quarta-feira, 24 de março de 2021

ENCONTRO COM A ARTE - FOTOGRAFIA COIMBRA

    Foto de Rui Freitas
 

ENCONTRO COM A ARTE- POESIA



 A Laurinda chegou do lameiro

Deu por findo o afã da lavoura!
Como já era o seu costume,
Prendeu a vaca à manjedoura,
Amanhou uns galhos para o lume
Que foi poisar junto da lareira,
Tinha de ir à fonte primeiro!
Agarrou o cântaro de barro
Quase vazio, na cantareira,
Deitou o resto para um jarro
Embrulhou a menina no xale
Tapadinha até ao nariz
Não quer que a criança arrefeça
Lá vai de molídia à cabeça
A caminho do chafariz
Em passo leve como num baile!
Depois do cântaro ficar cheio
Vira a Laurinda de regresso
Chega a casa depõe a vasilha
Volve um banquinho do avesso
Conchega nele a sua filha
Dependura o xale usado
Que lhe causa um certo enleio
Afasta o tição, apanha a cinza,
Põe, de novo, o carvão arrimado...
Eis que surge o marido ranzinza
Traz um novo braçado de lenha
E um cepo a cair da mão
Pergunta com algum azedume
Se tem que ele acender o lume
Para aquecerem o serão
Ou esperam que a noite venha?!!!!
A Laurinda nem responde
Ainda mais apressa o cuidado
A que se dedica com afã
Sem deixar tempo desperdiçado
Desde o acordar pela manhã
Até que o dia se esconde
Arrima a panela ao lume
Descasca as batatas para a sopa,
Caldo escoado como de costume,
E puxa a mesa para a lareira
Põe-lhe a toalha e os paninhos
Talheres e pratos de esmalte
Verifica que nada mais falte
Aconchega dois ou três galhinhos
A avivar a chama da fogueira...

Georgina Ferro

segunda-feira, 22 de março de 2021

ANIVERSÁRIO Dona Rosa Melo Pato


ROSA MELO PATO

22-03-1929

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!
 

domingo, 21 de março de 2021

DIA MUNDIAL DA POESIA

 DA POESIA                                                                                                                



Tenho poemas como claridades matinais

Como o nascer do sol

Na bruma equidistante da planície.


Tenho poemas como trovões

Na noite mais inquieta

E mais escura dos teus gestos.


Tenho poemas macios

Como a palavra madura

No contorno dos teus seios.


Tenho poemas que rasgam

Como baioneta em guerra

No bico desta caneta.


O gosto é que manda

Com as palavras que escolho

Nas crinas que se levantam

Pelas brisas encrespadas

Pelas vozes mais secantes

Das tangentes madrugadas.


Ou pelas bocas que beijam

As maresias serenas

Das marés apaixonadas.


António F. Pina


quinta-feira, 18 de março de 2021

 


