terça-feira, 20 de setembro de 2011

O NOSSO BAIRRO- E NÃO SÓ! JARDINS FLORIDOS...


À espera do tempo exacto...descuidei-me e...o branco foi desmaiando!...mas para compensar fui ao JARDIM da ROMICAS, bem longe do Bairro....

...e apanhei este gafanhoto depenando todas as folhas da roseira!
Apanhei, claro a foto da Romicas...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

UM ANO DA SAUDADE!

NESTE DIA RECORDAMOS COM SAUDADE O NOSSO QUERIDO AMIGO JORGE ALBUQUERQUE
"POMBALINHO"


A Familia informa que pelas 19 horas será rezada missa do Primeiro Aniversário do seu falecimento na Igreja de Fonte Angeão - Vagos

ENCONTRO COM A ARTE

Apresento mais dois trabalhos em barro do artista/artesão
David Oliveira-os últimos - meu vizinho na Rua Infante Santo



TAXEIRA
   Só recentemente, lendo o livro de Reis Torgal e pedindo informações a amigos, soube o seu verdadeiro nome, que muito poucos saberão. Chamava-se Raul dos Reis Carvalheira. O nome Teixeira foi-lhe posto por ser sósia dum interior esquerdo do Benfica – Teixeira de seu nome – que a malta odiava por ter deixado os dentes marcados na barriga do Faustino, half centro da Académica. Desde que as parecenças foram descobertas, passaram a chamar Teixeira – mais tarde “Taxeira” – ao Raul, que começava a aparecer nas latadas; Quanto ao verdadeiro Teixeira, passou a Academia a chamar-lhe "Cão", por razões que bem se entendem.
    Reis Torgal apurou que o Teixeira nasceu na Freguesia da Santo António dos Olivais, em 9/9/1926 e que morreu na Casa dos Pobres, na Rua Adelino Veiga, em 29/2/2000.
Net. 



CHARLOT

domingo, 18 de setembro de 2011

Emmanuel Kelly no X Factor Australia



E ainda nos queixamos da vida.

A mim comoveu-me bastante, faz-me passar a olhar o meu dia a dia de outra forma, pelo menos vou tentar.


Peço desculpa se alguém achar que não devia partilhar, mas achei que sim.

sábado, 17 de setembro de 2011

Um miminho desde o Norte


Apesar do vento frio e forte o Por do Sol de hoje não era de perder.
Aqui vai com um abraço dos Sarmentos

NOTÍCIAS DO BAIRRO-CNM

PRIMEIRA NOTÍCIA
NINA CHEVTS  treinadora da classe de ginástica rítmica do CNM
MELHOR TREINADORA DO ANO

SEGUNDA NOTÍCIA
NOVA MODALIDADE


KARATÉ

NOTÍCIA TRISTE

FALECEU JOÃO BUZANO


O funeral sai de Leiria e chega a CEIRA, hoje dia 17 pelas 16H30,
"Encontro de Gerações" apresenta sentidas condolências à Familia enlutada.

NOTÍCIAS DE COIMBRA-UNIVERSIDADE


REITOR considera classificação "um óptimo incentivo" e sublinha a importância de ter "uma imagem de qualidade" para atrair estudantes, fininciadores e professores.
A Universidade de Coimbra(UC) é a melhor portuguesa no "QS WORRLD UNIVERSITY RANKINGS 2011", classificando-se a meio da tabela das 700 instituições mais prestgiadas do mundo, que é liderada pela de Cambridge, no Reino Unido.
     Uma nota de imprensa divulgada ontem refere que a UC surge na 394ª posição do "ranking" das universidades do mundo publicado pela organização "QS - QUACQUARELLI SYMONDS", com uma avaliação golbal de 29.77 pontos, sendo a única instituição de ensino superior portuguesa a constar no !TOP" das 400 melhores.
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DE acordo com os resultados publicados a UC é a universidade portuguesa meis bem posicionada em quatro dos "rankings" por área cientifica, institídos também pelo QS WORLD UNIVERSITY RANKINGS CIÊNCIAS DA VIDA E MEDICINA, no 325º lugar; Artes e Humanidades, no 290º; Ciências Sociais e Gestão, no 282º, e Ciências Naturais, no 234º, acrescenta a nota de imprensa divulgada pela institução.

In Diário de Coimbra

DA CHINA VIA AIPODE DA SUZANA!!!

