sexta-feira, 18 de outubro de 2019
ENCONTRO DE GERAÇÕES - RECORDAR O DIA 18-10-2008
Etiquetas:
Biblioteca Encontro de Gerações
quinta-feira, 17 de outubro de 2019
ANIVERSÁRIO
Etiquetas:
Aniversários
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
ENCONTRO COM A ARTE- FOTOGRAFIA
Etiquetas:
Encontro com a Arte- Fotografia
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
O AMIGO DE PENICHE ...
Peniche ...
Chamam-lhe “Peniche”, mas o seu nome próprio é Filipe. Um dia
foi para a guerra e os camaradas de armas apelidaram-no da terra que é seu
berço. Um homem discreto, que hoje é pai de duas lindas filhas. Uma delas,
ontem, exibia com orgulho o colorido estandarte da companhia onde o pai serviu
como combatente na Guiné. E nós, os
outros, os que com ele combateram, ali estávamos junto ao Forte de Peniche de
má memória. Por sua iniciativa,
visitámos aquele Monumento, embora parcialmente, pois o Museu do Resistente
apenas estará disponível ao público na sua totalidade dentro de um ano. Porém, tivemos oportunidade de ver o chamado “parlatório” onde os presos
políticos eram visitados pelos seus familiares, e que é um bastião de sofrimento a
que ninguém pode ficar indiferente. Também as salas com vasta documentação merecem uma leitura atenta.
A cidade mais ocidental da Europa, terra de pescadores, tem o
anátema de que “o amigo de Peniche” será alguém em quem não se pode confiar ou
é indesejável. Mas eu tenho há quase cinquenta anos um amigo de Peniche em quem
confio e que comigo cimentou uma amizade fabricada na guerra e em todas as
privações e aflições por que passámos. Ele foi ontem o anfitrião que organizou
aquele almoço de confraternização em que reuniu mais de cem antigos militares e
suas famílias. Por isso demos um caloroso abraço e, se lá chegarmos, no
quartel de Estremoz e precisamente a 4 de Junho de 2O21, dia em que faz cinquenta anos que dali partimos para a guerra, almoçaremos todos
naquele aquartelamento. Para o ano, porém, será a cidade da Covilhã o nosso
rumo.
Partimos para Peniche de véspera. Um hotel simpático com
varanda com vista para o mar e a escassos metros do farol do Cabo Carvoeiro. O
silêncio e a tranquilidade que se procura. O sentar nas rochas junto ao farol e
ver as traineiras que passam junto a nós e se fazem a um mar pouco amistoso que
as fazia balançar com a proa a afundar nas vagas que nos comprimia o coração. E
uma neblina densa, que parecia uma cortina bem definida, onde as traineiras
desapareciam em direção ao alto mar rumo ao desconhecido e a todos os perigos,
na procura do peixe que comemos à nossa mesa, por vezes em brindes calorosos.
O almoço foi o alvoroço do costume. Um repasto vivido intensamente,
porque tem por detrás um momento especial das nossas vidas de juventude.
Sabemos, todos sabemos, que estes homens sacrificaram parte da sua juventude
numa luta que não queriam. E agora, que tantos anos passaram, a consciência do
alheamento e desrespeito a que sempre foram votados pelos sucessivos governos
ao longo dos tempos. Ou até daqueles que nem sequer entendem os momentos negros
de uma trincheira num fim de mundo. Mas jamais nos anularemos no nosso estatuto
de homens que combateram pelo seu país, mesmo que num combate perdido contra os
Ventos da História. Jamais a nação ao edificar aquele monumento aos mortos do
Ultramar na zona ribeirinha de Lisboa, poderá ter a veleidade de achar que o
seu reconhecimento é pleno. Assim se lavam as mãos como Pilatos e se assobia
para o lado.
E tu, António Xavier da Costa, que não regressaste ao teu
Algarve porque em África perdeste a vida, também estiveste em Peniche, como estarás
sempre nos nossos convívios, que mais não são que o respeito que nos devemos
uns aos outros numa sociedade indiferente, ingrata e egoísta, em que a
futilidade de muitos é o arco triunfal de uma turba ruidosa, por vezes e muitas
vezes sem valores e sem rosto.
