sexta-feira, 18 de outubro de 2019

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

ANIVERSÁRIO

MARIA FERNANDA CANELAS

17-10-1945

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

ENCONTRO COM A ARTE- FOTOGRAFIA

 OUTRO OLHAR SOBRE COIMBRA...



                                                   
                     Fotos de Daisy Moreirinhas

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

O AMIGO DE PENICHE ...






Peniche ...

Chamam-lhe “Peniche”, mas o seu nome próprio é Filipe. Um dia foi para a guerra e os camaradas de armas apelidaram-no da terra que é seu berço. Um homem discreto, que hoje é pai de duas lindas filhas. Uma delas, ontem, exibia com orgulho o colorido estandarte da companhia onde o pai serviu como combatente na Guiné.  E nós, os outros, os que com ele combateram, ali estávamos junto ao Forte de Peniche de má memória.  Por sua iniciativa, visitámos aquele Monumento, embora parcialmente, pois o Museu do Resistente apenas estará disponível ao público na sua totalidade dentro de um ano. Porém,  tivemos oportunidade de ver o chamado “parlatório” onde os presos políticos eram visitados pelos seus familiares, e que é um bastião de sofrimento a que ninguém pode ficar indiferente. Também as salas com vasta documentação merecem uma leitura atenta.

A cidade mais ocidental da Europa, terra de pescadores, tem o anátema de que “o amigo de Peniche” será alguém em quem não se pode confiar ou é indesejável. Mas eu tenho há quase cinquenta anos um amigo de Peniche em quem confio e que comigo cimentou uma amizade fabricada na guerra e em todas as privações e aflições por que passámos. Ele foi ontem o anfitrião que organizou aquele almoço de confraternização em que reuniu mais de cem antigos militares e suas famílias. Por isso demos um caloroso abraço e, se lá chegarmos, no quartel de Estremoz e precisamente a 4 de Junho de 2O21, dia em que faz cinquenta anos que dali partimos para a guerra, almoçaremos todos naquele aquartelamento. Para o ano, porém, será a cidade da Covilhã o nosso rumo.

Partimos para Peniche de véspera. Um hotel simpático com varanda com vista para o mar e a escassos metros do farol do Cabo Carvoeiro. O silêncio e a tranquilidade que se procura. O sentar nas rochas junto ao farol e ver as traineiras que passam junto a nós e se fazem a um mar pouco amistoso que as fazia balançar com a proa a afundar nas vagas que nos comprimia o coração. E uma neblina densa, que parecia uma cortina bem definida, onde as traineiras desapareciam em direção ao alto mar rumo ao desconhecido e a todos os perigos, na procura do peixe que comemos à nossa mesa, por vezes em brindes calorosos.

O almoço foi o alvoroço do costume. Um repasto vivido intensamente, porque tem por detrás um momento especial das nossas vidas de juventude. Sabemos, todos sabemos, que estes homens sacrificaram parte da sua juventude numa luta que não queriam. E agora, que tantos anos passaram, a consciência do alheamento e desrespeito a que sempre foram votados pelos sucessivos governos ao longo dos tempos. Ou até daqueles que nem sequer entendem os momentos negros de uma trincheira num fim de mundo. Mas jamais nos anularemos no nosso estatuto de homens que combateram pelo seu país, mesmo que num combate perdido contra os Ventos da História. Jamais a nação ao edificar aquele monumento aos mortos do Ultramar na zona ribeirinha de Lisboa, poderá ter a veleidade de achar que o seu reconhecimento é pleno. Assim se lavam as mãos como Pilatos e se assobia para o lado.

E tu, António Xavier da Costa, que não regressaste ao teu Algarve porque em África perdeste a vida, também estiveste em Peniche, como estarás sempre nos nossos convívios, que mais não são que o respeito que nos devemos uns aos outros numa sociedade indiferente, ingrata e egoísta, em que a futilidade de muitos é o arco triunfal de uma turba ruidosa, por vezes e muitas vezes sem valores e sem rosto.
QP                     

ANIVERSÁRIO

EURICO PEREIRA

         QUITO

14-10-1949

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!

domingo, 13 de outubro de 2019

POSTALINHO DA RÚSSIA

Em Irkutsk, render da guarda ao Soldado Desconhecido.
No Verão a cerimónia faz-se de 30/30 minutos e no Inverno (quando as temperaturas chegam aos 40 graus negativos) faz-se de 15/15 minutos.
Beijos e abraços da Daisy e do Alfredo Moreirinhas.



sexta-feira, 11 de outubro de 2019

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

INTERLÚDIO MUSICAL - FADO DE COIMBRA....

...Em homenagem ao cantor ALCIDES CRUZ, falecido recentemente.

Sugerido por Mário Rovira

ANIVERSÁRIO

RUI FELÍCIO

09-10-1944

Nesta data especial

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!

ANIVERSÁRIO

MARGARIDA ANTUNES VIEIRA

09-10-1944

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!

ANIVERSÁRIO

AMÉLIA CURADO

09-10-1943

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

NO PRETÉRITO DO TEMPO ...