Amigos
atendendo à situação ,o Alfredo e a Suzana aceitaram fazer parte de um
grupo Naxhi,para tentarem arranjar algum dinheirito para o regrasso.
Os tres magnificos na China
Alfredo,Daisy e Suzana


PAra o Blog pois sabemos que andam preocupados com o nosso silencio,
As actuações são muitas..
Beijos


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

BIBLIOTECA ENCONTRO DE GERAÇÕES-DE JORGE CASTRO-ORCA







SE

Se a autarquia tivesse construído passeios na minha rua por onde pudesse caminhar
Se o senhor agente da autoridade apenas existisse para me saudar em continência de gesto e de atitude
Se o gato da minha vizinha ou se a minha vizinha se questionassem do meu incómodo por ele defecar no meu jardim
Se o autocarro da carreira suburbana não me violentasse na urgência de trajectos aprazados
Se as filas intermináveis de trânsito evoluíssem em bailado acidental


Se no meu país deficitário não encerrassem escolas ou maternidades para combater o défice
Se nele os licenciados necessitassem de pedir licença por não exercerem o seu mister
Se os empregadores que mal empregassem pudessem perder os seus empregos
Se cada bomba apenas florescesse em atentados a decrépitos pudores
Se o riso tivesse o valor de lei e a lágrima direito inalienável de assistência
Se a pobreza só existisse na exposição retórica de circuitos paisagísticos
Se a fome fosse apenas de sonhos e os sonhos construíssem o real
Se fosse descoberta a vacina que nos protegesse das balas e de outras intenções invasivas
Se as palavras que trocássemos se ajustassem sempre no calor destemperado da poesia


Então teríamos o tempo e o modo do abraço
E haveria porventura um lugar no mundo para a humanidade

UM PEDAÇO DE CÉU ...

Uma girândola de cores - de - fogo, pintada por Mão - Invisível, na tela imensa do Universo. Um braseiro de emoções, na vertigem de um sonho de fim -de -tarde ...
Será que o Homem merece este pedaço de céu ?
Foto : São Vaz
Local : Alentejo
Q.P.

NOTÍCIAS DE COLMAR

S.L.B.
UM COCKTAIL EXPLOSIVO !


A Feira dos Vinhos da Alsácia, nesta bela cidade de Colmar, bateu este ano um record de afluência, com 274 993 visitantes, o que representa um aumento de 8,10% em relação à edição anterior de 2010.
Numerosas inovações no capitulo do divertimento contribuíram muito para esse sucesso.


Quanto ao Festival musical, parte integral desses onze dias de Feira e consequentemente, de festa, manteve uma estabilidade numérica através de 86 000 entradas.


Para além de grupos e artistas Franceses, actualmente em voga no Top Ten, contámos este verão com a presença de grupos estrangeiros consagrados tais como os STATUS QUO, JUDAS PRIEST, BARCLAY JAMES HARVEST, SAGA, SCORPIONS, BEN HARPER, APOCALYPTICA, SEPULTURA (Brasileiros), STRATOVARIUS e muitos outros.
Uma das características deste Festival e grande preocupação da organização local, continua a residir na mistura artística de nomes dos anos 60, 70 e 80 com outros mais actuais. Esta osmose de estilos tão ecléticos contribui para que este Festival seja hoje bastante apreciado e conhecido em toda a Europa, conquistando também um publico dos países limítrofes (Suiça e Alemanha).


A minha grande expectativa no elenco desta 64a edição inclinava-se para o grupo canadiano SAGA, estandarte do Rock progressivo nos anos 80. O meu encontro com a banda e entrevista para a MUSICA & SOM com IAN CRICHTON, (viola baixo) datava de 1985!!! Vinte seis anos depois, com a MUSICA & SOM na mão, lá fui ao encontro desses dignos representantes canadianos do Rock Progressivo.

 As fotos que levei para lhe oferecer desse concerto de 85 em Fribourg serviram para activar um pouco a nossa memoria. Obviamente, nao me reconheceram de imediato. Mas ao longo da nossa conversa, algumas imagens contribuíram para um franco convívio, que culminou com uma oferta para jantar num dos restaurantes mais famosos da cidade.


O concerto foi espectacular e o regresso do vocalista MICHAEL SAEDLER veio conferir à banda o estilo musical que lhes é tão peculiar e apreciado pelos seus fãs.