QP
ANIVERSÁRIO
Etiquetas:
Aniversários
domingo, 13 de outubro de 2019
POSTALINHO DA RÚSSIA
Etiquetas:
Postalinhos
sexta-feira, 11 de outubro de 2019
ANIVERSÁRIO
Etiquetas:
Aniversários
quinta-feira, 10 de outubro de 2019
INTERLÚDIO MUSICAL- FADO DE COIMBRA
Etiquetas:
Interludio Musical
ANIVERSÁRIO
Etiquetas:
Aniversários
quarta-feira, 9 de outubro de 2019
INTERLÚDIO MUSICAL - FADO DE COIMBRA....
...Em homenagem ao cantor ALCIDES CRUZ, falecido recentemente.
Sugerido por Mário Rovira
Etiquetas:
Interlúdio Musical
ANIVERSÁRIO
Etiquetas:
Aniversários
ANIVERSÁRIO
Etiquetas:
Aniversários
ANIVERSÁRIO
Etiquetas:
Aniversários
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
NO PRETÉRITO DO TEMPO ...
Estou só. Aqui, neste lugar, rodeado de montanhas. De novo me
deixei engolir pelas entranhas do silêncio e da solidão. Ali, naquele nada, uma
pequena fita de alcatrão vai serpenteando por entre colinas. É a estrada que me
conduz à aldeia aninhada no ventre de um vale sombrio. Lá longe, ali ao longe,
o fio de estrada desaparece numa curva suave por entre uma guarda – de - honra
de pinheiros bravos. Olho o horizonte esfumado por entre castelos de nuvens que
se arrastam pachorrentas sobre as montanhas cor de cinza. São cinco da tarde e
uma aragem fria sopra agora de mansinho. Sinto que estou no pretérito do Tempo e
da Vida. Lá, naquele desterro, quatro muros brancos e singelos delimitam o
minúsculo cemitério. Cá fora, fardados a rigor na sua casaca azul e galões
dourados, vários soldados da Guarda Republicana perfilados. Vêm saudar quem
partiu com um tiro de carabina. Aguardo a chegada do cortejo. Nem preciso de meditar
muito sobre o que se vai passar. Tudo tem o seu tempo neste Tempo. Tudo tem um
ritual nesta cerimónia simples e austera. À frente o padre, depois as mulheres
e, no fim, os homens em passo lento, chapéus de aba larga colados ao peito. O
silêncio é profundo e avassalador. Apenas o matraquear dos sapatos das mulheres
no empedrado da calçada fere o silêncio do povoado. O negro predomina nos trajes
femininos. Nas suas máscaras pálidas, avivam-se as rugas de um passado sem
rosto. Os homens, cabisbaixos, olham-se de soslaio, escondendo as emoções,
tolhidos num labirinto de lembranças. Quem ali vai, despedindo-se da vida, foi homem
de labuta e de folias. Quando o garrafão corria de mão em mão naquela mesa
corrida debaixo das latadas. E a concertina que tocava tardes e noites sem fim,
com os companheiros já meio pingueiros a cantar à desgarrada nas noites mornas
e de luar. Mas hoje, aqui, neste povoado singelo, escreveu-se um ponto final.
Retiro-me antes da salva de tiros. A curva suave da estrada misteriosa
suscita-me curiosidade. Parto sem destino, no galopar dos meus pensamentos
pardos. Uma enorme descida leva-me até um vale perdido no Tempo. Ali não existe
Passado. Nem Presente. Nem Memórias. Um homem de cajado na mão e cabelo ao
vento, andrajoso e de longas barbas brancas em desalinho, saúda-me com uma
vénia. Aceno-lhe, correndo agora à desfilada na procura desesperada do meu Tempo presente. Aquele
casario longínquo, que já vejo esbatido na bruma do entardecer, é - me familiar.
Sinto que cheguei ao meu porto de bonança. Entro no meu escritório, refúgio das
minhas emoções, enquanto lá fora a noite cai fulminante sobre os telhados
escuros e o vento corre célere pelas veredas da aldeia neste lamento de outono.