ALVOR

Da cidade de Lagos à alva praia de Alvor é um tiro de carabina. Por uma estrada estreita vamos correndo devagar que o trânsito merece precaução. Ali, do lado direito, encontramos o aeródromo de Portimão, paraíso de paraquedistas e de pequenos aviões coloridos que nos fazem sonhar com o céu azul sem limites. Depois, continuando a serpentear por estradas apertadas, chegamos ao nosso destino – Alvor. Agora que os veraneantes partiram, arrumar o carro e gozar de uma bela zona pedonal junto da ria de águas serenas e pequenos barcos de turismo e recreio a balançar ao ritmo do dia calmo. Alguns turistas, maioritariamente estrangeiros, sentam-se nas mesas debruçadas sobre a ria, bebendo tranquilamente um café ou um sumo que preencha duas horas de lazer. Ali, ali ao fundo, é uma zona de restaurantes. Cheira a peixe a ser confecionado em grandes grelhas, e um enorme bando de gaivotas olha atentamente para o homem que conhecem e que as costuma presentear com as vísceras do peixe amanhado a servir aos clientes. As espectativas das aves não são em vão e um balde de tripas é lançado para um terreiro junto à ria. Sentado num degrau de pedra, vou olhando aquele festim e divirto-me com a algazarra das gaivotas que, em menos de nada, comem o manjar que lhes foi oferecido. Depois, seguir rua acima. Olhar os restaurantes vazios e ali, no meio daquela ladeira, um bar aberto sem clientes. É escuro como negro é o avental de um homem alto que vai varrendo o chão de sobrado, absorto a olhar para a vassoura. Naquela rua tudo seria silêncio, não fosse de um dos restaurantes ouvir-se em alto registo o som dos Pink Floyd na tentativa de chamar a clientela. Num cruzamento de ruas fico parado e vou avaliando o ambiente. Acolá, o aglomerado de gente é maior e tenho alguma sensação de insegurança. Rodopio e regresso ladeira abaixo ao encontro de amigos. Numa mesa e a quatro, saboreámos o bom peixe que nos afirmam ser do mar e não de viveiro. E para o degustar, nada como o som de um acordéon que vai alegrando as mesas dos veraneantes. E não faltou uma referência musical à Beira Baixa e a Castelo Branco, com aquela máxima popular de que quem viveu na urbe albicastrense não é feliz noutra terra - talvez. Pelo menos o ilustre Amato Lusitano assinaria por baixo o amor a essa bela cidade na rota raiana.

Kito Pereira

Cidade de Lagos, 12 de outubro de 2020           

quarta-feira, 17 de março de 2021

ANIVERSÁRIO José Alvim

JOSÉ ALVIM

17-03-1942


Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!
 

sexta-feira, 12 de março de 2021

BOM DIA NOS DÊ DEUS

 

Bom dia nos dê Deus.

    Era assim a saudação matinal em cada encontro pela aldeia, só depois se trocavam umas palavras consoante a maior ou menor intimidade ou a pressa com que se ia. 

     No Verão, que os dias eram grandes, era quando havia menos tempo para conversar, a não ser na faina, que se fazia em comum, mas a azáfama era sempre tanta que nem dava para uma verdadeira conversa. 

      Naqueles longos serões de Inverno, isso sim é que eram longos "convesares". Depois da ceia, arredada a mesa, arrumada a  loiça à luz do candeeiro, fiava-se o linho, tricotavam-se as meias e camisolas, degranava-se o milho, escolhiam-se os cornachos ao centeio... enquanto se contavam histórias e contos, se falava das dificuldades da vida, se davam e ouviam conselhos, se lembravam tarefas a cumprir e se recordavam os entes passados. Por eles se diziam orações e se rezava o terço com a meditação de mistério em mistério. 

     Aos domingos como não se devia trabalhar era dia de jogar às cartas, fazer dobras ou desenhos com um fio de lã ou guita a passar das mãos de um para outro, jogávamos à sardinha, a dizer lenga-lengas, adivinhas e provérbios.. e os serões não eram mais longos porque tinha que se poupar lenha não fosse acabar antes de findarem os dias de caramelo, assim como o petróleo do candeeiro que nem sempre havia moedas para se ir comprar. Até porque, se o lume tinha boa chama, baixava-se bem a torcida do candeeiro para poupar gastos. Nas casa mais pobrezinhas ( de autêntica miséria) e eram muitas, usava-se apenas a candeia para quebrar o escurecer do dia e eram bem mais curtos os serões. Se não fossem os verdadeiros afectos que uniam a nossa gente, quantas velhinhas viúvas, quantas pessoas doentes, morreriam à fome e ao frio! Mas tantas vezes ouvia dizer "quem menos tem é quem mais dá." Ou "quem dá, sempre tem". 

      Georgina Ferro

quarta-feira, 10 de março de 2021

domingo, 7 de março de 2021

LEVASTE A CHUVA NOS BOLSOS...



