Toco-te a tez e clara da tendência
Contornando o relevo dos teus seios
Quando se aveludam as cores do auge da manhã morna.
Libertam-se fragâncias dos teus poros
Numa epopeia crua de tílias alvorecidas
Quando inquieta irrompe a tarde plena dos teus lábios.
Nos teus olhos voam aves livres
Que invadem todo o espaço que é nosso
Planando num brilho itenso tão discreto e cintilante.
E no beijo que uma bruma branda afaga
Sinto-te submersa num sabor que gosto
Como das garras firmes que a paixão crava em nosso peito.
Depois só o marulhar das ondas ascendentes
Só o arfar incandescente dos ventos quentes
E o som alvoraçado de todos os sentidos amanhecidos.
segunda-feira, 12 de novembro de 2018
ENCONTRO COM A ARTE - POESIA
A JOANA DE VASCONCELOSsegunda-feira, 1 de janeiro de 2018
SEPARADOR ENCONTRO COM A ARTE- POESIA DE ANIVERSÁRIO
Com paciência e cuidado,
O real significado
Da palavra aniversário.
Aquele livro pesado,
Mestre dos visionários,
"Pai dos burros" batizado,
Pareceu-me sectário,
Ao responder meu chamado.
Deveras decepcionado,
Joguei o meu dicionário
Na estante, empoeirado,
Para pregar, solitário,
O meu significado
Da palavra aniversário.
Diz assim, o verbete lendário,
Ontem, por mim criado:
"Aniversário: Espécie de relicário,
Muitíssimo bem guardado
Nas folhas do meu diário,
Dos versos que eu escrevi,
Com todo amor, e não li,
Durante o ano passado."
quarta-feira, 7 de junho de 2017
ENCONTRO COM A ARTE - POESIA
AUTORES: VÁRIOSPOEMAS
SELECCIONADOS
DA AUTORIA
DO NÚCLEO
INTEGRANTE
DAS
NOITES COM
POEMAS
Ana T. Freitas, Carlos Peres Feio, David José Silva,
Eduardo Martins, Francisco José Lampreia, João Baptista Coelho, Jorge Castro, Luis Perdigão, Maria Francília Pinheiro
hino à infância
o meu menino é d´oiro
é d´oiro o meu menino
hei-de levá-lo ao céu
enquanto for pequenino
cantarolava a mãe enternecidamente
no seu mimar diário de fim de dia
uma estória
vozes sons entoações expressões
diversas
personalizam personagens e animais
fantasiam cenas
a magia
nos olhos d´oiro cintilantes
absortos
presos à mãe
agora a canção
e se o João Pestana não vem
mãe canta mais outra
cantarola a mãe enternecidamente
apesar do cansaço
dorme meu menino
a Estrela d´Alva
já a procurei e não a vi
se ela não vier de madrugada
outra que eu souber será para ti
momentos únicos harmonia
é o cordão umbilical que se une
-se é que alguma vez se cortou-
a ternura o carinho
de que os sonhos são feitos
a criança adormece e sonha
amanhã outra estória outra canção
o mesmo embalo
o mesmo ninar
sem cansar
Ana T. Freitas
JORGE CASTRO
Nasce no Porto, em 1952, em casa dos seus avós paternos e tendo, como primeiro berço, um cestinho de pão.
Passa a infância em Trás-os-Montes, por terras de Miranda do Douro. A juventude, de regresso ao Porto.Tem vindo a complementar o seu crescimento em Lisboa, mais exactamente em Sassoeiros - Carcavelos, concelho de de Cascais, que o mar faz-lhe falta.
Foi até ao curso de Direito, nos idos de 70 e pela Universidade de Lisboa, mas não lhe achou graça , pelo que decidiu não o levar a cabo e, logo que pôde, libertar os progenitores do fardo complexo do filho, mantendo com eles apenas a relevância do afecto.
Desenvolveu, durante alguns anos, intensa militância politica, antes e depois de Abril de 1974, em regímen de exclusividade, o que lhe preencheu o espírito de incertezas, condescendências e bastantes anticorpos
Por feliz acaso teve, assim, a oportunidade de viver o Abril em estado de Graça e a plenos pulmões.
