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terça-feira, 23 de outubro de 2012

À espera do apito para as sobremesas

Quando, no sábado, tínhamos acabado de comer o leitão e queríamos comer as sobremesas, o Pedro Ferreira pediu para esperarmos "2 minutos até o D. João Catering acabar de arranjar as mesas".
A malta estava desesperada mas respeitou as indicações do André Santos, tendo em conta o seu estatuto de jogador de futebol* no Ançã Futebol Clube:
"Então?! Então?! Não estão a ver marcação na relva? Todos para cá da linha e só passam quando o árbitro apitar".
E a malta alinhou (em sentido estrito e em sentido figurado)!


* Mas ainda vai ter que comer muito feijão para chegar aos calcanhares do projecto de sogro dele, que em Caria era e é conhecido como Cruijff!

sábado, 31 de dezembro de 2011

TRINTA E UM DE DEZEMBRO DE 2011

Para todos vós...e para os que aqui não estiveram....
de
Carlos Drumond de Andrade
O último dia do ano

não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papeis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória,
doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficara repleto e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé, um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereces viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muitas coisas já expirou, outras espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.

O recursos de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
O recurso da bola colorida,
O recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está estupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.



BOM ANO !!