LEVASTE A CHUVA NOS BOLSOS …

 

Numa manhã de maio partiste para o Sono Eterno. Mereces esse sono reparador pela tua alma inquieta e inconformada. Viveste num planeta que não era o teu e numa galáxia que não era a tua, aprisionado pelas grilhetas de uma sociedade que não  te compreendia nem te compreende. Vestiste na vida o preto carregado do luto. O luto do teu ser atormentado. Derramaste pelos livros de poesia que escreveste o sentir da tua rima negra. O desencanto e a descrença que se visitam e revisitam página a página naquele labirinto de emoções pardas em que nos perdemos como náufragos na procura de um porto de abrigo que não vislumbramos. Morremos contigo e sentimo-nos levados pela tua mão pela diáspora do Universo e do Eterno.

Não te conheci nesta vida José António, mas queria. Queria muito. Queria falar-te do teu pai. Queria dizer-te quanto ele significou na minha infância Choupalina. Queria envolver-te a ti e a ele num abraço fraterno. Mas sei que é impossível, pois tal como tu também ele partiu. Partiu cedo quando ainda muito tinha a esperar da vida. Afinal a morte dos homens comuns, que partem anónimos no rasto da cauda luminosa de um cometa. Mas tu Zé António, nunca viveste amarrado ao cais da nossa existência opaca. Apenas emprestaste a este mundo o corpo que assinalava a tua presença física, passeando por aí absorto e ausente, trazendo contigo a chuva nos bolsos. Porque o teu espírito e a tua alma nunca pisaram esta nau terrena do conformismo do nosso penar. A chuva que levaste nos bolsos, talvez seja uma fonte de lágrimas. Lágrimas da tua impotência em mudar o mundo, de vivermos em sociedade nas asas de um sonho sempre inacabado. Sabes – ou talvez não  – quanto a tua família honrada e leal significou no meu passado remoto. Talvez por isso, quando te li e reli, senti a necessidade de falar contigo estejas onde estiveres. Foste para mim uma grande surpresa na genialidade da tua poesia. O Cantar de um Homem culto e superior, desenraizado e distante, que é só privilégio de todos os pensadores geniais. E que melhor forma terei para te homenagear, do que navegar nessa barca de desconforto e de solidão interior, remando contigo no alvoroço das tuas palavras cor da cinza - “ são horas de me erguer e caminhar fora do túmulo das palavras no segredo desse lugar único em que a escuridão da noite parece eterna claridade”.

Abraço – te, José António.

Kito Pereira      

quinta-feira, 4 de março de 2021

ANIVERSÁRIO Rui Barreiros

RUI BARREIROS

04-03-1946

Nesta data especial...

"Encontro de gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!

 

quarta-feira, 3 de março de 2021

BORDA D´ÁGUA

 1950  Novembro

O Borda d'Água, sim o Borda d'Água, ainda não havia televisão, ou rádio, nem sequer havia electricidade lá na aldeia, mas esse boletim anunciava fortes tempestades de vento, granizo e trovoada. 

O ti Ferreira já fora ver as previsões, mas tinha uma encomenda para entrega e não podia falhar pois dera a sua palavra de honra ao comprador.

Depois do mata-bicho foi ter com a Felisbela do ti Júlio e com o Lau do ti Diamantino,  com 10 e 11anos, respectivamente, e disse-lhes onde estavam os carregos para levarem. Ele iria à frente, se avistasse a guarda ou os carabineiros, voltaria atrás para os avisar. Tinham de ir pelo moinho do prado castelhano e descerem dali para Navas Frias. Era bem mais longe mas era mais fácil.  

    _ Levem a samarra e o xale de lã, não se esqueçam!...- pediu-lhes. - Cuidado com as escorregadelas! Se houver muitos trovões não se quedem debaixo dos carvalhos!

     _ Sim, senhor! 

     _ Se virem a guarda escondam o carrego e continuem a andar com se fossem buscar as vacas ao lameiro, está bem?

     _ Sim, senhor.

     O ti Ferreira partiu e os garotos meteram um codorno de pão às bocas e foram em busca dos sacos do café para abalarem.  

    Ainda estavam a avaliar o peso da carga e já se ouvia o primeiro estrondo da tempestade que se avizinhava. A Felisbela tremia de medo, mas a mãe estava com as maleitas e não tinham dinheiro  para os remédios. Ganhou alento, pôs a saca de sarapilheira às costas, cobriu-a com o xale. O Lau imitou-a e vestiu a velha samarra do avô, sobre o talego do contrabando, pôs a sua boina negra, puxou melhor os calcanhares das alpargatas e saíram. À porta, psignaram-se  e, lado a lado, lá foram.