Um dia, começou a ensaiar essa nobre arte de juntar palavras, com algum sentido, de si para os outros...e leva actualmente já para cima de quinze obras publicadas, mormente em poesia,
Dele se poderá dizer, então, que tendo começado a andar pelos seus pés com a idade de um ano, ainda não parou
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A Mesa Da Sueca
em redor do verdor daquela mesa
onde cartas se debatem sem destino
cada trunfo tem a cor do desatino
cada mão fecha o ciclo da certeza
voam naipes num volteio com leveza
paus espadas ouros copas tal um sino
cujo timbre quase soa como um hino
ecoando pelos cantos da incerteza
e por fim ao somar pontuações
num ensejo de preguiça mais ridente
entre voltas feitas de quatro intenções
ou de olhares cada qual o mais ausente
volta a vida a sorrir nas marcações
cada par se entendendo frente a frente
Jorge Castro
terça-feira, 25 de abril de 2017
ENCONTRO COM A ARTE - POESIA
Que é feito do mês de Abril
que nos circulou pelas veias?
Que é feito das ruas cheias
quando o sol era um balão
e andava tudo ao contrário
as estátuas vinham ao chão
e o sonho era o nosso horário?
Que é feito do mês do sonho
quando o sonho era concreto
e tinha forma de casas
portas abertas
e pão,
quando o sonho que sonhámos
era um filho colectivo
parido pela multidão!
Foi então
num país
de repente sem fronteira
foi a feira
a desgarrada
foi o espanto dos abraços
na arquitectura sem margem
duma terra a conquistar
Foi um país que acordou
com planícies no olhar
e a concertina a tocar
dentro do peito.
Que é feito do mês de Abril?
Soldados a quem dissemos:
amigos eh! pá! irmãos
operários que descobriram
um espaço para além das mãos
e as mulheres trabalhadeiras
que rasgaram seus vestidos
para as bandeiras de alegria
com que Abril foi envolvido.
Que é feito do mês de Abril?
Foi um país impaciente
que de pé se quis em flor
foi o riso das guitarras
cansadas de choro e dor
foi a alegria fabril
foi a força da razão.
Não esqueças o mês de Abril!
Não esqueças que és multidão!
José Fanha
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
ENCONTRO COM A ARTE - POESIA-EDUARDO MARTINS


"NOITES COM POEMAS" por temas:
Arquitectura e Poema
(Fevereiro 2011)
Conforto
"Aguaceiros frequentes em todo o território do continente,
vento do quadrante sul, soprando por vezes com rajadas fortes,
acentuado arrefecimento nocturno..."
"A meteorologia diz que é da superfície frontal...
E que as temperaturas estão dentro dos valores normais para a época...
Mas olha que desde que o Sol se p^pos está cá um frio...!
Na minha casa não se sente nada.
Bem, é muito confortável! - É verdade que no inverno, o aquecimento
eléctrico está sempre ligado - detesto o fumo das lareiras entranhado na
roupa!
E no verão não passo sem ligar o ar condicionado!
(Claro que a factura da EDP, upa! upa!
E a dos SMAS também! Gasta-se muita água!!
É para regar o jardim TODOS os dias!
(faça chuva ou faça sol!! Temos rega auromática, mas não conseguimos
pará-la quando chove!!)
E encher a piscina!...bem...,é só um tanquezito, mas no Verão...os
miúdos adoram!!
(até eu dou por mim a molhar p pezinho...)
Mas voltando ao conforto. Adoro ver televisão( papo todas as novelas da
TVI, mas também tenho visto bons filmes da TV Cine! - gravo-os na BOX,
ou lá como é que aquilo se chama, e vejo-os quando calha ) ,deito-me no
sofá com uma manta a tapar-me até ao pescoço!!
Só tiro a mão de fora para fazer Zapping!!!
Para já não falar da cama. com aquele edredão de penas da "Snooker"
que já tem sei lá quantos anos!!
Uma maravilha!!!
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QUEM FOI O FILHO DA MÃE QUE TEVE A IDEIA DE VIR ACAMPAR
COM ESTE TEMPO???
SÁTIRAS E EROTISMO DE VERSOS DESPIDOS
( MAIO 2011)
Soneto Experimental
Neste mundo em que me meto
De desnudada temática,
Não tendo nenhuma prática,
Atiro-me logo a um soneto!
Escrita de Versos Despidos
Em Sátiras e Erotísmos?
Onde estão os moralismos
Em que fomos instruídos?
Versos Despidos, com o frio,
E a neblina matinal!
E o vento que vem do rio!
Eu não lhes desejo mal!
Não os quero fracos, sem pio,
Vistam-se! Ponto final!
domingo, 25 de dezembro de 2016
NATAL - POEMA DE JORGE CASTRO-ORCA
e aperfeiçoaremos como melhor nos aprouver.









