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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

EM NOME DE SOFIA ...







Lisboa é um emaranhado de ruas e de avenidas. Lisboa é um emaranhado de povo. Lisboa é um emaranhado de gente apressada. Lisboa é um emaranhado de passantes de olhar sem destino. Mas Lisboa também é um local tranquilo quando nos sentamos a olhar a Ponte Vasco da Gama ou a Torre de Belém. Na redescoberta do Hospital CUF DESCOBERTAS, um nome feliz pela epopeia marítima, a azáfama de uma grande unidade hospitalar. Mas naquela zona onde se dá vida à vida tudo é calmo. O silêncio dos corredores, a afabilidade de todos os que ali trabalham, as vozes em surdina. Num recanto, vamos olhando quem entra e quem sai. Aparecem pais jovens com bebés ao colo e avós impacientes na expectativa da chegada de um novo SER. Também enfermeiros, médicos e seguranças. Ali ao fundo, estou eu. A viagem ainda não programada cansou-me e cansou-nos. Rendido à fadiga, adormeci. Quilómetros de alcatrão comidos a contrarrelógio na esperança de abraçar quem precisava do nosso conforto e ajuda. Aquele pedido quase ditatorial de “venham já “, era um grito de quem do nosso sangue estava à espera do ombro amigo e da segurança dos pais naquele momento delicado da vinda ao mundo de Sofia. Sofia Dias que também é Pereira nasceu calma, tranquila. Dormiu no seu berçário o sono dos inocentes. E nós – avós tardios e fatigados – fomos também descansar. Lá longe, no berço do Mondego que corria no seu leito, um grupo de amigos festejava a amizade entre Portugal e o Brasil. Havia várias cadeiras vazias na mesa. Porque não somos de esquecer quem partiu. Mas em duas delas não estavam quem obrigatoriamente teve que rumar em passo largo à capital, onde desaguam muitos destinos dos que buscam uma terra prometida de ilusão e por vezes de desencanto.

E a nossa pequena Sofia, agora a dormir consolada já no berço do seu lar, agradece a Vossa tolerância e compreensão de ter vindo tão apressada a esta Aldeia Global que a espera.

Obrigado.
A rogo de Sofia Pereira