     Os relâmpagos faíscavam o céu e o tremendo estrondo não durava muitos segundos a estremecer toda a terra. 

    As duas crianças caminhavam  contra a força do vento, do terror  e do peso das cargas e das roupas encharcadas.

     No prado Castelhano, o  Lau deu uma escorregadela pela laje abaixo e foi estatelar-se lá no fundo onde o regato se transformara em Ribeiro com velocidade louca. A Felisbela aventou-lhe um Ramalho. Mas nem ele se conseguia agarrar nem ela tinha força para o puxar. Deram gritos alucinantes de desespero e terror. E sem esperança já se entregavam à morte quando o tio António  chegou com o seu cavalo e cordas. 

     No moinho havia um lumezito com as brasas mortiças e um tição quase apagado. O tio António trouxe mais umas pinhas que depressa se puseram a crepitar  com as chamas a bailar ao ritmo da mó.

     Os catraios continuavam a tremer... 

       Ao canto do lume uma velha cafeteira azul de esmalte começou a fumegar. 

O moleiro pegou nas duas malgas  que lá tinha e foi lavá-las com a água da chuva. Pegou num punhado de erva-de-São Roberto  e atirou-o para a cafeteira. Procurou um poquenino de açúcar no fundo do açucareiro, mas não havia. Lembrou-se que tinha um frasco de geleia de marmelo e foi buscá-lo. 

Os garotos não paravam de tremer e de espirrar, mas ali não havia roupa seca para vestirem. O tio António lembrou-se dos alforges do cavalo e da manta de trapos com que nos dias muito frios tapava a porta pelo lado de dentro....

 Georgina Ferro



terça-feira, 2 de março de 2021

COIMBRA DE OUTROS TEMPOS

    - Fim da Couraça de Lisboa

    -Urinol

    -Casa do funcionário que mudava as agulhas para os elétricos mudarem de direcção

-

   Praça do Comércio e Hospital Real

   Duas fotos enviadas por António Simões, morador no Bairro

 

domingo, 28 de fevereiro de 2021

ANIVERSÁRIO Zé Afonso

JOSÉ AFONSO FERNANDES COSTA

28-02-1943

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MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!
 

ANIVERSÁRIO Milita Ferreira

EMILIA MOUTINHO FERREIRA

                    MILITA

28-02-1946

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MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!
 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

ANIVERSÁRIO

JOSÉ HENRIQUE OLIVEIRA

          BOBBYZÉ

26-02-1948

Nesta data especial...

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MUITAS FELICIDADES !  PARABÉNS!


 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Tuna no Restaurante de São Pedro CorvalAdega do Cachete-Alentejo

ANIVERSÁRIO Maria Jesus Neves

MARIA JESUS NEVES

      MARICOTA

24-02- 1948

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES! PARABÉNS!

                              
 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

André Rieu - A Loja Do Mestre André (live in Lisbon)

ANIVERSÁRIO - Zé Santos Bento

JOSÉ MANUEL SANTOS BENTO

23-02-1945

Nesta data especial...

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MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!
 

ANIVERSÁRIO - Laura Sarmento

LAURA SARMENTO

23-02-1962

Nesta data especial...

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MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!
 

domingo, 21 de fevereiro de 2021

IR Á GUERRA...PARTI E VOLTEI...Tento cumprir as instruções governamentais de ficar em casa no meu estatuto de reformado.