Os SAGA passaram 2 dias em COLMAR. Na esplanada do HOTEL EUROPA (o único 4 estrelas de Colmar), 4h antes do concerto, organizei uma prova de CAIPIRÃO, que os deixou completamente felizes! Mamámos duas garrafinhas, igualmente partilhadas com todo o staff técnico. E lá foram para TORONTO (Canadá) onde residem, com o famoso elixir beirão.




Contrariamente ao que vocês podem pensar, SLB não tem nada (mesmo nada )a ver com a equipa que a nossa Briosa vai enfrentar no próximo domingo em Lisboa. O seu significado é simples: "SIRVA-SE LICOR BEIRÃO". E todos aqueles que provam pela primeira vez, adoram mesmo o CAIPIRÃO! Um cocKtail explosivo para se beber com moderação


 se (por acaso) alguém gostar do BENFICA, aproveito para vos informar que o nosso amigo José REDONDO (Big Boss do LICOR BEIRAO) levará até à Pampilhosa no dia 17 e à Lousã no dia 18 deste mês, a equipa encarnada de rugby para defrontar a sua congénere serrana!!Vale a pena lá ir. Concerteza que haverá CAIPIRÃO para todos!!!!


Bobbyzé

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Postalinho da China - Lijiang

"O Lago do Dragão Negro em Lijiang.
Hoje já estamos na maior e mais populosa cidade do mundo!
Chongqing. 82000 km², 33 milhões de habitantes... Coisa pouca!...
Abçs
Alfredo, Daisy e Suzana

Enviado do meu iPhone"

DOIS CAMINHOS ...

Era um homem solitário. Vivia sozinho, num quarto sombrio e acanhado da cidade. Todos os dias subia a calçada a passo, olhos fixos no chão, meditabundo. Por detrás de uma secretária passava os dias, escondido por entre uma pilha de papéis. Apesar do seu modo de ser introvertido, todos os companheiros de trabalho gostavam dele. Aquele sorriso brando, a ligeira vénia com que saudava os colaboradores, granjeavam-lhe simpatia. Engenheiro de profissão, nunca a sua voz se alterou, em acesa discussão com ninguém. Era cordato por natureza. Mas tinha um mistério. Todos os dias – todos os santos dias – depois da hora de encerramento do escritório, fechava-se num compartimento a sete - chaves. Foi assim, durante seis meses. Um dia, confidenciou a um amigo, o que tanto intrigava a todos. Num fim de tarde, convidou o companheiro de trabalho a visitar a sala onde se encerrava até ao cair da noite. E foi ali, que lhe revelou o seu sonho: construir um barco. Em cima de um estirador, repousavam réguas, esquadros, transferidores, compassos, lápis, borrachas e canetas. Além de revistas da especialidade. Debruçado sobre a prancha de madeira, com a ponta do lápis riscando sobre o papel, dava azo à sua imaginação. Depois, regressava ao quarto modesto, onde, pela internet, contactava o mundo. Foi assim que conheceu Regina, brasileira do Estado do Ceará. No início, trocaram apenas palavras de circunstância. Um dia, ela revelou-se-lhe e falou-lhe de amor. Incitava-o a ir ter com ela. Que o receberia de braços abertos e beijos ardentes. E aquele homem introvertido e solitário, via abrirem-se - lhe na vida dois caminhos: ficar na terra Lusa, agora que estava a um passo da reforma, ou viajar para os braços da sua amada. Numa noite mal dormida, teve um impulso: partir, levando na bagagem o desejo ambicionado; o esboço acabado do barco confortável que tinha projectado e queria agora mandar construir. E onde, com ela, passaria a viver, galgando as ondas da extensa costa do Brasil. A vertigem de uma gôndola da paixão e uma cabana. Um delírio de amor. A roçar as seis décadas e meia de vida, moveu influências para passar à reforma. Conseguiu. E um dia, com uma mala na mão, cheia de ilusões e de sonhos, partiu. Mas, rápidamente, aquela ode de desejo se desvaneceu. A Regina, era ainda uma adolescente insegura, muito mais nova que ele. Foi mútuo o desencanto. Pouco ou nada conviveram. Durante muitos meses, vagueou por terras de Vera Cruz. Ao telefone, confidenciava ao amigo que se sentia muito só, não conhecendo ninguém, num país que não era o seu. Voltou. Há dias, encontrei-o numa rua da cidade. Sempre o sorriso afável e cordato. Confidenciou-me, que agora vive num Lugar minúsculo, encravado entre montanhas, no interior de Portugal. Numa singela propriedade que tem, convive com as abelhas, o seu outro amor. De máscara e fumigador na mão, vai tratando dos cortiços e das colmeias, com um olhar vago, perdido de desencanto. A pensar, certamente, na utopia que foi aquele barco de um amor infeliz, que um dia naufragou irremediavelmente e para sempre, ao largo de Copacabana.
Q.P.

