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quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

POEMA DE NATAL....POR JORGE CASTRO

Se calhar, vou trazer-vos um prosaico poema, que já anda por aí o Natal a rodos e também quero um lugar ao sol...


UM PEDIDO DE NATAL PORTUGUÊS


eu não quero

ó menino

que tragas no sapatinho

nem porcos de bicicleta

nem as vacas voadoras

cabritas das correrias

ou quilovátios de ricos

nem águas dos abastados

arreda-me os passadiços

estrafega os «halloweens»

pistas de gelo nem vê-los

ou aquaparques mui «ins»

de que já estou pelos cabelos

nem me tragas mais estufas

ou intensivo plantio

que nos chegam de pantufas

deixando o campo doentio


vem se queres de bicicleta

mas de andar em ciclovia

ou até de trotineta

sem atropelar asceta

coitado porque é velhinho

vem conforme a tua veneta

mas trilhando esse caminho

onde um bosque tem arbustos

e a floresta arvoredo

numa campina a papoila

é um grito no dourado

e um rosto de moçoila

fica melhor se corado

pelo sol e a brisa fresca

e num regato ir à pesca 

do tempo desperdiçado


traz-me a hora vespertina

quiçá ao som de um nocturno

num pôr do sol ou ocaso

a que assisto por acaso

no verdor de uma colina

que já foi duna de areia

onde enraíza o passado

e no fulgor de uma ideia

brota ardente a flor presente

e o futuro ansiado

logo ali à minha frente


traz-me o que eu sou e o que é meu

não me tragas de ninguém

o que seja muito seu

como o colo da sua mãe

ou o cesto de um vintém

onde guarda a sua vida

e aguarda o que lá vem...


... que posso ser eu até

que podes ser tu também

já que a vida tem mais graça

quando se abraça outro alguém.


- Jorge Castro

07 de Dezembro de 2021


 

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

POEMA DE NATAL DO POETA JORGE CASTRO

NATAL 2020

passo por este Natal como se Natal não fosse
passo pelo Natal como se nem houvesse
pedem-me que viva como se não vivesse
– nunca estive preso que agradecesse... –

lá fora choveu
está frio
e eu
vejo pela vidraça que tudo parou
mas vendo melhor
o Sol
o mar
o vento a soprar
percebo que ao fim nada em mim mudou
só este torpor
o garrote imenso de mal respirar
esse algo indizível que nos rouba o ar

mas passo o Natal como se nada fosse
pois que há na Terra
a fome 
e o frio 
o medo e a guerra que sempre acontece
como há o riso
o sonho
e a vida que já amanhece

quero então que o Natal seja um recomeço
e seja também 
quanto lhe apetece dar passos em frente 
a caminho da esperança 

e que mais não seja 
– ao longe e muito ao de leve –
o primeiro choro de alguma criança
nascida a Dezembro deste inverno duro
e a mãe que a teve
se atreva a erguê-la aos céus deste mundo
gritando que ali 
nasceu o futuro.

                                                                                                                 
- Tenham um bom Natal e um sorridente ano novo 

                                                                                                                           Jorge Castro

                                                                                                                    15 de Dezembro 2020