Lisboa é um emaranhado de ruas e de avenidas. Lisboa é um
emaranhado de povo. Lisboa é um emaranhado de gente apressada. Lisboa é um
emaranhado de passantes de olhar sem destino. Mas Lisboa também é um local tranquilo
quando nos sentamos a olhar a Ponte Vasco da Gama ou a Torre de Belém. Na
redescoberta do Hospital CUF DESCOBERTAS, um nome feliz pela epopeia marítima,
a azáfama de uma grande unidade hospitalar. Mas naquela zona onde se dá vida à
vida tudo é calmo. O silêncio dos corredores, a afabilidade de todos os que ali
trabalham, as vozes em surdina. Num recanto, vamos olhando quem entra e quem
sai. Aparecem pais jovens com bebés ao colo e avós impacientes na expectativa
da chegada de um novo SER. Também enfermeiros, médicos e seguranças. Ali ao
fundo, estou eu. A viagem ainda não programada cansou-me e cansou-nos. Rendido
à fadiga, adormeci. Quilómetros de alcatrão comidos a contrarrelógio na
esperança de abraçar quem precisava do nosso conforto e ajuda. Aquele pedido
quase ditatorial de “venham já “, era um grito de quem do nosso sangue estava à
espera do ombro amigo e da segurança dos pais naquele momento delicado da vinda
ao mundo de Sofia. Sofia Dias que também é Pereira nasceu calma, tranquila.
Dormiu no seu berçário o sono dos inocentes. E nós – avós tardios e fatigados –
fomos também descansar. Lá longe, no berço do Mondego que corria no seu leito,
um grupo de amigos festejava a amizade entre Portugal e o Brasil. Havia várias
cadeiras vazias na mesa. Porque não somos de esquecer quem partiu. Mas em duas
delas não estavam quem obrigatoriamente teve que rumar em passo largo à capital,
onde desaguam muitos destinos dos que buscam uma terra prometida de ilusão e
por vezes de desencanto.
E a nossa pequena Sofia, agora a dormir consolada já no berço
do seu lar, agradece a Vossa tolerância e compreensão de ter vindo tão
apressada a esta Aldeia Global que a espera.
Obrigado.
A rogo de Sofia Pereira