A COISA


A Foto.
Um Abraço.
Tonito.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

AVAREZA


Bateram ao longe, na Torre da Universidade, as doze badaladas da meia noite.
Empurrou devagar a porta do palheiro onde dormia, perto da Arregaça, a dois passos da Fonte do Castanheiro, evitando o chiar dos gonzos ferrugentos. Escutou atento, quedo, olhar de lince a perscrutar na escuridão. Nem uma palha mexia, nenhum sussurro. Apenas o desconsolado coaxar de um rã solitária, ao longe, quebrava o silêncio da noite.
Com mil cautelas, o “Carolíngio” voltou a encostar a porta e saiu, pé ante pé, envolto numa esburacada capa alentejana, a cabeça coberta por um seboso capuz de serapilheira que lhe escondia o rosto.
A lua, em quarto minguante, projectava fantasmagóricas sombras dos pinheiros e iriava de luminosas pérolas os charcos formados pelos pingos grossos da chuva que horas antes tinha desabado.
De vez em quando parava, tenso, ouvido à escuta, olho à espreita, o pé direito fincado à frente e a ponta do esquerdo colada à terra, mais atrás. Pronto para o impulso de fuga ao menor sinal...
Mas não. Nada! Só os gemidos da folhagem à passagem da brisa que corria, quebravam a quietude.
Foi subindo, por entre as urzes, o mato, as silvas e o musgo enlameado que atapetavam a colina do Pinhal de Marrocos.

Era perto da mina abandonada, que estava o seu tesouro, amealhado durante mais de vinte anos de mendicidade na cidade.
Hoje, vinha aumentá-lo, enriquecê-lo, juntar-lhe o pecúlio granjeado durante o dia. Como sempre, quedar-se-ia junto dele, consolando-se, apalpando-o, tomando-lhe o peso, com o sigiloso testemunho dos pinheiros e das nuvens pesadas que emolduravam o ténue luar. Muito depois, voltaria a tapar a cova com a pesada pedra que o escondia e regressaria.
Guardar as moedas das esmolas que lhe davam, era o único prazer que a vida lhe dera.
Nunca desperdiçara um tostão em nada que lhe parecesse supérfluo.
Alimentava-se de casqueiros secos, de sopa azedada e de algum resto de carne que lhe davam, vestia-se com roupas que lhe ofereciam. Achava um desperdício, substituir o fétido catre onde dormia desde há anos. Calafetava com lama as frinchas das tábuas do casebre para evitar o frio da aragem e do vento. Sentia-se feliz e, no íntimo, ria-se da vaidosa presunção dos senhores doutores que o esmolavam, dizendo para os seus botões:- o dinheiro que este me dá, faz-lhe mais falta a ele do que a mim...

Com a ajuda de um grosso galho de pinheiro que lhe servia de alavanca, levantou a pesada laje que recobria o tesouro, meteu as mãos ávidas de prazer no fundo buraco, vasculhou, rebuscou, mas nada encontrou!
Estava vazio! Praguejou, ameaçou em vão, e, por fim, soltou um agonizante grito rouco que o eco da outra margem do Mondego lhe devolveu segundos depois. Alguém descobrira o tesouro e lho roubara...
Pelas suas contas, o suficiente para serem compradas duas ou três casas na cidade.
Pela primeira vez na vida, recriminou-se por nunca ter tirado proveito daquele dinheiro.
Mas era tarde!

Rui Felicio

NOTÍCIAS DO BAIRRO - CNM - ACADEMIA DE MÚSICA NO DOLCE VITA


 


A DISCRIMINAÇÃO POSITIVA

Olha Zé, gostei do discurso, catrino !!!