 


IR  À GUERRA …

 

Um dia parti e um dia voltei. Voltei da guerra e vim são e salvo. Agora regressei de novo à guerra. Tenho a desvantagem de não conhecer o inimigo e desconfio em cada esquina do meu semelhante que se cruza comigo. Tento cumprir as instruções governamentais de ficar em casa no meu estatuto de reformado. Mas as necessidades mais básicas como a alimentação e medicamentos, fazem-me pisar o campo de batalha. Tal como os lobos que descem ao povoado na procura de comida, é preciso partir. Como outrora eu ajustava as cartucheiras, a ração de combate e a metralhadora, agora ajusto a máscara, ponho os óculos na cara e calço umas luvas descartáveis. Meto o carro no subterrâneo do Supermercado. Entro no elevador e toco no botão com a ponta da chave do automóvel. Depois, pego num carrinho para acomodar as compras e começa o pesadelo. Mas onde raio encontro a embalagem da manteiga magra? Eu ia jurar que os ovos estavam ali !!!

- Óh menina … desculpe … onde é que eu posso encontrar um pacote de arroz “Carolino” ?  

- Olhe, o Senhor vai por este corredor, depois vira à esquerda, depois à direita e 10 metros à frente, outra vez do lado esquerdo encontra a prateleira dos “arrozes”.

E o caminhante que sou eu, lá vai a empurrar o carro das compras com cara de penitência. Maldita lista de compras que nunca mais acaba, ainda me falta a prateleira das hortaliças mas eu desconfio que sei onde é e até acertei, estou orgulhoso comigo mesmo.

- Óh menina …desculpe … onde posso pesar esta curjete ?

- O Senhor esta confundido, isso não é uma curjete é um pepino …

E agora … como encontrar os sumos de laranja do Algarve?  

- Óh menina … desculpe … onde é que eu posso encontrar os sumos de laranja do Algarve?  

- Óh Senhor … olhe-os aí mesmo em frente do seu nariz…

 Resmungo, ajeito a máscara no nariz e prossigo a Via Sacra. Caraças, que isto agora vai complicar – se ainda mais. Eu sei lá onde é que estão os rolos de papel higiénico e o detergente para a máquina de lavar louça???!!!.  

- Óh menina … desculpe … onde é que eu posso encontrar o papel higiénico?  

- Olhe, aqui não de certeza, que o Senhor que está encostado à vitrina dos congelados …  

- Então e o detergente da loiça ? …

- Olhe é exatamente no sítio oposto, tem que ir ao outro lado do supermercado... 

E isto tem tudo para continuar a correr mal e acho que nem com uma bússola encontro a lixivia. Admito que estou esgotado, levo o carro das compras numa correria, pago a mercadoria à pressa à menina vestida de verde que é muito simpática e desço ao subterrâneo na procura do meu meio de transporte. Atiro com as compras para o porta – bagagens e confiro o papel amarrotado que tiro do fundo do bolso das calças e que me foi dado em casa e … upssss … esqueci -me dos iogurtes e do queijo fatiado !!!

Kito Pereira          

sábado, 20 de fevereiro de 2021

ANIVERSÁRIO - Jean-Yves Soguet

 

JEAN-YVES SOGUET

20-02-1947

Nesta data especial...

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JOYEUX ANNIVERSAIRE!

PARABÉNS!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

DIA CINZENTO

 Também gosto de um dia cinzento. Daqueles em que não preciso de sair à rua, não preciso de olhar constantemente os ponteiros do relógio, nem de me preocupar com o pão fresco... Como é bom ter o lume aceso, ter pó de café para pôr na cafeteira que fumega, pão endurecido para espetar no garfo e torrar ao calor das brasas! 

Agora, por falta de agilidade das mãos, já não dá para fazer mais umas luvas de cinco agulhas para oferecer aos netinhos, nem para tricotar uma nova camisola; também já não tenho a tia para me levar ao tear, senão ia cortar tiras de tanta roupa gasta... Pronto, este dia cinzento vai ser deliciosamente vivido! Em vez de lareira, tenho braseira eléctrica no estrado da camilha, a cafeteira expresso espuma a chávena de café, a torradeira solta torradas amarelas e quentinhas e eu, se já não seguro tão bem como antes a caneta, posso teclar as palavras no computador ou folhear aquele livro que tanto gosto de ler... Posso encostar a testa à vidraça e, de chávena, na mão a perfumar o ar, posso olhar aquele tempo de menina a correr para a escola de saquinho de livros a tiracolo sobre a bata branca e um caldeirinho de brasas suspenso das mãos. Aquele caldeirinho feito duma grande lata de atum presa por um arame aos dois furinhos que o tio lhe fizera... Também posso ver os perus da ti Laura a correr ao meu encontro para me picarem e eu a correr a chamar-lhes feios...; Ver a ti Zefa a descer as escaleiras com a vianda pronta para dar ao marrano guardado na cortelha... Ai!, como é bom viver este meu dia cinzento, de chuva e de lembranças!...

