terça-feira, 24 de abril de 2012
A VIDA É UM TEATRO...( ÚLTIMO EPISÓDIO)
- Oh pá, é assim, pá: nada de grades, nada de gaivotas!, dizia ele…
- Isso é ponto de honra, para mim, companheiros! O segredo, pá, porra, está nas tintas, nos pincéis, na luz, no enquadramento! Mas a escolha dos temas é o mais importante! Aí é que está a Arte!
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- Também acho, Ilustre Conde! Tendes carradas de razão! É uma ignomínia este descarado aproveitamento do calor do colo da educada e bela Condessa que, na sua ingenuidade, ainda não percebeu que, porventura, o Lorde até terá feito de propósito para se estatelar.
O pano cai repentino, abrupto!
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Os fortes aplausos prolongaram-se, ainda assim, por longos minutos!
segunda-feira, 23 de abril de 2012
A VIDA É UM TEATRO...( PENÚLTIMO EPISÓDIO)
domingo, 22 de abril de 2012
A VIDA É UM TEATRO...(4º EPISÓDIO)
A Condessa de Lousada levantou-se e percorreu a coxia em direcção ao "foyer", observada disfarçadamente pelos fidalgos da nobre assistência que sussurravam à sua passagem com trejeitos de admiração e acenos de cabeça, murmurando:
- Mas por cá, junto à fronteira com Castella, também temos belas cerejeiras, lembrava-lhe o Conselheiro...
- Que orgulho deve ter Vossa Senhoria em espalhar a nossa fé e a da nossa Pátria por tão longínquas paragens!, confessava o Conselheiro.
A feiticeira de Caria irá ler a sina a alguém? Adivinhará o futuro de Dom Rafael e da Baronesa Celeste?
sábado, 21 de abril de 2012
A VIDA É UM TEATRO...(3º EPISÓDIO)
E irá oferecer-lho no recato do camarote que possui no Teatro?
Ou ficará a filosofar sobre etéreas coisas, desaproveitando o ensejo de a seduzir?
E sobre o que discorrerão o Conde de Azurva, o Conselheiro Ferrão e o Cavaleiro D' Abranches?
E Dom Rafael e a Baronesa Dona Celeste? Aproveitarão o intervalo para se entregarem recatadamente aos prazeres da carne?
Não perca o próximo episódio!
sexta-feira, 20 de abril de 2012
A VIDA É UM TEATRO...(2º EPISÓDIO)
Alheio aos apelos da Baronesa Dona Celeste, Dom Rafael prosseguia, absorto com a preparação do banquete:
Dom Rafael já com os pergaminhos na sua posse, dá três bombadas no tambor e sai a correr pela esquerda baixa.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
A VIDA É UM TEATRO ...
Autoria: PPP-Parceira Pública e Privada “QuitoFelicio”, de irresponsabilidade limitada
Burburinho no rico salão. Cumprimentos, risos, conversas entre os membros da Corte que se preparam para assistir à representação cénica que se iniciará dentro de minutos.
Na primeira fila, o Conde de Azurva, olhos bem abertos, sobrancelhas arqueadas, assevera ao Conselheiro Ferrão, que o Mundo não se cinge aos Reinos da Europa e que, nas suas inúmeras viagens se deparou com culturas e tradições milenares que metem a um canto a História dos quase bárbaros povos europeus.
Refastelados nas poltronas ali perto, o Cavaleiro Abranches, também pintor, o filósofo Abilio De Durão, a Condessa de Lousada, empertigam-se e disfarçadamente percorrem o salão com o olhar.
Os lustres subitamente apagam-se e ouvem-se por trás da cortina de veludo vermelho que esconde o espaço cénico, repetidas pancadas no sobrado do palco a que anos mais tarde viriam a chamar de Molière.
Um silêncio profundo aquietou a nobre assistência.
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O pano sobe lentamente…
À esquerda alta, sob um potente jorro de luz que o destaca no palco vazio, a única personagem em cena. Era o Lorde Dias António, Pintor Oficial da Corte, postado frente a um cavalete, a paleta de tintas na mão esquerda e meia dúzia de pincéis na direita, vestido de gibão negro encimado por uma gola plissada, boina descaída na cabeça, calções de folhos às riscas, meias justas cor de rosa e sapatos brilhantes pontiagudos com enormes fivelas prateadas.
- É agora que eu entro? – pergunta Lorde Dias, em voz sonora.
- Não! Não!, Ainda não é agora! – foi a resposta de uma voz roufenha que parecia sair das catacumbas.
Era o Senhor de Viana, nomeado Ponto Real, que o público adivinhava escondido atrás de uma caixa central, de onde saiam espessas baforadas de fumo.
- Está bem, está bem já aqui não está quem falou!- retorquia o pintor, dando duas pinceladas na tela.
- Quando for a tua vez eu digo-te Lorde do Caraças!, sussurrava o ponto.
Pela direita baixa, entra a correr Dom Rafael tocando um enorme bombo, enquanto anunciava o próximo banquete:
- Nobres Senhores, Estimadas Senhoras, Apetecíveis Donzelas! Daqui a quinze dias terá lugar um faustoso banquete nos jardins do Palácio do Monteiro-Mor, digno senhor da herdade da Várzea do Mondego!
Dava mais duas bombadas fortes no tambor e prosseguia:
- Haverá veado no espeto, touro às fatias, faisão sem penas, palmípedes no forno e muitas outras iguarias! Será uma honra poder contar com a presença de Vossas Senhorias. Vos peço que me confirmeis a Vossa ida a este banquete, preenchendo o pergaminho que vou mandar distribuir e entregando a quantia de dois cruzados para custear as despesas.
Mais duas bombadas e novo pedido:
- Se preferirdes deslocar-vos à Quinta do Monteiro-Mor na data aprazada em coches puxados por parelhas de cavalos puro sangue, acrescereis à espórtula mais meio cruzado.
Nova baforada de fumo se desprendia da caixa do ponto e ouvia-se:
- Tens que dizer o local e a hora de partida, carago!
- Ahn? Que é que foi? – perguntava Dom Rafael olhando para a caixa, com a mão em concha no ouvido.
-Não trouxeste o funil para ouvires melhor, já percebi!, rosnava o ponto por entre dois ataques de tosse.
E repetiu, agora em voz mais alta:
- Tens que dizer de onde é que partem os coches e a que horas, porra!
- Ah, está bem, já percebi. Não precisas de berrar que eu não sou surdo!
- Ilustres fidalgos: a hora da partida será 3 horas depois do sol nascer, junto ao portão do Paço Real!
- É agora que eu entro? – perguntou de novo o pintor.
- Não, quando fôr eu digo-te! Deixa-te estar aí! – respondia o ponto…
- Correcto e afirmativo, dizia o pintor, molhando um pincel na boca antes de o passar na paleta.
Dom Rafael percorre o palco de uma ponta à outra, sempre tocando o bombo.
Abre-se de par em par a janela do primeiro andar do solar desenhado no cenário ao fundo.
Assoma uma esbelta donzela, de vestido escarlate com grandes folhos violeta, decote generoso deixando ver o colo branco, a cintura e o tronco espartilhados por colete apertado por atilhos brancos em cruz, segurando uma rosa cujo perfume ela aspirava com olhar sensual.
Era a Baronesa Dona Celeste, romântica donzela a que aspiravam todos os jovens nobres da Corte.
Fim do 1º episódio
Será finalmente desta vez que Dom Rafael irá declarar o seu amor à Baronesa?
E o pintor Oficial do Reino? Será que por fim vai entrar em cena?
Não perca as cenas dos próximos capítulos!
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