Estou só. Aqui, neste lugar, rodeado de montanhas. De novo me deixei engolir pelas entranhas do silêncio e da solidão. Ali, naquele nada, uma pequena fita de alcatrão vai serpenteando por entre colinas. É a estrada que me conduz à aldeia aninhada no ventre de um vale sombrio. Lá longe, ali ao longe, o fio de estrada desaparece numa curva suave por entre uma guarda – de - honra de pinheiros bravos. Olho o horizonte esfumado por entre castelos de nuvens que se arrastam pachorrentas sobre as montanhas cor de cinza. São cinco da tarde e uma aragem fria sopra agora de mansinho. Sinto que estou no pretérito do Tempo e da Vida. Lá, naquele desterro, quatro muros brancos e singelos delimitam o minúsculo cemitério. Cá fora, fardados a rigor na sua casaca azul e galões dourados, vários soldados da Guarda Republicana perfilados. Vêm saudar quem partiu com um tiro de carabina. Aguardo a chegada do cortejo. Nem preciso de meditar muito sobre o que se vai passar. Tudo tem o seu tempo neste Tempo. Tudo tem um ritual nesta cerimónia simples e austera. À frente o padre, depois as mulheres e, no fim, os homens em passo lento, chapéus de aba larga colados ao peito. O silêncio é profundo e avassalador. Apenas o matraquear dos sapatos das mulheres no empedrado da calçada fere o silêncio do povoado. O negro predomina nos trajes femininos. Nas suas máscaras pálidas, avivam-se as rugas de um passado sem rosto. Os homens, cabisbaixos, olham-se de soslaio, escondendo as emoções, tolhidos num labirinto de lembranças. Quem ali vai, despedindo-se da vida, foi homem de labuta e de folias. Quando o garrafão corria de mão em mão naquela mesa corrida debaixo das latadas. E a concertina que tocava tardes e noites sem fim, com os companheiros já meio pingueiros a cantar à desgarrada nas noites mornas e de luar. Mas hoje, aqui, neste povoado singelo, escreveu-se um ponto final. Retiro-me antes da salva de tiros. A curva suave da estrada misteriosa suscita-me curiosidade. Parto sem destino, no galopar dos meus pensamentos pardos. Uma enorme descida leva-me até um vale perdido no Tempo. Ali não existe Passado. Nem Presente. Nem Memórias. Um homem de cajado na mão e cabelo ao vento, andrajoso e de longas barbas brancas em desalinho, saúda-me com uma vénia. Aceno-lhe, correndo agora à desfilada na procura desesperada do meu Tempo presente. Aquele casario longínquo, que já vejo esbatido na bruma do entardecer, é - me familiar. Sinto que cheguei ao meu porto de bonança. Entro no meu escritório, refúgio das minhas emoções, enquanto lá fora a noite cai fulminante sobre os telhados escuros e o vento corre célere pelas veredas da aldeia neste lamento de outono.
Q.P.        

ANIVERSÁRIO

JORGE LUIS COSTA

07-10-1945

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MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

QUOTIDIANO DO CAFÉ DO SR SILVA


QUOTIDIANO DO CAFÉ DO SR. SILVA

Ao fundo, o balcão envidraçado pejado de bolos de arroz, jesuítas, duchaises, pasteis de nata e de Tentúgal, brioches, queques…
Em cima dele num dos cantos, um pequeno barril de madeira que escondia a serpentina por onde corria a cerveja e que o Sr Silva, dono do Café, de manhã e à tarde aconchegava com
bocados poliédricos que ia partindo com um martelo de uma enorme barra de gelo.
Na parede, destacado, um diploma de Tirador de Cerveja em nome do dono do Café.
Numa mesa, ao canto, o Afonso, o Silva, hóspede, que vivia num quarto alugado no primeiro andar, o Elói e o Munhoz, jogavam os dados.
Ao lado, noutra mesa, o prof Ilharco, de lunetas redondas encavalitadas na ponta do nariz, impacientava-se e intimava o Sr Silva a ultimar o trabalho de meter o gelo no barril para se vir sentar para uma partida de damas.
No meio do ruído dos dados a rebolarem estrepitosamente no tampo da mesa ao lado, o Afonso ia apontando num papel, os tentos de cada parceiro, sempre sob o olhar desconfiado do Munhoz que não se cansava de dizer que ele queria ganhar na secretaria.
O Sr Silva, de cabelo preto arrepiado da frente para trás, entretanto já sentado em frente ao prof. Ilharco lá ia movimentando as pedras, carregando fortemente naquela que acabara de deslocar.

Fitava o Ilharco e setenciava com ar melifluo:
- Voi lhe colocar aqui um prego!
- Ah! Você disse um prego, articulava o Ilharco pensativo, fazendo uma careta...
Na mesa ao lado, o Elói, pausadamente, proclamava:
- Poker de ases!
E o Sr Silva, sem despregar os olhos do tabuleiro das damas:
- Ele disse poker de ases...
E o Ilharco:
- Ah, você disse  que ele disse poker de ases. Mas se não se põe a pau, como-lhe três e faço dama.
- E eu como-lhe a dama! Aqui não há pão para malucos...
- Ah. Você disse malucos...
- E o Munhoz na mesa do canto, ao mesmo tempo que chocalhava os dados dentro do copo de cabedal, antes de os lançar:
- Ah, ele disse que lhe comia a dama! Olha, fullen de reis por valetes. De mão! Aponta aí, Afonso!