Georgina Ferro

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

ANIVERSÁRIO Ana Maria Pera Roque

ANA MARIA PERA ROQUE

15-02-1947

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!
 

domingo, 14 de fevereiro de 2021

ENCONTRO COM A ARTE - POESIA

 A CASA


Na casa em forma de coração não há teto nem chão.


O vento vindo de Espanha passa,

Não há janela nem vidraça.

A parede fecha-se do lado norte

Qual barreira contra o vento forte.


Na casa em forma de coração não teto nem chão.


A varanda abre-se ao sol e ao sul

Mostrando os campos verdes e o paúl.

A oeste ergue-se o granito imponente

Nas paredes escorrem lendas da gente.


Na casa em forma de coração não há teto nem chão.


Há muito esvoaçaram cortinas,

Noites passaram e manhãs de neblinas,

Na pedra ficaram gravados tempos e memórias

Que vou desfiando e acrescentando estórias.


Na casa em forma de coração não há teto nem chão!

Yasmine Koute(Guilhermina Leão)


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

ANIVERSÁRIO Carlos Costa Freire

CARLOS COSTA FREIRE

12-02-1949

Nesta data especial...

"Encontro de Gerações" deseja

MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

COIMBRA DE OUTROS TEMPOS Comb´pio da Lousã

 Esperando que a automotora do ramal da Lousã passe pela Portagem( para recordação)...



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

O TI´JOÃO Texto de Kito Pereira

 


O TI´ JOÃO …

 Naquele espaço, junto da austera Sé de Castelo Branco, olhamos a praça. Um local airoso, de casas caiadas e modestas. Também do pequeno comércio de proprietários à porta de mãos atrás das costas, na espera da entrada do cliente apetecido. E acolá, naquela fileira de habitações de tetos baixos, uma pequena entrada de portadas verdes. É ali a taberna do Ti´ João. Lá dentro, o pequeno compartimento é escuro. Um balcão corrido e acanhado e uma prateleira onde repousam algumas garrafas de vinhos e licores. Também um busto de barba e faces rosadas na recriação de Rafael Bordalo Pinheiro numa pose sugestiva e uma inscrição na base:  SE QUERES FIADO TOMA !!!.  E, do lado de lá do balcão, um homem. Um homem já de idade simpática, de baixa estatura num rosto bondoso e bonacheirão. A barriga é proeminente e vai falando como estivesse cansado. Fala baixo, a medir bem as palavras, como se tudo o que dissesse tivesse o rótulo de confidencialidade. Naquelas tardes de verão, por vezes eu entrava naquele seu mundo. O café ou a ginjinha obrigatória para dois dedos de amena conversa. O Ti´João taberneiro, para além de ganhar a vida a vender copos de vinho, tinha também no folclore o amor de quem gostava das voltas e reviravoltas da dança. E foi nos ensaios do Rancho Folclórico de Juncal do Campo que o conheci. Apesar de leigo na matéria, cedo percebi que era um homem que sabia daquela vertente da cultura popular. Nos ensaios era perfeccionista e repetia as modas e as danças até à exaustão. Pese o seu coração mole, era respeitado por cantadores e dançadores. E pelo grupo de tocadores. Nunca o tambor, a concertina, o reco – reco ou a pandeireta se rendiam no esforço que era exigido pelo Ti` João. E foi assim que tive uma simpatia crescente por ela. Sempre que passava junto ao seu pequeno estabelecimento em tardes de calor, era obrigatório entrar e conviver com um homem simples e cordato, grande na sua dimensão humana e de fiel seguidor das tradições culturais de um povo que devem ser preservadas. Falava-me sempre com entusiasmo nas deslocações do grupo a festivais de folclore e dizia-me no meio de mais um brinde de uma taça de vinho branco ou de uma aguardente – velha que eu sempre fazia questão de pagar:

- Amanhã, no Ladoeiro, vamos entrar a todo o gás e arrasamos com a concorrência …

E eu, já na soleira da porta,  lá lhe ia dizendo:

- Pois amigo João, com a “Dança da Tranca” vamos rebentar com eles …

Então ele ria e eu a acenar - lhe partia …

Quito Pereira         

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

ANIVERSÁRIO Vasco Águas

VASCO ANTÓNIO CANHÃO ÁGUAS

09-02-1945

Nesta data especial...

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MUITAS FELICIDADES!

PARABÉNS!
 

domingo, 7 de fevereiro de 2021

AMOLA TESOURAS-Texto de Georgina Ferro

 O amola tesouras

Hoje está um vendaval e chuvada que mais parecem de plena invernia!

E lá vou eu para os tempos de antanho e para aquela aldeia raiana da Beira Alta onde havia muito cansaço, preocupação em granjear o pão de cada dia, tarefas intermináveis ao longo de todo o ano, tendo sempre o seu fulcro na cozinha, ao redor da lareira.

Num dia assim, como o de hoje, ventoso e a acarretar cordas grossas de chuva, o capador, ou seja o amola-tesouras, para descanso dos garotos que fugiam dele a sete-pés, sabe-se lá porquê,  parou de andar rua abaixo rua acima com o carrinho de madeira e rodas de bicicleta, onde acarretava a roda de afiar as facas para as matanças.

Enfiou-se na gruta da árvore frondosa, que já não existe, mas que eu juro a pés-juntos existia a uns metros da entrada principal da igreja, onde poisou o seu banco de meia lua tripé, tapou-se com uma saca de serapilheira, para não ficar “arreganhado”, (é que ainda não havia plástico para o proteger), e vá de “curar” as varetas dos muitos guarda-chuvas que se haviam voltado e entortado com o vento, ou fazer delas, se já não tivessem conserto, um jogo de cinco agulhas para fazer as meias de algodão.

O ti João Reino, o meu vizinho de coração de oiro, não se conteve e foi chamá-lo para debaixo da "alpendrada" da lenha, pois sempre seria menos desconfortável.

Depois foi um corropio de gente, garotas, mulheres, homens..., nada de rapazitos, a esses ninguém lhes punha a vista em cima, enquanto o capador andasse por ali!. Vinham trazer-lhe mais e mais serviço, é que, para além de capador, amolador, consertador de guarda-chuvas também “gateava” peças de loiça, que por serem muito caras, não se podiam deitar fora só por terem uma ou duas rachadelas: ora eram travessas do serviço, ou o penico da mesinha de cabeceira, a caneca do vinho, o prato grande do arroz doce...que ele costurava com arame depois de ajustar bem cada caco, com cola que apanhava do tonco de algumas árvores.

E, nessa noite não arredou pé lá do curral! Para maior castigo os caminhos ficaram intransitáveis e, na maior parte lembravam mais pequenos ribeiros do que caminhos de regresso a casa. 

Ai, ai!, estou a mentir, porque ele teve de se abrigar na loja das vacas, depois de ter ajudado a cavar uma vala funda para a água correr à volta das paredes da casa....

Georgina Ferro


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

FOTOS DE ARQUIVO PARA MAIS TARDE RECORDAR...ACADÉMICA DE COIMBRA - FUTEBOL

De é: Branco, Prates, Brás, Diogo, Hipólito e Azeredo

à frente: Melo, Pacheco Nobre, Garção, Nana e Bentes


Assinaturas dos jogadores

 Enviado por Alfredo Moreirinhas

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

SÓ FICAVA O FURO... TEXTO DO PROFESSOR ANTONINO SILVA

 Só ficava o furo


O que têm a ver as caminhadas, a tragédia de Beirute e o blog de viagens do Sapo?