Q.P.
domingo, 6 de outubro de 2019
COIMBRA ANOS 70-RTP MEMÓRIA
sexta-feira, 4 de outubro de 2019
quinta-feira, 3 de outubro de 2019
QUOTIDIANO DO CAFÉ DO SR SILVA
QUOTIDIANO DO CAFÉ DO SR. SILVA
Ao fundo, o balcão envidraçado pejado de bolos de arroz, jesuítas,
duchaises, pasteis de nata e de Tentúgal, brioches, queques…
Em cima dele num dos cantos, um pequeno barril de madeira
que escondia a serpentina por onde corria a cerveja e que o Sr Silva, dono do Café, de
manhã e à tarde aconchegava com
bocados poliédricos que ia partindo com um martelo de uma
enorme barra de gelo.
Na parede, destacado, um diploma de Tirador de Cerveja em
nome do dono do Café.
Numa mesa, ao canto, o Afonso, o Silva, hóspede, que
vivia num quarto alugado no primeiro andar, o Elói e o Munhoz, jogavam os
dados.
Ao lado, noutra mesa, o prof Ilharco, de lunetas redondas
encavalitadas na ponta do nariz, impacientava-se e intimava o Sr Silva a ultimar o
trabalho de meter o gelo no barril para se vir sentar para uma partida de damas.
No meio do ruído dos dados a rebolarem estrepitosamente
no tampo da mesa ao lado, o Afonso ia apontando num papel, os tentos de cada
parceiro, sempre sob o olhar desconfiado do Munhoz que não se cansava de dizer que
ele queria ganhar na secretaria.
O Sr Silva, de cabelo preto arrepiado da frente para trás,
entretanto já sentado em frente ao prof. Ilharco lá ia movimentando as pedras,
carregando fortemente naquela que acabara de deslocar.
Fitava o Ilharco e setenciava com ar melifluo:
- Voi lhe colocar aqui um prego!
- Ah! Você disse um prego, articulava o Ilharco pensativo, fazendo uma careta...
Na mesa ao lado, o Elói, pausadamente, proclamava:
- Poker de ases!
E o Sr Silva, sem despregar os olhos do tabuleiro das damas:
- Ele disse poker de ases...
E o Ilharco:
- Ah, você disse que ele disse poker de ases. Mas se não se põe a pau, como-lhe três e faço dama.
- E eu como-lhe a dama! Aqui não há pão para malucos...
- Ah. Você disse malucos...
- E o Munhoz na mesa do canto, ao mesmo tempo que chocalhava os dados dentro do copo de cabedal, antes de os lançar:
- Ah, ele disse que lhe comia a dama! Olha, fullen de reis por valetes. De mão! Aponta aí, Afonso!
Entra o Feliciano, de livros debaixo do braço:
- Sr Silva, queria um café e um bolo.
- Tire-o. Sirva-se! O café são oito tostões e o bolo doze, respondia-lhe o Sr Silva sem tirar os olhos do jogo das damas e estendendo a mão para receber o dinheiro.
- Vou-lhe fazer o pé de galo, dizia o Ilharco quando ficou com três damas contra uma.
E o Munhoz:
- Ele disse que lhe vai fazer o pé de galo!
Entre dentes, o Silva resmungava:
- Para isso tem de me tirar do rego.
- Ah, você não sai do rego...assim também eu, dizia o Ilharco, contrariado.
- Está de esquina! Não vale!, dizia o Afonso ao Elói que reclamava uma sequência máxima.
- Pois, é como digo. O gajo ganha sempre na secretaria, berrava o Munhoz com um murro na mesa que fez o dado esquinado assentar numa das faces.
- De esquina? Qual esquina?, respondia-lhe o Elói apontando para os dados, agora sem nenhum de esquina, depois do murro do Munhoz...
Era assim o dia a dia no Café do Sr. Silva...