Entra o Feliciano, de livros debaixo do braço:
- Sr Silva, queria um café e um bolo.
- Tire-o. Sirva-se! O café são oito tostões e o bolo doze, respondia-lhe o Sr Silva sem tirar os olhos do jogo das damas e estendendo a mão para receber o dinheiro.
- Vou-lhe fazer o pé de galo, dizia o Ilharco quando ficou com três damas contra uma.
E o Munhoz:
- Ele disse que lhe vai fazer o pé de galo!
Entre dentes, o Silva resmungava:
- Para isso tem de me tirar do rego.
- Ah, você não sai do rego...assim também eu, dizia o Ilharco, contrariado.
- Está de esquina! Não vale!, dizia o Afonso ao Elói que reclamava uma sequência máxima.
- Pois, é como digo. O gajo ganha sempre na secretaria, berrava o Munhoz com um murro na mesa que fez o dado esquinado assentar numa das faces.
- De esquina? Qual esquina?, respondia-lhe o Elói  apontando para os dados, agora sem nenhum de esquina, depois do murro do Munhoz...

Era assim o dia a dia no Café do Sr. Silva...







quarta-feira, 2 de outubro de 2019

ANIVERSÁRIO

MARIA MANUELA CURADO

       "NELA CURADO"

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MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

ANIVERSÁRIO

PAULO MOURA

30-09-1960

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MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS

domingo, 29 de setembro de 2019

IN MEMÓRIAS & INSPIRAÇÕES José O Passeiro


" Estive ontem em casa de um vizinho que tem na sua habitação um lume. Um lume é, basicamente, uma fogueira no chão, com uma grelha de ferro por cima e uma chaminé no tecto por onde evacua o fumo da combustão.                                                Recuei  45 anos e percorri por momentos, em pensamento, a casa da minha avó paterna. Vivia no bêco de Stº António, em Eiras. Agora é de Santo António, na altura era apenas O Bêco. A casa era minúscula, mas adorável. Tinha uma cozinha de lume por baixo, e dois pequenos  quartos no andar de cima. A cozinha tinha como únicos móveis um mosqueiro, um armário, uma mesa , dois bancos e, na parede, uma grade de madeira com camarões  metálicos onde se penduravam os tachos e as cafeteiras. Os pratos, já um pouco desbeiçados pelo uso, eram colocados numa prateleira, que debruava a chaminé e era revestida com vistoso papel decorativo colorido, que se vendia propositadamente para esse efeito. Não havia electricidade nem água canalizada.  O lume estava aceso todo o dia. A ligação aos quartos era feita por umas escadas de madeira, regularmente lavada com sabão amarelo e encerada, mas já carcomida e esburacada pelo caruncho. Ladeava-a um corrimão do mesmo material e ao subir ouvia-se o ranger provocado pelo  peso dos anos. Ao cimo das escadas estava uma pequena mesa, onde pontuavam principalmente objectos de cariz religioso. Recordo-me de uma figura de S. Jorge a cavalo, perfurando um dragão com a sua lança. Mas não consigo lembrar-me se seria um quadro ou objecto de porcelana. Depois havia um relógio despertador daqueles com campainha por cima, e cujo ponteiro dos segundos, ressoava noite dentro de forma ensurdecedora. Na parede, estava pendurado um prato de porcelana com formato de folha de couve de repolho e 3 nozes em relevo. Apenas o facto de estar num sítio inatingível para a minha altura, impediu que o retirasse e verificasse se as ditas nozes, eram verdadeiras ou de barro. Os quartos eram simples. Camas de ferro, com colchões e almofadas de palha. O “meu” tinha a particularidade de quase poder bater com a mão no tecto de forro (esconso) mesmo estando deitado. Tudo era cozinhado ao lume. O café, cujo agradável cheiro eu nunca mais esqueci, era guardado numa velha lata cúbica, gravada com desenhos de galos nos 4 lados. Os talheres eram de ferro e cabo de madeira, mas a principal iguaria que me recordo de comer em casa da minha avó, dispensava o seu uso. Sardinhas fritas em pasta. A minha avó dizia que eu demorava menos a comê-las que ela a fritá-las. Fazia-o  debruçada sobre o lume, numa sertã preta, e utilizava um galho de pinheiro para as virar. Mesmo assim, não era fácil convencer-me a ir lá dormir e minimizar um pouco a sua solidão.                                                                                                     Normalmente eram noites de pesadelos com guerras infinitas entre dragões, relógios e São Jorges. Mas ela lá me convencia, puxando pela algibeira e retirando um cruzado, (4 tostões) que era invariavelmente trocado por rebuçados ou línguas de gato, no dia seguinte, na loja do António Carvalho. Depois adoeceu, foi para casa de uma tia minha, que tratou dela até ao fim, e eu nunca mais lá entrei…" in Memórias & Inspirações"

sábado, 28 de setembro de 2019