Li isto algures e não conseguirei citar, mas a ideia principal era esta: nas redes sociais (destacando-se o facebook), a população mundial que partilha esta rede está apenas a quatro cliques de amizade. Quer isto dizer que, quando consultamos os amigos de um amigo nosso e depois continuamos e fazer o mesmo a cada um dos amigos desse amigo do nosso amigo, ao fim de quatro pesquisas teríamos descoberto todos os usuários desta rede. Porém, atente-se, seria necessário voltar atrás e fazer sempre o mesmo por cada pessoa, uma vez que as redes de amigos se constituem em expoente variável, sendo muitos deles elevados a cinco mil (o número máximo de amigos). Assustador, não é? Contudo, como o povo diz, as palavras são como as cerejas e isto anda tudo ligado. 

Se dúvidas houvesse, os episódios vêm confirmar esta visão metassistémica do universo sem necessidade de entrarmos em fatalismos ou teorias da borboleta. Este, em particular, é muito recente e relaciona-se com as atividades de caminhada que tanto me agradam e tantos amigos me granjearam. 

A barragem do Varosa, em Lamego, tornou-se famosa recentemente nos grupos de caminhadas depois de um artigo no blog de viagens do Sapo, porque apresenta, na margem esquerda, já a jusante do paredão, uma escada mítica, com 360 degraus, que confere ao cenário um foco de atração para caminheiros, e não só. A barragem não é muito extensa nem muito alta (tem 213 metros de comprimento no coroamento e 76 metros de altura acima do terreno natural), mas surge encaixada numa garganta que lhe dá um fascínio natural, principalmente se a observarmos do leito do rio, do lado de Sande. Na década de 30 tinha-se iniciado a construção e, apesar de em 1936 já estar em funcionamento, só em 1976 é que a EDP começou a tirar o máximo proveito, depois da construção dos tubos adutores e da central elétrica adjacente. 

Ao comentar os planos de abordagem a este espaço numa caminhada futura, um ancião de 96 anos, que me ouvia, recordou-se da sua contribuição para a construção, ainda rapaz imberbe.  

Os subempreiteiros da obra não eram, propriamente, pessoas de escrúpulos e, em busca de um maior lucro, procuravam expedientes, sendo o mais recorrente a procura de explosivos mais baratos. Como o controlo estatal era remoto, por cada tonelada de pólvora legalmente adquirida, compravam outra tanta em mercados paralelos, a preços muito mais acessíveis. Contudo, havia sempre um risco enorme de a GNR descobrir este tipo de tráfico e levar de cana fornecedores e compradores.

Ora o pai desse jovem tinha um caseiro na Quinta das Torres que juntava aos rendimentos da terra os lucros do seu engenhoso sistema de fazer pólvora negra. Em vez de usar o nitrato de amónia para adubos, como seria de esperar, preferia usá-lo para misturar carvão moído e outros produtos acessíveis para fazer pólvora, que vendia a bom preço para a barragem. Esse caseiro contratava o filho do dono da quinta para levar, semanalmente, um lote de 25 quilos e, juntamente com o que ele levaria, dava para fornecer a meia centena de quilos que tinha acordado com os subempreiteiros. Esse filho do patrão é agora a pessoa que me conta a história.

De Moimentinha até Balsemão, os carregos tinham de ser discretamente transportados, às costas, dentro de taleigas de farinha, envoltas em sacos de serapilheira. Aproveitam-se os dias de mercado (as quintas-feiras) para, disfarçadamente, seguirem como mercadores de batatas ou algo parecido, por caminhos escusos e atravessando o rio a vau. Mas as coisas podiam correr mal, se os guardas se mostrassem mais curiosos ou desconfiados do que o costume. E isso atormentava o cachopo, que questionava o João Luís sobre esse risco e como conseguiriam não bater com os costados na prisão.

Então, muito pausadamente, o adulto explicava-lhe que cada saco tinha um buraco bem largo no fundo e se a guarda se aproximasse, bastaria puxar um atilho, que ele se abriria, deixando cair o pó à medida que avançavam. Assim, a prova ia com o vento. 

E terminava a preleção com uma frase lapidar: - E reza a Deus para que o guarda não esteja a fumar!

Antonino Silva