Venho despedir-me de todos. Estou à beira de ser discriminado, catrino, como se diz cá pela Beira - Baixa. Mas atenção: vou ser discriminado … positivamente. É este o palavrão pomposo com que serei entronizado, se a a benevolência lisboeta, assim o permitir. Foi o que me disse aquela menina de olhos azuis, funcionária da “via verde”, a quem entreguei os papeis, para economizar uns cobres na A 23. Eu explico: quem viver no eixo Torres Novas – Guarda, pode requerer a isenção de pagamento de portagens até 10 viagens. Nas restantes, tem um desconto de 15%. Talvez assim, a modernaça auto-estrada, não dê o seu último suspiro. Na verdade, o seu trânsito é diminuto, e a partir de Abrantes até Castelo Branco, é terra de ninguém. Mesmo o tráfego de veículos de mercadorias, teve uma redução de 30%, face às conhecidas dificuldades das empresas. E ainda não começou a cobrança de portagens.
É por isso que eu gosto de os ver engravatados, com as clientelas coladas a eles como melgas, sempre na procura de um qualquer favorzito. Depois é o Senhor A, B ou C, vindo da capital, a discursar com um ar sisudo para os pacóvios a bater palmas, falando que é preciso corrigir as assimetrias nacionais e regionais. Assimetrias. Gosto do chavão. Enriqueceu imenso o texto. E enquanto o Zé Povinho vai sendo depenado no discurso da treta, o litoral português está cada vez mais longe do Interior profundo. Quer deslocar-se ao interior? Então pague. Como se a vida neste rincão português, oferecesse a qualidade substantiva e os atractivos de quem vive no litoral ou na orla costeira. Está muito doente? Está gravemente ferido, num acidente rodoviário? Haverá meios para socorrer as pessoas? Não. Chama-se um helicóptero. De noite, da minha vista privilegiada, vejo por vezes acenderem-se as luzes do heliporto, noite fechada. É a rendição incondicional e absoluta do hospital cá do burgo, a enviar mais um doente ou sinistrado para Lisboa ou para Coimbra. O içar da bandeira branca.
O interior moribundo, prepara-se agora para ficar mais longe. E o Jornal do Fundão, sempre atento, até já fez as contas. É mais caro ir e vir a Lisboa em portagens, do que viajar de avião em fim – de – semana glorioso, a Barcelona.
Q.P.

Está faltar-te o ar?

Nada mais fácil
Basta pagar a continha!
Quem te manda a ti,grande consumidor de ar,precisares de respirar?!
Com esse ar de santinha,as avé-marias não chegam!
Queres respirar?
Paga e não bufes!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

ZÉ FEIJÃO


Criava porcos numa pequena courela que tinha ao pé da Quinta das Flores.
Levantava-se da enxerga onde dormia, no seu casebre de madeira, antes do sol despontar, ia despejando a lavagem dos baldes para dentro das pocilgas, e ficava a olhar os focinhos cor de rosa a chafurdar nos restos da comida que no dia anterior tinha andado a recolher nalguns restaurantes do Calhabé.
Ao fim da manhã, ao chamamento dos grunhidos dos animais, acorria a dar-lhes umas mãos cheias de farinha e enchia de água os bebedouros de pedra. Ao entardecer dava-lhes couves e mais restos de comida. Depois ia fazer a ronda pelos restaurantes para a recolha das lavagens.
Regressava já de noite ajoujado ao peso de duas grandes latas cheias de comida que equilibrava penduradas nas pontas de um grosso cajado que enganchava nos braços e assentava nas espáduas.
Certa noite, desabafou com o dono do restaurante Marbran, à Fonte da Cheira, queixando-se da sua vida rotineira, sem perspectivas, sem alegrias.

- Casa-te! Precisas de te casar, homem...
- Com quem?!, perguntou admirado o Zé Feijão...
- Ora, com quem. Com uma mulher, é claro!
- Homessa! Nenhuma me há-de querer...
- Tens que fazer por isso. Elas não vêm ter contigo, ora essa!

A partir desse dia o Zé Feijão começou a olhar para as raparigas das vizinhanças. Uma a seguir a outra iam recusando os seus pedidos de casamento. Riam-se da sua fealdade, chegavam a humilhá-lo com dichotes.
- Cheiras mal, diziam-lhe por entre gargalhadas sardónicas.
Não houve mulher nova, velha, feia, bonita, gorda ou magra que acedesse aos seus intentos.
Descoroçoado, cabisbaixo, no domingo da inauguração da nova Igreja de S. José, foi assistir à grande cerimónia.
Não se conteve quando viu aquele deslumbrante vestido vermelho a adejar  na igreja, por entre a multidão de olhares que nele se concentravam.
 Encheu-se de coragem e assomou à coxia:
-  Quer casar comigo? Tenho um terreno na Quinta das Flores e crio porcos!
- Como posso eu casar contigo? Sou Bispo, fiz voto de celibatário...

Rui Felício