Etiquetas:
Rui Felicio
quarta-feira, 2 de outubro de 2019
ANIVERSÁRIO
Etiquetas:
Aniversários
terça-feira, 1 de outubro de 2019
COIMBRA DE OUTROS TEMPOS
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
ANIVERSÁRIO
Etiquetas:
Aniversários
domingo, 29 de setembro de 2019
IN MEMÓRIAS & INSPIRAÇÕES José O Passeiro
" Estive ontem em casa de um vizinho que tem na sua
habitação um lume. Um lume é, basicamente, uma fogueira no chão, com uma grelha
de ferro por cima e uma chaminé no tecto por onde evacua o fumo da combustão. Recuei 45 anos e percorri por momentos, em pensamento, a casa da minha
avó paterna. Vivia no bêco de Stº António, em Eiras. Agora é de Santo António,
na altura era apenas O Bêco. A casa era minúscula, mas adorável. Tinha uma
cozinha de lume por baixo, e dois pequenos quartos no andar de cima. A
cozinha tinha como únicos móveis um mosqueiro, um armário, uma mesa , dois
bancos e, na parede, uma grade de madeira com camarões metálicos onde se
penduravam os tachos e as cafeteiras. Os pratos, já um pouco desbeiçados pelo
uso, eram colocados numa prateleira, que debruava a chaminé e era revestida com
vistoso papel decorativo colorido, que se vendia propositadamente para esse
efeito. Não havia electricidade nem água canalizada. O lume estava aceso
todo o dia. A ligação aos quartos era feita por umas escadas de madeira,
regularmente lavada com sabão amarelo e encerada, mas já carcomida e esburacada
pelo caruncho. Ladeava-a um corrimão do mesmo material e ao subir ouvia-se o
ranger provocado pelo peso dos anos. Ao cimo das escadas estava uma
pequena mesa, onde pontuavam principalmente objectos de cariz religioso.
Recordo-me de uma figura de S. Jorge a cavalo, perfurando um dragão com a sua
lança. Mas não consigo lembrar-me se seria um quadro ou objecto de porcelana.
Depois havia um relógio despertador daqueles com campainha por cima, e cujo
ponteiro dos segundos, ressoava noite dentro de forma ensurdecedora. Na parede,
estava pendurado um prato de porcelana com formato de folha de couve de repolho
e 3 nozes em relevo. Apenas o facto de estar num sítio inatingível para a minha
altura, impediu que o retirasse e verificasse se as ditas nozes, eram
verdadeiras ou de barro. Os quartos eram simples. Camas de ferro, com colchões
e almofadas de palha. O “meu” tinha a particularidade de quase poder bater com
a mão no tecto de forro (esconso) mesmo estando deitado. Tudo era cozinhado ao
lume. O café, cujo agradável cheiro eu nunca mais esqueci, era guardado numa
velha lata cúbica, gravada com desenhos de galos nos 4 lados. Os talheres eram
de ferro e cabo de madeira, mas a principal iguaria que me recordo de comer em
casa da minha avó, dispensava o seu uso. Sardinhas fritas em pasta. A minha avó
dizia que eu demorava menos a comê-las que ela a fritá-las. Fazia-o
debruçada sobre o lume, numa sertã preta, e utilizava um galho de pinheiro para
as virar. Mesmo assim, não era fácil convencer-me a ir lá dormir e minimizar um
pouco a sua solidão. Normalmente eram noites de pesadelos com guerras infinitas
entre dragões, relógios e São Jorges. Mas ela lá me convencia, puxando pela algibeira
e retirando um cruzado, (4 tostões) que era invariavelmente trocado por
rebuçados ou línguas de gato, no dia seguinte, na loja do António Carvalho.
Depois adoeceu, foi para casa de uma tia minha, que tratou dela até ao fim, e
eu nunca mais lá entrei…" in Memórias & Inspirações"
Etiquetas:
Josá Passeiro
sábado, 28 de setembro de 2019
JARDINS FLORIDOS - BAIRRO NORTON DE MATOS
Subscrever:
Mensagens (Atom)



















































